quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Imagine Niall - About Time - Parte 3 (última)

 

Niall P.O.V.


Eu: Vou voltar para Londres! - as lágrimas tornam-se bastante evidentes nos seus olhos que brilham cada vez mais, intensificando a quantidade de gotas de água que se formam neles. Aperto a sua mão na minha e forço-me a não chorar na frente dela, apesar de já sentir as minhas pupilas em água. De tudo o que esta vida me obrigou a fazer até hoje, esta definitivamente era a minha decisão mais difícil... Sair da vida dela ... haviam dois lados a puxarem-me, dois lados contrários, razões adversas, algo que me pedia para ficar e algo que me mandava partir. Acho que me perdi completamente no tempo com ela, perdi noção dos perigos, das consequências, perdi-me nela. Nunca pensei que o tivesse de fazer um dia, abandoná-la precisamente agora, é só que eu pensava que nós seria para sempre. Penso que ambos estávamos cientes disso, mas as coisas mudam... e connosco mudou drasticamente. Porque o sempre também acaba... poderia não magoar tanto, mas realmente dói. 

Neste momento o meu corpo é percorrido de inúmeras sensações que o exploram, que procuram as minhas maiores fraquezas e chegando até elas, eu sentia tudo... e nada. 

Eu: Hm... - cerrei os olhos impedindo as lágrimas e voltei a mover os lábios para falar - E-embora eu tenha as minhas inseguranças... que são tantas quando se trata de ti Crys... os meus erros, eu amo-te, e a única certeza de que me envolvo neste momento é de que isso não mudará nunca! - via o sofrimento nos seus olhos. - Amor - chamo-a, colocando a palma da minha mão no seu rosto quente e puxo-o um pouco mais para mim, podendo sentir a sua respiração chocar contra os meus lábios - Eu sei que hoje dói muito, mas pode ser que 'amanhã' essa dor alivie...
Crystal: É isso que achas? - ela eleva o tom da voz, que sai rouca misturando-se com o seu choro cada vez mais nítido.
Eu: Foda-se, achas que não o estou a sentir isto tanto como tu?? - grito - Desculpa se estou a tentar não chorar à tua frente, não te mostrar como me deixas, desculpa está bem? - uma ardência corre a minha garganta tornando a minha voz mais grave e vejo-a encolher-se na cama - Queres a verdade?! A verdade é que não posso dizer que não vou sentir falta, porque vou, e muito caralho!... Não vai ser difícil esquecer, vai ser impossível ... Os meus dias vão tornar-se simplesmente num paraíso sombrio, porque não existe cura para a lembrança, a tua alma vai assombrar-me a cada dia que passa e eu só vou querer estar morto para poder apagar todas essas sensações! Nao há libertação possível Crystal, não há alívio nenhum... - neste momento o meu rosto já se encontrava húmido e tudo o que queria era sair dali e acabar com este sofrimento que matava a cada segundo que a olhava.
Crystal: Eu também vou sentir falta, todos os dias em que ainda respirar eu vou senti-lo, porque a verdade é que eu estarei morta... Amo-te o suficiente para deixar que a tua felicidade não seja ao meu lado, n... - o meu dedo indicador pousa sobre os seus lábios, silenciando-os.
Eu: Shhh... não o digas babe, isso não é verdade. - encosto a sua testa na minha enquanto a sinto apoiar as mãos no meu peito que bate aceleradamente, junto os nossos lábios mantendo-os unidos por segundos. Estava na hora. - Se alguém te falar em mim, não me conheces... Mantém-te a salvo... Quando te sentires só, olha para o céu e procura a lua... não importa a distância que nos separa, porque a tua lua vai ser sempre a mesma que a minha amor!
Crystal: Niall... fica... - ela choraminga.
Niall: Era tudo o queria... - murmuro e encosto os nosso lábios beijando-a. As nossas línguas dançam em sintonia e sinto as suas lágrimas molharem a minha camisola ... último beijo... O meu rosto ja estava completamente húmido e tenho a certeza de que os meus olhos estão vermelhos do choro ... Esta era a minha vida sem ela, um abismo! 

Afasto os nossos lábios e ela mantém os olhos fechados, dando-me tempo de ir ate à porta e sair... apenas consigo ouvir os seus gritos chamando o meu nome. Caminho pelo corredor do hospital, a sua voz ecoa atrás de mim quando chego á porta de saída, a minha mão está pousada na maçaneta, rodo o corpo ligeiramente alcançando a sua imagem não muito longe de mim a gritar desesperadamente pelo meu nome e enfermeiros agarravam-na, impedindo-a de chegar perto de mim, tal como lhes pedi. Eu sabia que ela tentaria impedir-me e não podia deixar que isso acontecesse porque bastaria mais um beijo e eu ficaria ... - Pára Crystal - sussurro e acho que ela entende o que digo ficando estática a olhar para mim. Rodo a maçaneta e saio.


