quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 39 - A lie.



Eu: A que horas começa? - pergunto assim que entramos em casa, pousando os vários sacos no chão. Em uma breve respiração ele logo responde.

Liam: Começa às 22h, mas não temos de lá estar a essas horas. - ele murmura a última parte, sentando-se no sofá. Respiro profundamente, lutando contra a vontade de literalmente me atirar para cima do sofá. Realmente não estou habituada a sair de casa. A minha mais recente casa. Já me sinto como se pertencesse aqui. Embora não devesse, porque por mais que o meu coração me diga para ficar, a minha mente grita de pulmões bem abertos que não pertenço cá e nunca irei, porque esta não é a vida que costumo levar... não uma vida descontraída ou sequer calma. Nada disso, mas algo me faz pensar o contrário, e é nisso que quero acreditar agora.

Eu: Liammm. - gemo contra o seu peito quando ele me aperta num abraço e me roda no sofá, até o seu peso me prender contra ele. O ar parece até escasso, ele realmente é pesado.

Liam: Disseste alguma coisa? Pareceu-me ouvir que querias, hum, um beijo? - ele ri - Bem, isso pode acontecer, mas tens de parar quieta, sim babe?

Eu: Não. Não, foda-se não. - o seu riso rapidamente desaparece e ele faz beicinho, a força nos seus braços a diminuir. Em um movimento empurro-o e ele cai de costas no chão, grunhindo levemente de dor. O ar nos meus pulmões diminui à medida que riu cada vez mais, trincando o lábio ao ver a cena.

 

***

 

O local está completamente lotado e as minhas pernas fazem o seu caminho para dentro, assim como dezenas de pessoas que nos seguem. O barulho da música é alto, batendo diretamente contra o meu coração e fazendo-o acelerar a cada batida, as luzes são fortes contra os meus olhos e sinto-os arder levemente, enquanto me tento acostumar com a sensação. Alguns olhares são voltados para mim, provavelmente pensando na razão pela qual estou aqui quando não conheço ninguém, de todo. O braço do Liam está em volta das minhas costas, ele logo reconhecendo alguém, acenando alegremente. Continuamos a caminhar pelo que se parecem minutos e o seu braço lentamente parece afastar-se de mim, ele caminhando com as mãos nos bolsos e dizendo algo por entre as batidas, chegando os seus lábios até o o meu ouvido.

Liam: Vou buscar uma bebida, queres beber alguma coisa? - ele fala alto, mas no entanto ele está a gritar para que a sua voz possa ser ouvida. O seu olhar é interrogador e então assinto negativamente com a cabeça, sorrindo por fim. São apenas 23h e se começar já a beber não vou chegar a casa pelos meus próprios pés. Ele afasta-se e empurra-se pelo mar de gente que o apertava pelos corredores, na tentativa de chegar ao bar.

Realmente espero que isto tenha sido uma boa ideia. Espero que sim.

E é então que, perdida em pensamentos e contornando uma esquina que, por entre a música alta, ouço uma voz chamar por mim e um sorriso quente na minha direção. Então o meu coração para, desejando que o Liam não apareça. Desejando que, se fechar os olhos, a visão vá embora.

Dan: Por aqui babe? - o seu sorriso é grande e a sua língua percorre o seu lábio, à medida que o seu olhar percorre todo o meu corpo. O meu peito começa vagamente batendo mais depressa. A sua mão segura um copo, despejando o líquido pela garganta abaixo. E então, em menos de segundos, o meu olhar dirige-se ao seu, olhos vermelhos e brilhantes. Ele está bêbado. - Tive saudades tuas Bell. Não apareceste duranto muito tempo. - ele ri, mãos subindo dos seus bolsos para os meus braços, tentando puxar-me para um abraço claramente não correspondido. As minhas mãos suam e mexem-se irrequietas, cabeça virando de um lado para o outro, no caso de fuga.

