quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capítulo 11 - Only one


Mel P.O.V.  

Zayn: Como é que nunca ninguém te tocou antes?! - murmura ao meu ouvido...O que é que acabei de fazer? 

Senti as minhas cuecas serem arrastadas pelas minhas pernas juntamente com os calções cobrindo a minha pele novamente. Os seus lábios pousaram sobre os meus beijando-nos suavemente... 

Zayn: Olha para mim Mel! - subo o olhar vendo o seu rosto próximo do meu - Não precisas de sentir vergonha babe... eu só te toquei, imagino que nunca ninguém o tenha feito contigo pela maneira que reagiste! - sentia-me corar cada vez mais, ele não podia simplesmente não falar daquela forma tão naturalista do que acabava de acontecer. - Responde-me Mel... Alguma vez t... - a sua voz é calma.  

Eu: Não - um sorriso forma-se nos seus lábios e vejo os seus olhos brilharem, sinto o meu corpo formigar com as pequenas carícias que a ponta dos seus dedos vai fazendo nas minhas pernas. Consigo ouvir as batidas aceleradas do meu coração e também os batimentos de Zayn contra o meu peito, impressionantemente estes são rápidos também.  

Zayn: Não te quero perder Mel - um sussurro cai dos seus lábios e faz-me estremecer pela maneira fraca como o diz.  

Eu: Não vais. - e mais uma vez aquela sensação de medo voltava... parecia que ele gostava de ter sempre opções ali, como se tratassem de escapes. Porque é que ele acabava de me dizer aquilo agora?! Porque é que ele insistia em confundir-me! Eu queria tê-lo e foi por isso exatamente que acabava de confiar e entregar-me a ele como nunca o tinha feito a ninguém.  

Zayn: V-vou! - a sua voz parece desmoronar completamente à medida que os seus lábios se movem para dizer uma simples palavra, o seu olhar não larga o meu por um segundo... - Acho melhor tomares um banho - o tom da sua voz volta ao normal, ele dá espaço para que eu possa me levantar e dirigir para os chuveiros. Assim o faço. A água começa a correr molhando cada parte do meu corpo. Não sei o que sinto concretamente, não sei o que acabou de acontecer, não sei o porquê do que ele me disse... estava completamente perdida, inundada em perguntas sem respostas concretas, perdida em pensamentos, perdida nele! Na minha vida... as luzes apagaram-se, a escuridão chama por mim constantemente, ouço vozes a arrastarem-me para onde não devia, e em tão pouco tempo, eu entreguei-me a todos esses perigos, deixei de odiar essa sensação e agora eu amo-a... não posso lutar contra essa vontade, tê-lo perto, porque apesar do lugar onde ele me leva ser a escuridão eu quero viver assim! 'Um dia vou entrar no teu mundo e acertá-lo, vou dizer que estamos melhor juntos.' Deslizei a toalha à roda do meu corpo e saí, o Zayn ainda estava lá, sentado, os seus cotovelos eram apoiados nas pernas e ele segurava o rosto entre as mãos fechadas... acho que ele se apercebe da minha presença, os seus braços são empurrados para os lados apoiando-se no banco em que está sentando e ele inclina-se um pouco para trás enquanto um suspiro cai dos seus lábios. Mordo o lábio nervosa com os seus movimentos e apenas permaneço quieta à espera de uma palavra sua. - Mel - a forma como o diz é fria e ao mesmo tempo triste, um arrepio cai sobre o meu corpo - Sabes o que eu realmente sou? - a sua expressão muda e ele levanta-se rapidamente do banco seguindo na minha direção, a maneira intimidante como anda faz-me recuar à medida que sinto os seus passos mais perto de mim, - Egoísta. Queres perceber porque? Porque tomo decisões que magoam os outros, e sinceramente eu não quero saber, eu não me importo. Afinal quando mostramos bondade é isso que as pessoas vão esperar de ti e eu não estou disposto a viver debaixo das expectativas de alguém durante anos para chegar ao fim e nada restar, não estou... e isto é o que eu sou Mel! Alguém que prefere morrer agora, a ter de viver de amor, porque o amor simplesmente não faz as pessoas felizes, não passa de uma ilusão boa no início mas e no fim?... - ele pausa e desliza os seus dedos entre os meus cabelos húmidos, a palma da sua mão preenche a minha bochecha e o seu polegar movimenta-se ao longo do meu olho, limpando as imensas gotas de água presas nele - E não há razões no mundo que não me provem o quanto eu sou errado para ti. - as palavras dele magoavam cada mínima fragilidade em mim. É difícil aperceber-me de que se olhar para trás tudo o que ele nos fez viver acabava de ser destruído, nunca imaginei... que alguém poderia construir algo melhor em mim e em poucos segundos desmoronar completamente essa muralha que ambos conseguimos criar para me defender de todos os perigos... acabando por ser ele o maior de todos! - Ás vezes na vida somos obrigados a fazer sacrifícios - realmente aquela frase de que "as pessoas iludem" faz um completo sentido em mim neste momento e a minha mente só grita pela pessoa que eu conheci dias atrás, a pessoa que me fez apaixonar por si... ela sempre lá esteve eu só não quis perceber!  