*5 meses depois*


05h.20min. Apenas consigo ouvir os ruídos assustadores do vento a soprar lá fora entre as inúmeras lágrimas que o céu hoje de noite chora. Acho que se encontra como eu, sem forças, perdido. Aqui dentro não existe vida, nem sequer paz, todos os dias tem sido um tormento desde que a deixei, todas sem exceção, não houve uma única em hora me que conseguisse sentir paz, alívio ... felicidade.
A minha respiração praticamente escassa é o que se pode ouvir na sala onde estou trancado. Procuro manter o silêncio que perdura por horas, praticamente os meus pensamentos são nulos, tudo em mim está prestes a morrer, isto se não estiver já morto. Fecho os olhos e tudo o que encontro do outro lado são lembranças nossas, partes do passado que me carregam e as quais a minha mente não entra em desaprovação com ela, não sei porquê. Não me consigo mais afastar daquele monstro, ele agora voltou a viver dentro de mim. Isto atormenta-me, não quero ser assim... a lentidão com que o meu coração bate duplica o sofrimento. Apenas a lua continua lá.


Crystal P.O.V.


"O tempo é um colidir de momentos, emoções, sorrisos, lágrimas... uma explosão de vidas! Damos por nós a pensar em formas melhores de viver o tempo que já não nos pode ser devolvido e mesmo sem nos apercebermos dessa perda ela continua a apoderar-se de cada segundo, minuto nosso... tempo que não volta. Lembras-te de tudo aquilo que já fomos? Uma resposta clara, sim. Eu sei que te lembras, afinal não tem como ser esquecido, pelo menos não de forma tão rápida assim! Demasiados dias juntos, tantas coisas que nos ligaram... e nós já o estávamos mesmo sem sabermos. Incrivelmente criamos a ligação mais inesperada. Com a distância o verdadeiro amor só tende a aumentar. Podemos considerar como "prova de fogo" tudo isto... Porque eu ainda guardo tudo comigo e se fechar os olhos, esse "tudo" volta, desperta a palavra saudade em mim, cria lágrimas, esgota-me, leva-me ao fundo do poço... Como nos fomos perder no tempo? Eu não sei."

...Acabava de escrever mais uma das minhas cartas, esta provavelmente seria a última. Todos os dias desde que ele foi embora escrevo, mas hoje eu iria vê-lo finalmente outra vez. Ele não sabe que lá estarei. Medo, tenho medo.


***


Eu: Niall James Horan.
XXX: Aqui, por favor - um dos polícias dá espaço para que entre na sala. - Tem a certeza menina? - ele pergunta e eu dou de ombros - Tome cuidado. - ele finaliza abrindo a porta de aço que tinha apenas uma janelinha no topo. Niall está num canto como se embalasse o próprio corpo, as pernas encolhidas contra o seu peito onde o seu rosto se escondia enquanto envolvia os braços à volta das suas pernas. Ele apercebe-se de uma presença e eleva um pouco rosto, pousando o queixo sobre os joelhos e olhando para mim. O seu olhar não mostra qualquer sentimento e está mais escuro do que o habitual azul marinho a que eu me habituara à cinco meses atrás... ele não solta uma única palavra então resolvo fazê-lo.
Eu: Hey - digo fraco, ele levanta-se e aproximamo-nos um do outro a passos lentos. A sua respiração é praticamente inexistente em comparação à minha, os seus dedos deslizam pelo meu braço levemente, solto um suspiro ao voltar a sentir o seu toque, rapidamente sinto o meu pulso ser apertado bruscamente e o meu corpo ser lançado contra a parede ao lado. Um pequeno gemido escapa dos meus lábios e cerro os olhos.
Niall: Não devias estar aqui! - diz ríspido, o seu maxilar encontra-se tenso e a sua postura é assustadora, sinto medo do que possa fazer apesar de ter a certeza que ele nunca me magoaria.
Eu: Eu tinha que o fazer... - sussurro e sinto os meus pulsos mais leves por isso tento dar um passo em frente e descolar as minhas costas da parede, mas os meus ombros são novamente empurrados fazendo-me embater nela. - Niall, estás a magoar-me! - choramingo e ele solta-me. O que é que se passava com ele? Os seus comportamentos nervosos voltam e vejo-o atirar tudo o que os seus olhos alcançam, uma das cadeiras acaba por partir ao bater na parede, ele passa as mãos nos cabelos despenteando-os completamente. As lágrimas correm o meu rosto, Niall bate bruscamente com os punhos e com os pés numa das paredes... Ele estava a magoar-se! 