Eu: Estive com alguns problemas. - sorri vagamente, arrepios percorrendo desde os meus braços até as minhas pernas. O seu olhar desce até o seu copo, perguntando-se o porquê de estar vazio. Ele literalmente não sabe o que está a fazer. O seu cabelo está todo despenteado e a tendência a despenteá-lo é maior, uma vez que passa as suas mãos por ele freneticamente.

Dan: Estás, hm... pareces-me bem Bell. - uma curva forma- seno rosto, sorrindo depois de lamber os seus lábios. A minha cabeça roda e a minha alma está no chão, lembrando-me de memórias de festas anteriores. - Gosto do vestido. - os seus passos estão perto, cada vez mais à medida que se encaminha até mim. Os meus pés a tropeçar para trás, numa tentativa de manter distância. O meu corpo pede por ar quando esbarro dolorosamente contra uma parede perto da cozinha suponho. Fecho os olhos, a dor instala-se pelos minhas costas e tento mover-me, mas não posso. O meu coração bate depressa no meu peito,o sangue percorre as minhas veias violentamente e começa a sentir-me gelar por dentro, o meu coração a doer das batidas fortes misturadas com a música alta.

Eu: O-obrigada Dan. - tento agradecer, por mais que não quisesse. Os meus olhos ardem e a minha garganta dói, claramente preparando-me para o que vem a seguir. As suas mãos empurram-me contra a parede, mantendo-me presa lá, lágrimas escorrendo lentamente pelo meu rosto quando sinto o seu hálito a álcool próximo da minha boca. - Deixa-me sair, por favor... - os meus lábios movem-se para falar e sussurro em suplica, desejando poder sair daqui o mais depressa possível.

Dan: Mas eu quero-te beijar boneca. - os seus olhos prendem-se nos meus, assim como as suas mãos que apertam a minha cintura e a empurram contra a parede, mantendo-me no lugar. As pessoas passam e ignoram, não vendo o meu choro muito menos a forma como ele me posiciona, aumentando a velocidade com que me movo, por mais que seja inútil. Mas eu não vou ficar aqui e deixá-lo tocar-me, não quando tudo tem acontecido ao mesmo tempo, não como da última vez. Não vou deixar acontecer de novo, não posso. O meu peito bate cada vez mais depressa e os batimentos são altos, quase empurrando o barulho da música para fora da minha mente. E então, em questão de segundos, os seus lábios espremem-se contra os meus, causando-me a entrar em pânico total, o meu corpo a mover-se rapidamente tentando livrar-se do aperto. A sua boca move-se contra a minha e os meus punhos estão presos contra a parede, e por mais que tente empurrá-lo não consigo, os meus olhos rebentando em lágrimas inacabáveis.

Eu: Dan, solta-me. Solta-me, por favor. Para! - grito e as lágrimas que escorrem pelo meu rosto terminam o seu caminho no meu peito, molhando-o por completo. A minha garganta rompe em soluços à medida que ele me força a beijá-lo. Os meus lábios não se movem, por mais que ele tente, levando-o a aplicar mais força e rapidez nos mesmos. O meu rosto está escondido pelas suas costas pois ele é alto e quem quer que passasse pelo corredor diria que estou a fazê-lo por vontade própria, no fundo, a trair o Liam. Mas eu não estou, não estou, e a minha mene apenas voa para o dia em que ele me ajudou com o idiota que me perseguia e tudo o que quero é que ele apareça, rápido.

Dan: Beija-me porra! - ele grita e volta os seus lábios aos meus rispidamente.

Xxx: Bell? - o meu peito bate depressa ao som da sua voz, os meus braços a trabalharem juntos para me afastar rapidamente, mas eles são soltos em questão de segundos. Dan apenas a olhar para o Liam com um sorriso no rosto, fazendo o meu coração partir-se em mil pedaços. Ele sorri cada vez mais e olha para mim, a minha mente explode e só quero partir cada osso seu. As minhas pernas tremem assim como a minha vozz, as palavras não são suficientes para explicar-me no momento, ele pensa que viu tudo... mas ele não viu nada, e o meu corpo treme com isso.