Eu: Sacrifícios?? Como é que podes ser capaz de dizer-me que sou um sacrifício para ti?! - grito, a velocidade com que a minha voz dispara na minha garganta provoca nela uma ligeira ardência que torna a minha voz mais rouca.  

Zayn: Mel não... - não, eu não conseguia simplesmente ouvir mais algo vindo dele agora, porque magoava, magoava escutar o meu coração querer apostar tudo nele e a minha mente dizer que chegou ao fim e a dor me provava isso.  

Eu: Não deixa, mas realmente sabes - respiro fundo e deixo que o meu coração se expresse em palavras, porque era o único que eu tinha esperança que se soubesse expressar o suficiente para ele - Eu não me arrependo de te ter conhecido, não lamento que tenhas sido o único que me fez questionar tudo... E independentemente de todas as escolhas erradas a que te resumes eu não me arrependo de te amar Zayn... - ele não se pronuncia e nem consegue encarar-me, mantendo apenas a cabeça baixa. As minhas pernas tremem e não consigo arranjar mais palavras para expressar o que sinto, as lágrimas encarregam-se disso correndo desesperadamente cada feição do meu rosto. 

Zayn: Porque é que o disseste? - grita inesperadamente, unicamente sinto os seus braços um de cada lado encurralarem-me contra os cacifos novamente e o estrondo que os seus punhos provocam ao embater neles. O meu corpo encolhe-se com o seu ato de raiva. - Eu sou um hipócrita e tu dizes que me amas? - grita.  

Eu: Eu era praticamente uma pessoa morta, e na morte... foste o único que me fez sentir viva! Como é que eu posso não amar o motivo da minha existência, explica-me... se o consegues fazer! - os seus olhos brilham e posso jurar que está perto do choro... Zayn: Para - ele suplica encostando a sua testa quente na minha, fecho os olhos e o meu peito bate cada vez mais depressa tornando a minha pulsação um tanto instável. - Dá vontade lutar por nós... mas quando apenas um está disposto a fazê-lo é melhor desistir na verdade! E eu não estou Mel... - uma lágrima desliza pelo seu rosto e sinto-a cair no meu peito. - Encontramos algo tão verdadeiro que está fora de alcance, completamente!! - ele recua mais... e mais, olha-me por uma última vez e simplesmente sai. Um aperto no coração e dor. Tudo o que sinto. Lágrimas e mais lágrimas.

(...) 