Corro para junto dele e pouso a minha mão completamente trémula no seu ombro mas logo me arrependo quando sinto o meu corpo ser apertado quase nem permitindo que a minha circulação passe em certas zonas, praticamente amassadas pela força abrupta que ele aplica nelas.

Eu: Pára Niall, sou eu! - grito mas ele parece reagir mal ao tom de voz que utilizo e atira o meu corpo contra a mesa, dirigindo-se para mim novamente, as suas mãos prendem o meu pescoço entre elas - Que merda, pára. - a passagem do ar na minha garganta começa a ficar bloqueada e mexo freneticamente com o corpo procurando que ele me solte. - Sou eu, a Crystal. - a minha voz mal sai, os seus olhos encaram os meus fixamente agora e a sensação de alívio volta.
Niall: E-eu não entendo... - o seu rosto está assustado - Crystal - ele parece procurar-me na sua mente - Amor... Eu sou um mostro - a sua voz parece quebrar à medida que ele diz cada palavra, as lágrimas descem pelo seu rosto, nunca o vi tão magoado - Violei-as, sem qualquer piedade ... não sabes o que me tornei sem a tua presença. Todas as noites eu olhei a lua no céu e apenas lhe perguntava se tu farias o mesmo, se eu passava por um único segundo na tua mente. Independentemente da resposta eu importava-me em sabê-lo... saber se estavas bem o suficiente sem mim! - um silêncio instalou-se na sala, algo avassalador porque nenhum de nós se pronunciava, nenhum. Eu apercebi-me, todos nós estamos à beira de um penhasco, todos os segundos, toda a nossa vida... e um dia todos iremos saltá-lo! A escolha é apenas uma, iremos forçados ou simplesmente gritando? Iremos manter os olhos abertos e observar a nossa própria queda, ou abriremos apenas os nossos corações?... os anjos que caminhavam sobre mim de noite, apaziguavam a minha alma e curavam o meu cansaço, eles simplesmente tomaram a forma de demónios! Via a minha dor refletida nele, ambos sofríamos. Então porquê manter essa dor? - Vieste aqui, pelo menos diz alguma coisa... Foda-se, vai-te embora Crystal, vai! - ele grita desta vez.
Eu: É mesmo isso que queres?  

Niall: Não... mas simplesmente vai! - deslizei os meus dedos trémulos pelo rosto e limpei-o apesar das lágrimas não pararem, o seu rosto virou-se para uma das paredes evitando o contato comigo. Eu nunca devia ter arriscado aparecer aqui, ele é que tomou a decisão de me deixar para trás à cinco meses atrás, ele é que optou por desistir de nós... porque é que ao fim de todo este tempo eu ainda tentava lutar?? Devia ter-me ficado apenas pela lua, viveria numa ilusão mas pelo menos não me magoaria, não saberia quem era o verdadeiro rapaz que amo. Enquanto não encerramos um dos capítulos da nossa vida é impossível avançar para um próximo e talvez por essa mesma razão haja essa necessidade tão grande de certas coisas irem embora em momentos da vida, nem que soltá-las magoa tanto. As cartas com que jogamos o jogo da vida não estão marcadas, apenas umas vezes ganhamos e outras perdemos... - Crys! - a sua voz é ríspida, volto o meu corpo e rapidamente sinto as suas mãos prendendo as minhas, lançando-me contra o seu peito. As minhas pernas envolvem a sua cintura definida assim como as minhas mãos soltam as suas, percorrendo o seu pescoço quente. Num abrir e fechar de olhos sinto as minhas costas embaterem na grande porta de aço que se fecha num estrondo, o meu corpo está imobilizado pelo dele que exerce pressão para que eu não caia. Uma das suas mãos segura as minhas pernas enquanto a mão livre movimenta os seus longos dedos gentilmente pelo meu rosto e a sua boca procura a minha deixando leves rastos de beijos pelo meu queixo. - Sabes o efeito que tens sobre mim? - a sua voz é ofegante, limito-me a mover a cabeça dizendo que não e logo posso sentir a sua língua dentro da minha boca, o intenso sabor a hortelã instala-se dentro de mim e sinto-o por todo o meu corpo. - És virgem... - fortes arrepios eletrizam-me com as palavras que ele sussurra firmemente contra o meu ouvido. Ele agia naturalmente o que era incrível na minha opinião, à medida que a frase era ditada pelos seus lábios colados à minha frágil pele, os seus dedos moviam-se freneticamente na minha cintura. - Quero-te Crys ... - ele murmura, a sua voz é cheia de desejo e os seus olhos azuis brilham de luxúria, ele roda-nos inclinando-se lentamente até ao chão, mantendo o meu corpo preso no seu, pousa-me no azulejo gelado e as minhas costas arqueiam-se involuntariamente ao sentir o contato, permitindo-me sentir assim o seu membro roçar na minha virilha. 

