sexta-feira, 25 de julho de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 37 - Waste of time.

 

A semana passa a voar e a minha relação com o Liam evoluiu bastante. Basicamente ele dormiu em minha casa todos os dias e não posso dizer que não gostei. Quarta feira tive de ir ao hospital, basicamente obrigada pela mão do Liam, e agora já nem sinto nada. Não pude contar-lhe a verdadeira razão por tudo ter acontecido, nem a ela nem ao médico, mas a versão resumida basta: bati com a cabeça na cama, e é tudo. É novamente segunda feira e o despertador toca ao lado da minha cabeça... forço-me a abrir os olhos e desligar antes de atirar com o telemóvel contra o armário.

Liam: Bell... - ele geme e vira-se para tapar a cabeça com a travesseira. - Desliga isso...

Desligo e volto a fechar os olhos. Habituei-me demasiado a dormir até mais tarde e ficar em casa um outro dia é até ironicamente apelativo. Não consigo decidir entre acordar e levantar-me, ou acordá-lo a ele... o seu corpo está quase imóvel e não posso ver o seu rosto uma vez que o esconder debaixo da almofada.

Eu: Liam... - chamo, mentalmente decido que se não acordar agora vou acordá-lo de outra forma... um grande balde de água acordava-o certo? Ele apenas murmura e sinto-me encorajada a fazê-lo. - Liam caralho levanta-te.

Ele não responde. Levanto-me e vou até a cozinha, em um dos armários procuro por um corpo grande e encho-o com água. Faço cuidado para não verter ao subir as escadas e a adrenalina preenche-me quando ele ainda continua deitado. Ele já não tem a cabeça coberta, o que facilita a minha tarefa. Caminho até o seu lado da cama, ele continua de olhos fechados. Chamo uma outra vez e vejo que está a dormir profundamente. Conto até três mentalmente e quando repito três para mim mesma verto o líquido no corpo para a sua cara.

Liam: Foda-se Bell! - ele grita e levanta-se rapidamente, a sua respiração é ofegante e os seus cabelos estão completamente molhados. Ele leva as mãos até a sua cara para limpar e controlo-me para não rir. Bem, definitivamente isto resultou. Mas a cama ficou molhada... ele vai limpar aquilo. Levo a mão até a boca e tento abafar o riso, contorcia-me no chão para não gargalhar mas o ar é escasso, tornando-se difícil respirar.

 

***

 

Ele está na casa de banho e ouço-o gritar algo de lá. A sua voz é enrolada e não percebo o que diz. A pressão no fundo da minha barriga diminuiu mas ainda consigo lembrar-me da sua cara horrorizada quando acordou e porra, porque não fiz isto mais cedo?

Liam: Vais pagar por essa. Espero que te tenhas divertido porque não vai voltar a acontecer. - ele ameaça enquanto ri ligeiramente, ele seca o cabelo com uma toalha enquanto caminha em boxers pelo quarto. Que caralho de mania é essa?

Eu: Liam, foda-se, se voltas a caminhar em boxers em minha casa garanto-te que não voltas a entrar nela! - a minha voz soa mais alto do que pretendia, mas não me arrependo. Admito que não é mau vê-lo assim, mas isso torna a minha ansiedade maior e é como se um íman forçasse o meu corpo de encontro ao dele e eu não quero isso. Não. Não depois do que aconteceu, as coisas vão manter-se calmas como estão, é assim que quero que seja.

Liam. Preferes que ande sem eles? É que eu durmo assim sabes Bell?

Eu: Podes sempre dormir com um pijama.

Liam: Sim, porque tu dormes... - ele diz e solta um sorriso, um sorriso que quero arrancar-lhe quando me atira com a toalha para a cara.

Eu: Eu estou, como já disse antes, na minha casa. Tenho esse direito. - cruzo os braços debaixo do meu peito e ele percorre os meus movimentos com o olhar. Ele sorri por fim e confunde-me, sigo o seu olhar e encontro-o a olhar para o volume que se formava acima dos meus braços. Despacho-me para me cobrir com o lençol e solto um grunhido de nojo quando fecho os olhos. Ouço-o gargalhar e a cama parece abanar quando ele pula para ele, arrastando-se até o pé de mim.

Liam: Bell... - ele murmura ao meu ouvido, a sua voz é grossa porque acabou de acordar e envia arrepios por todo o meu corpo. - Explica-me...

Eu: O quê? Que tu és um grande tarado? - riu por debaixo dos cobertores e sinto os seus lábios vibrarem contra a minha cabeça.

Liam: Não. Porque é que ficas sempre assim quando estou de boxers em tua casa... - subo a cabeça para encontrá-lo à espera de me olhar. - Só preciso que me digas, a sério. Não vai haver problema, mas se não explicares não vou parar de fazê-lo. - ele sorri por fim mas isso não acalma a velocidade dos batimentos do meu coração, bem como as memórias indesejadas. Ele sorri novamente e tenta encorajar-me a falar.

