quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 42 - Forgetting.

 

***

Dan: Deixa-me levar-te a casa. Bell...

Eu: Não, não. Eu estou bem, só preciso de um tempo para mim. Sozinha. Preciso de ligar os pontos, perceber isto tudo... eu não quero fazer algo que me arrependa Dan. Desculpa.

E com isto o som da campainha soa, milhares de alunos aparecendo por toda a parte. Murmuro um pequeno "obrigada" antes de sair, virando costas a tudo e a todos, as minhas pernas fazendo o seu caminho pelo passeio do exterior, caminhando pela única rua que conheço de verdade. As minhas mãos estão nos bolsos do meu casaco enquanto chuto pedras pelo caminho. A chuva já parou, mas o céu ainda está escuro, como sempre em Londres. A mochila descansa no meu ombro, levemente caindo enquanto ando. Os meus ténis molham-se, a água infiltrando-se nos meus pés, provocando-me uma sensação estranha. Todas as palavras ainda permanecem na minha mente... as do Zayn, da Sally, mas principalmente do Dan. Talvez o meu verdadeiro problema não seja o Liam, mas sim o que me aconteceu no passado? Mas se isto nunca tivesse acontecido, será que eu o conhecia? Será que tudo estaria bem? Será que tudo levaria este rumo?

Passados 15 minutos a passos lentos estou dentro de casa, retirando o casaco lentamente e pendurando-o junto de alguns outros perto da porta. Tenho mesmo de lavá-los, depois de estarem lá tanto tempo molhados provavelmente cheiram mal. É esse o problema de Londres de qualquer das formas... nunca está sol, a roupa não seca de outra forma a não ser numa máquina de secar. Algo que eu ainda não me decidi a comprar. Um passo de cada vez.

Olho novamente para o conjunto de roupa pendurado e os meus olhos querem chorar. Um casaco do Liam, ele provavelmente deixou-o para trás. Mas ele deixou mais do que isso para trás... muito mais - ou então quase nada... não é como se eu contasse de qualquer das formas. Seguro nele e procuro por algum sinal de mau cheiro, sujidade, estragos... mas está impecável, como sempre esteve. Penso em entregá-lo à sua mãe, ela deve estar em casa neste momento, mas recuo com a ideia assim que penso melhor. Ela não deve saber, ele não lhe deve ter dito. Não se passou um dia, porque haveria de o ter feito? Mas agora que penso realmente, são apenas 10h da manhã, ela provavelmente está a trabalhar. Olho pela janela e não está ninguém em redor, vou apenas colocá-lo na caixa de correio. Sei que posso entrar em casa, ele deu-me liberdade para o fazer sempre que assim quisesse, ele esconde uma chave para que eu saiba onde ela está e possa fazê-lo  sem ela ter de ficar aberta, mas não vou fazê-lo. Afinal de contas, já não somos nada um ao outro. Talvez nunca tenhamos sido de verdade, talvez tudo tenha sido uma ilusão, porque ambos precisavamos de alguém...

Abro a porta, seguro nas chaves e no casaco numa mão enquanto a fecho com a outra, não a trancando, a sua casa é mesmo na rua em frente à minha de qualquer das maneiras. Ultrapasso a estrada que as separa e chego até perto do correio. Claro que o casaco não cabe, claro que não. Sigo até a porta e deixo-o no banco lá perto, ficava mesmo ao lado da entrada para quem quisesse sentar-se cá fora para descansar ou estar ao ar livre, era impossível não ver.

 

***


São 22h, o meu telemóvel vibra perto da minha cama, sinal que acabo de receber uma mensagem. Olho para o ecrã, o número é me desconhecido.

Desconhecido - "Não consigo dormir, achas que me podes fazer companhia? xDan"

Rapidamente guardo o seu número no meu telemóvel, registando como Dan nos meus contactos.

Eu - "Talvez?"

Dan - "Espero que estejas a brincar com as tuas bonecas para teres demorado tanto tempo a responder."

Eu - "E eu espero que estejas lentamente a adormecer... oh, esta rimou xD" franzo as sobrancelhas na dúvida, sem dúvida não estou no modo de piada, então provavelmente vou dizer algo que não devia, ou que não faz sentido. É.

Eu - "Mas não fez sentido nenhum de qualquer das formas... :/ ignoremos. Amén."