Eu: O que vais fazer comigo Horan? - a minha voz falha, ele para os beijos por momentos e encara-me profundamente, a claridade dos seus olhos é inexplicável neste momento. Não consigo esconder o medo... ele já esteve com outras mulheres... matou muitas delas... 'Confia Crystal, confia' a minha mente gritava. Ele deixa de olhar-me momentaneamente e vejo o seu rosto descer até a minha barriga. Várias sensações incompreensíveis se instalam em mim, o tecido da minha blusa é lentamente arrastado para cima cobrindo apenas agora os meus seios, de repente sinto a sua língua fazer um trilho à volta do meu umbigo, a sensação húmida é prazerosa e mordo o lábio para impedir um gemido escapar-me. Ele eleva o seu olhar, descolando a sua boca dali e por segundos imploro para que continue mas rapidamente os seus lábios novamente pousam, agora em cima do umbigo e sugam a minha pele. Inevitavelmente não consigo impedir os gemidos, a minha respiração acelera e ele beija a zona repetidamente, os meus olhos devem encontrar-se vivos de excitação. Fecho os olhos e logo que os abro encontro o seu rosto já perto do meu, os seus dentes perfeitamente alinhados mordem o meu lábio inferior e seguidamente ele roça o seu nariz no meu.  

Niall: Diz-me tu o que vais fazer comigo Hall! - a sua voz está rouca e sensual, fazendo o meu interior explodir em questão de segundos, fazendo-me desejá-lo cada vez mais. Ele roda o seu corpo para o lado e puxa o meu, colocando-o em cima do dele. O que é que eu fazia agora? Oh foda-se. Ele agarra os meus pulsos firmemente, move os lábios e apenas tento perceber o que eles dizem... 'Calma amor'! A pele dele é suave e lisa, as pontas dos seus dedos chocam com as minhas e ele guia as minhas mãos pelo seu abdómen, ajudando-me a descer a parte de cima do macacão cinza que tem vestido. Em pouco tempo apercebo-me de que ele já está apenas com o tecido branco dos boxers cobrindo o seu corpo esbelto... - A tua inocência é cativante! - um sorriso rompe no canto dos seus lábios, balanço os cabelos discretamente, tentando que a minha timidez não se faça notar assim tanto. Ele ri com o meu ato, as suas mãos levemente sobem pelas minhas pernas no seu colo, subindo até o botão das minhas calças, desapertando-o, cada movimento lento, cada vez mais difícil de aguentar, controlar a timidez na minha pele e o quente ao mesmo tempo, não podia parar. As minhas calças estão no chão, os seus olhos abrem-se em luxúria, e então é quando sinto os seus lábios fortemente pressionados contra os meus, respiração ofegante batendo contra a minha boca, língua desesperada na minha. A minha camisola é rapidamente arrancada e atirada para o chão sujo e frio, os meus ténis são também atirados até uma parede. O beijo para, a minha respiração descontrola-se, o meu peito bate depressa, o meu sangue corre violentamente nas minhas veias, bochechas aquecem furiosamente.

Os seus olhos encaram-me fixamente e eu estou fixa nos seus lábios molhados que adquirem agora um tom mais avermelhado.

Niall: Não dói amor. - ele sussurra contra a minha boca, ele posiciona-me melhor nas suas pernas e logo pousa as suas mãos sobre os meus quadris, acariciando-os e exercendo uma força agonizante sobre eles. A minha mente não tem capacidade de assimilar todas as sensações de imediato, as suas mãos seguram-me firmemente e as minhas costas voltam ao chão, o seu corpo sobre o meu... Os seus dedos fazem o seu caminho até a única peça que tenho no corpo, lentamente baixando-as e deitando-as no chão, assim que as mesmas escorregam pelas minhas pernas. O meu peito bate depressa, dolorosamente, mas não consigo colocar a hipótese de parar, preciso disto, preciso para mim. 