Eu: Nada... Não é por nada Liam. - sorriu, o meu peito bate mais depressa. Ele sorri um pouco, talvez contente por não haver problema de todo, quando na realidade há. Mas não posso apenas impedi-lo, a culpa não foi dele, aliás... se não fosse ele, aquela não teria sido a única vez. Ele levanta-se.

Não gosto de mentir, mas de facto falar só vai fazer-me sentir pior e principalmente, fazê-lo sentir-se mal com isso. Não é agora que vou preocupar os outros com os meus problemas quando nunca se preocupam, e, embora ele realmente pareça preocupar-se, estou a fazer o máximo para esquecer aquele dia. Apagá-lo da minha cabeça. Tenho conseguido, a maioria das vezes não me lembro, mas algumas palavras fazem-me quase voltar lá. E é quase tão horrível como aquilo... horrível. Quando reparo todo o meu corpo está em pele de galinha e a minha pele está fria, gelada.

Levanto-me, já é tarde. Preparo-me para ir tomar banho e a água parece escaldar no meu corpo. A ideia de encontrar o Dan começa a arrepiar-me...

Não quero problemas, não com o Liam... não posso estragar o que temos contruído durante todo este tempo. Ia ser apenas um filho da puta de desperdício de tempo.

 

***

 

As aulas dele começavam um pouco mais tarde, acabei por conseguir convencê-lo a ir para casa e não a levar-me até a escola.

Os corredores estão vazios e rapidamente me apercebo que volto a estar atrasada. A aula já começou à sensivelmente 30 minutos... foda-se. Procuro por um lugar para me sentar sem ser incomodada e lembro-me de não escolher o parque de estacionamento. Sento-me ao pé de uma árvore, o dia está demasiado quente hoje e as folhas impedem que o sol me atinja... o que é bom, já que detesto calor e se alguma vez disser o contrário é porque realmente estou fora de juízo. Porque caralho, calor nem sequer é bom para a sociedade... é nessas alturas em que metade da população feminina com idades entre os 15 e 19 anos decide trazer um filho da puta de mini tecido no corpo, quer dizer... nem sequer lhes incomoda? Ter basicamente 3/4 do corpo à mostra? O pior mesmo é a atenção que recebem por isso... não quero que sejam violadas ou assim por causa disso, sei o quão horrível é e dizê-lo faz parecer ainda mais nojento, mas é a verdade. Mas deviam levar um grande soco dos pais. Merecem isso, se estão com tanto calor aconselho mesmo a comprar uma daquelas mini ventoinhas e que a levem para todo o lado. Estão a fazer-me um favor a mim e à sociedade.

O tempo passa devagar e a música soa nos meus ouvidos enquanto penso em mil e uma coisas... são 9h30min. quando olho para o relógio. Brincava com as minhas pulseiras, as inúmeras que tinha no braço e o meu peito bate depressa quando as retiro todas e olho para os meus pulsos cheios de marcas e cicatrizes. Uma em especial mais evidente do que as outras... era grande, bem maior do que as outras, não podia ser causada propositalmente, não por mim... já não olhava para ele à bastante tempo, o suficiente para me esquecer porque é que foi formada. Há algum tempo atrás pensava que o que fiz foi o melhor, mas realmente não foi... nunca foi. Já devia ter-me habituado a isso. Eu estava tão cega, tão cega foda-se, pensar nisso dá-me raiva de mim própria. Jonas, foda-se, o caralho do Jonas. Eu salvei-o, porra eu salvei-o de uma das inúmeras merdas em que se metia, ele estava quase a morrer, pelo menos era o que me parecia... ele ia morrer se eu não fizesse nada, ele ia morrer se eu não os parasse, mas eu não tinha como, eles eram mais... e mais fortes. Fui tão estúpida em pensar que podia impedir isso, o corte da garrafa partida no meu pulsos foi profundo, demasiado profundo, não parava, o sangue não parava... ele nem merecia isso, eles foram embora depois disso, dando-se como satisfeitos. Ele era um idiota, ele foi o caralho de um idiota que alguma vez eu pensei amar, que eu pensei que me amava... mas não, ele só queria o que todos querem, sexo. E largou-me, depois disso largou-me. Devia tê-lo deixado morrer, morrer como a minha alma, cada vez mais fraca, com tudo o que já tinha acontecido e veio a acontecer... e eu odeio-o, com todas as minhas forças.

Um toque desperta-me e faz o meu coração saltitar depressa no meu peito. O meu olhar sobe rapidamente para encontrar um sorriso enorme...

 

Continua...

xxPatrícia

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