Eu: Liam, liam por favor... - chamo em súplica, lágrimas a escorrerem desesperadamente pelos meus olhos. - Eu não estav...

Liam: Não. Não me mintas! - ele berra, raiva flutuando pelo seu rosto, maxilar apertado e punhos fechados. O meu corpo encolhe-se automaticamente, não suportando a forma como está a olhar-me ou sequer a falar-me. - Tudo o que eu fiz foi buscar uma bebida e encontro-te com ele? Depois de tudo, depois do que passamos até aqui porra, e é isto que me fazes? - os seus olhos fecham-se em descrença, a sua mão fazendo o seu caminho até a sua cabeça, puxando o cabelo rapidamente à medida que a minha respiração se descontrola cada vez mais. - Não podias ser mais original? - ele grita e todas as atenções estão em nós. Ele não podia pensar assim, não de mim.

Eu: Não Liam! Não! Porque é que eu perderia o meu tempo contigo se não te amasse? Porra, porque é que eu iria beijar alguém sequer depois do que se passou? - berro à medida que ele me ouve mas anda pelo corredor até o exterior. O vento está gelado e faz as emoções levarem a melhor de mim. - Eu juro-te, porra Liam, eu juro que eu não queria... ele estava a agarrar-me, ele estava... - soluços rompem da minha garganta a todo o momento e começa a irritar-me quando não consigo formar uma frase inteira.

Liam: Não Bell! Para! - grita. - Apenas... não uses isso para te proteger, eu realmente pensei que te importasses comigo. Que idiota. Claro que não, tu não queres saber de mais ninguém a não ser de ti mesma. Estava enganado. Mas vamos fingir que está tudo bem, não é como se fosse a primeira vez que isto me acontece... - os seus olhos brilham e uma pequena lágrima escorre por eles. O meu peito bate depressa ao som das suas palavras e não consigo fazer nada a não ser pensar que ele mantive aquilo sempre dentro dele. Eu realmente pensei estar a dar o meu melhor nesta relação, se isto ainda é uma relação?

Eu: Por favor Liam... - choro, choro porque não há nada mais que possa fazer no momento. E as pessoas em redor só fazem tudo pior, fazem-me sentir vigiada e eu odeio, fazem-me sentir sufocada e eu sinto como se fosse cair a qualquer momento. - Ouve-me... - caminho para mais próximo e tento segurar na sua mão, mas os seus dedos escorregam pelos meus, fazendo o meu coração para de bater no meu peito. Ele recua cada vez mais... para mais longe... ele está a escapar-me... e os meus olhos estão a atraiçoar-me, não conseguindo ver nada focado.

Liam: Esquece. Eu já percebi. Foi bom para mim, eu acho. Só tenho pena que tenha sido uma mentira.

E com isso ele parte, despedaçando cada parte de mim, até mesmo as que não sabia ter. O meu peito dói e a minha cabeça roda, do choro provavelmente, mas porque já devia estar preparada para isto. 

E eu nunca estive, nem nunca estarei.

Porque eu tinha para mim.

Porque ele foi-se.

Porque ele não acreditou em mim depois de tudo.

Dos meus olhos sai tudo o que pareço ter guardado todo este tempo, rebentando em soluços e choro pesado, sendo deixada para trás, novamente. E as pessoas estão todos em redor, a olhar para mim, com olhares estranhos e por mais incrível que pareça, não era pena que tinham de mim. Mas sim nojo. Porque eles que eu fiz aquilo, mas eu realmente não fiz. As minhas pernas fazem o seu caminho pela rua o mais rápido que podem para longe daquele sítio. Novamente, estou perdida e não faço ideia por qual caminho é a minha casa e a minha visão é fusca, as minhas pernas tremem e o meu corpo não aguenta o seu próprio peso.

Tinha de ser tudo tão difícil? E porra, foi tudo tão rápido. Em menos de 10 minutos entrei e em menos de 10 minutos saí, trazendo nada mais comigo do que raiva e mágoa. Como sempre, eu já devia estar habituada a isto.

Sempre estive, certo?

 

Continua...

xxPatrícia

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