Os meus olhos fecham-se instantaneamente e a minha boca abre-se, as minhas costas tombam para trás e eu gemo conforme o seu membro vai entrando em mim lentamente.

Niall: Isso amor. Sente-me... - ele murmura. A dor dura poucos segundos... minutos... não tenho ideia do tempo, apenas sinto prazer. Os meus cabelos caídos sobre as costas são agora arrastados pelas suas mãos suadas até aos meus ombros, cobrindo consequentemente os meus seios devido ao seu comprimento e os seus lábios colam-se aos meus pela milionésima vez. Ele roda os seus quadris um pouco fletidos realizando o mesmo movimento que os meus, o meu corpo por cima do seu, as minhas pernas de cada lado da sua cintura, o meu corpo quente. - Comanda Crys... por amor de deus ... - ele geme.

 


Niall P.O.V.


*15 anos depois*


"Acredito que todos nós temos um verbo. O meu é o 'sentir'.
Como sabe bem sentir. Sentimentos. Uma mistura deles, uma infinidade deles. Desde sempre que os conhecemos, mas a maneira como vamos esquecendo ou fortificando alguns é de facto inexplicável... Principalmente aqueles que descobrimos com o tempo, aqueles que não eram familiares mas que se tornam tão íntimos... Como é bom conhecê-los, saber que podemos sentir mais do que pensávamos... Como é bom descobri-los da melhor maneira, decifrá-los com quem merece e não ficar apenas a ouvir de quem sente e tenta descrever a sensação. Nada melhor do que conhecê-la. Nada melhor do que tu para me ajudares a desvendar os segredos de um poço que eu cobiçava mas não tinha como descer até ele. Um poço que no final de contas é um paraíso de lágrimas e sorrisos, choros e gargalhadas. Nada melhor do que tu para me mostrares que a profundidade daquele é bem mais aconchegante do que aparentava. Nada melhor do que tu para me ensinares a intensidade de cada alegria, a intensidade de cada tristeza. Sim, tristeza. Naquele poço de sentimentos, descobri que a tristeza pode ser o primeiro passo para a nossa alegria, que a tristeza nos fortalece para um evento futuro, deixando-nos uma força de prevenção para quando for necessária. Porque a tristeza serve-nos de consolo para os momentos em que a alegria some sem ninguém dar conta. Nesses momentos, por vezes a saudade apodera-se do nosso peito fazendo-nos desabar... Mas tudo isto são fases preparatórias para uma nova alegria, um voltar aos olhos brilhantes e aos sorrisos abertos.
Quando pensamos que estamos prestes a cair num precipício este fecha-se rapidamente para que voltemos a reviver o que nos faz bem. Porque a vida é mesmo assim, feita de altos e baixos, momentos em que subimos ao céu e momentos em que parece que estamos a cair de cabeça para acabar tragicamente. Mas não, isso é apenas um recomeço. Que estes sejam eternos, Crystal Hall."  

Pousei o papel que segurava na minha mão e acabava de ler perante uma grande quantidade de pessoas à minha frente, as gotas de água caiam sobre ele à medida que mais uma lembrança colidia por todo o meu corpo. Um dia em que a minha alma se vestia de negro... Onde anda o meu anjo?? Ohh, ele simplesmente foi levado para um lugar melhor... Os meus olhos caíram sobre o seu caixão que seria agora enterrado, aproximei-me, a minha mão tocou a sua gélida pele, tão calma ... vida ou morte? Qual eu queria mais neste momento? É tão evidente que estar ao teu lado seria a minha única escolha! O meu corpo inclina-se e beijo os seus lábios ... 

Niall: Lembra-te de que a eternidade ... é só uma parte ... do que qu-queremos viver amor. Descansa em paz, afinal a nossa lua será sempre a mesma, não é mesmo?! - sussurrei, sabia que não obteria uma resposta sua mas também sabia que ela me ouvia e que precisamente neste momento estava ao meu lado de pé segurando a minha mão na sua, eu sabia-o. Todas as cartas que escrevi ao longo dos cinco meses que estivemos longe um do outro deslizaram dos meus dedos caindo ao lado dela... Estava na hora de a deixar ir... Voltei-me e logo senti aquele abraço apertado. 

'Fechei os olhos. As lágrimas caíram. E apenas imaginei estar contigo no Paraíso ...'

 

Fim.

xxAndy

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