Dan - "Por algum motivo tenho a sensação que me vais fazer adormecer de verdade. Fala-me disso... é algum poder?" sem querer forma-se um sorriso parvo no meu rosto, uma pequena gargalhada soltada pela minha garganta. Deito-me sobre a cama, já pronta para dormir, no entanto, a trocar mensagens.

Eu - "Idiota."

Dan - "Ouch. Essa doeu! Babeee porque é que me fizeste isto? Estou em sofrimento. :("

Eu - "Água fria e isso passa."

Dan - "Está tudo bem? Precisas de alguma coisa?"

Eu - "Preciso. Preciso de conseguir dormir e só dou voltas e voltas na cama. É o que se passa."

Dan - "E seu eu cantasse para adormeceres? Podíamos fazer isso... posso ligar-te?" riu com a ideia. Ele não parece ser o tipo de rapaz que sabe cantar, nem tão perto o tipo de rapaz que faz uma rapariga adormecer.

Eu - "Claro. Tens a certeza que sabes cantar?" brinco.

Dan - "Cala-te e espera só."

E então é quando recebo uma chamada. Deslizo o dedo pelo ecrã para atender. Não estou certa do que está prestes a acontecer, mas tenho a sensação que não vou adormecer nas próximas três horas.

"Dan?"

"Hey, bela adormecida. Então, queres uma canção de embalar? Olha que eu sei várias. Nem me perguntes como!" ele ri do outro lado da linha, a sua voz muito mais profunda através da chamada.

"Hey, e não, eu não preciso e uma canção de embalar, Dan. Não é como se fosse a primeira vez que não consigo dormir."

"Ainda bem, de qualquer das formas a minha garganta já se queixava antes mesmo de começar a cantar." ele ri, "Mas bem, como é que estás? A sentir-te melhor?"

"Ugh, não, nem por isso." solto um pequeno grunhido, deitando a cabeça contra a almofada, olhando para o teto. "Mas vou ficar. Mas sinceramente, preciso de alguma coisa para fazer. Um emprego talvez... de qualquer modo preciso de algum dinheiro."

"Já procuraste um emprego?" a sua voz desde alguns tons e parece muito mais sério. Relembrar-me que ninguém me aceitou faz-me soltar uma cara de desgosto enquanto falamos.

"Er, bem, sim. Mas eles não me aceitam... tu sabes, tenho 17 anos." digo, mexendo na bainha do lençol.

"Oh." É tudo o que ele diz. "Eu conheço uma pessoa que talvez possa ajudar-te!" ele diz rápido, como se de um momento para o outro se tivesse lembrado de algo.

"A sério?"

"Sim, ganham um bom dinheiro. Mas não me parece o teu género. Quer dizer, tens um bom perfil para isso, mas talvez não tenhas paciência."

"Não, não digas isso. Eu já aceito qualquer coisa." fecho os olhos, espalmando a minha cara em desprezo. "Qualquer coisa não, isso não! Depende do que tens em mente."

"Eu percebo-te." ele ri. "Mas bem, falamos amanhã? As coisas aqui não estão fáceis..."

"Certo. Desculpa."

"Não tem mal, boneca. Boa noite."

"Boa noite."

E com isso a chamada acaba, o silêncio rapidamente apoderando-se do meu quarto. Antes de conseguir adormecer penso em mil e um assuntos... nos meus pais, no Liam, na proposta de emprego que o Dan tem em mente, nos estudos... realmente preciso colocar as coisas no sítio.

O meu peito bate mais depressa enquanto percorre as antigas mensagens que trocava com o Liam, a minha respiração tornando-se descontrolada e quente.

 

***

 

Os meus pés andam durante algum tempo até avistar um corpo alto perto da entrada da escola, à minha espera. Ele segurava um cigarro na mão enquanto fumava algumas vezes, rapidamente atirando-o para o chão assim que me vê. Apresso-me a chegar até lá, desesperada para saber o que ele tinha para dizer, as minhas mãos já suadas.

Dan: Erm, então, lembras-te do que te disse ontem? Sobre o emprego?

Eu: Sim, Dan, lembro. Agora diz-me, passei  a noite toda em branco. - respiro, o ar frio saindo da minha boca e formando uma nuvem no ar. O dia está realmente gelado hoje, a sweater que tenho vestida não sendo suficiente para me aquecer. Não como quando tinha o Liam para me abraçar... as coisas mudaram tanto desde que o conheci, é como se não fosse mais eu.

Dan: É, então... achas que podias ser modelo?

 

Continua...

xxPatrícia

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