Caminho para fora do campo, a noite já caiu sobre Bradford e o meu corpo encontra-se trémulo. A arrogância apoderou-se completamente dele, tanto que nem mesmo ele percebe o monstro em que se tornou com os outros, o quanto as palavras podem magoar, mais até do que atos. Ou por outro lado percebeu mas apenas sente prazer em ser assim! Tudo o que vejo são palavras à toa em relação a mim, palavras em que acreditei... nenhuma promessa foi cumprida, porque não passou tudo de uma farsa. Como é que eu pude achar que ele cuidaria de mim, estaria lá e não deixaria o lado escuro apoderar-se dele? Como? Ele não se preocupou sequer em apenas seguir a sua vida, preocupou-se em excluir-me totalmente dela!! Continuei a arrastar os pés ao longo do passeio, o céu já estava completamente escuro mas contrariamente bastante estrelado, ou seja provavelmente amanhã não irá chover intensamente aqui por Londres. Lágrimas inocentes preenchiam os meus olhos intimidantemente escuros nesta altura transparecendo a dor que sinto neles. Não sei onde estou. Apenas me consigo aperceber de que estou perto da praia pois o cheiro salgado a mar invade as minhas narinas e mistura-se simultaneamente com o salgado do meu choro. 

Kail: Precisas de ajuda babe? - reconheço de imediato a sua voz rouca e volto-me para encará-lo, ele está atrás de mim mas distante o bastante pra que não repare nitidamente no seu rosto. O seu corpo está encostado a uma das árvores que forma aquela avenida, ele apoia o peso do seu corpo numa das pernas enquanto a outra se encontra fletida para trás pousando o seu pé no tronco suficientemente espesso para que as suas costas encostem totalmente sobre ele. As minhas mãos deslizam para dentro dos bolsos do casaco que trago vestido, abano a cabeça negativamente e volto o rodar os meus pés avançando. Poucos minutos depois chego à praia, um suspiro cai dos meus lábios e inspiro o ar que ali se fazia sentir. Sinto as suas mãos pousarem uma de cada lado da minha cintura e rodarem-na virando-me para ele, logo sinto os seus lábios gélidos rasparem ligeiramente perto do meu ouvido arrepiando-me - Tens a certeza Mel?- ele franze uma das sobrancelhas - Quer dizer, és nova por aqui, não deves conhecer bem a zona!- os seus olhos tem uma cor realmente cativante durante a noite, era como se ao castanho se misturassem diversas tonalidades de verde, as suas sobrancelhas são bastante definidas e como de habitual utiliza roupas escuras... Ali era tudo muito mais calmo, a mágoa parece amenizar, a agitação do mar causa um barulho agradável e agarro as sapatilhas na mão caminhando pela areia. Deixo-me cair de joelhos e choro compulsivamente deixando que o meu diafragma seja abatido de uma dor insuportável. Sento-me contra o rochedo mesmo ao meu lado e puxo as minhas pernas para o meu peito, abraçando-as entre os meus braços - Ohh babe - ele suspira e abraça o meu corpo contra o seu envolvendo-me nos seus braços. Ele acaba por me soltar e observo os seus movimentos lentos pegando num isqueiro e uma caixa de cigarros do bolso de trás das suas calças bastante apertadas por sinal permitindo-me aperceber de como os músculos das suas pernas estão tonificados. Ele retira um cigarro e prende-o entre os dentes acendendo-o, o seu olhar parece-me fixo no mar.  

Eu: Posso... experimentar? - o seu olhar centra-se em mim novamente seriamente e de repente solta uma gargalhada. - O que tem? Só quero saber qual é a sensação!

Kail: A sério?! - ele parece surpreendido, apenas o encaro firmemente. Aquele cheiro era repugnante mas eu precisava de novas sensações! - Espero que saibas que a tua ação de rebeldia vai acabar por ter consequências nessa tua vidinha bebé! - ele retira o cigarro da sua boca e direciona-o até à minha boca, aproximando o seu rosto também do meu. O seu indicador já está colado no meu lábio superior, o espaço entre nós é quase inexistente, ele movimenta as suas pálpebras e os seus lábios realizam uma curvatura despercebida e as covinhas nas suas bochechas tornam-se nítidas, ele estava a sorrir. Os meus lábios abrem um pouco para que ele possa colocar o cigarro na minha boca, contudo ele era o que me mantinha fixada neste momento!! A minha atenção estava apenas concentrada nos seus olhos... - Queres provar o cigarro ou os meus lábios Melanie?...

 

Continua...

xxAndy


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