quinta-feira, 17 de julho de 2014

Imagine Harry - Amnesia

 

20|03|2013

 

A música calma soa no meu quarto, as lágrimas formam-se em pouca quantidade à medida que prestava atenção na letra... 

Parecia ser tão fácil ignorar, fingir que por um momento nunca nada aconteceu, mas torna-se impossível no momento em que tudo o que sempre sonhamos, tudo o que queríamos ver tornar-se realidade, acaba. E eu sonhava com ele. Mas agora, agora que qualquer hipótese desapareceu, é como se também a minha alma desaparecesse, fosse levada pelo vento e nunca mais voltasse. Os meus olhos fecham-se, as gotas de água escorrem por eles e a visão ofusca com a melodia de fundo.

A pouco e pouco as fotos rolavam no ecrã do computador, as lágrimas crescem em grandes quantidades e torna-se um choro pesado. O meu coração bate depressa no meu peito enquanto olhava para a foto. Ele sorria... o mesmo sorriso de sempre, talvez ainda mais contente do que antes, bem como a rapariga que o abraçava. É horrível, simplesmente horrível ver a pessoa por quem tanto sofremos não conseguir conter a felicidade quando não conseguimos conter as lágrimas... saber que ela está tão bem, e nós estamos tão mal. Torna-me fraca. Fraca e sem esperança. No meu peito, no lugar do coração, é como se estivesse um buraco preto e frio. Realmente é assim que me sinto e por mais que quisesse o contrário, nunca mais irá acontecer. Porque eu sou um caralho sem futuro, sem vida, sem nada. O único sentimento depois de tudo, é medo. Medo de passar assim o resto de vida que me resta, a chorar e lamentar por nunca poder abraçá-lo como desejava. Dizer-lhe o quanto o amava. Mesmo que ele não soubesse, mas eu amava.

Gostava de esquecer tudo, não apenas esquecê-lo, mas sim tudo. Acordar... amnésica. E cada dia, esquecer de novo. Cada dia, uma vida nova, sensações diferentes, pessoas diferentes. Devia ter prestado atenção quando diziam que nunca o iria ver, que ele nunca iria saber da minha existência, das lágrimas que derramava todos os dias, dos sorrisos que me provocava, ele nunca iria saber o quando o protegia quando todos o tratavam mal... Nunca percebi porquê, ele era bom de mais... tratá-lo assim era apenas uma estupidez. Talvez eu devesse odiá-lo, como todos os outros. Mas por mais que tentasse, nem isso conseguia, por mais que o quisesse odiar, o sentimento apenas aumentava no meu peito, fazendo-me perceber o porquê de o apoiar ao longo deste tempo. Há quem diga que é tempo esgotado. Talvez realmente seja... mas não consigo fazer o contrário, como se toda a minha vida estivesse ligada a ele, a isto... ao quer que isto seja.

À medida que as fotos rolam pelo ecrã uma sensação mais profunda forma-se em um aperto no meu peito. Ele está longe. Nunca, mas nunca, devia ter ganho esperanças quando elas nunca se deviam ter formado. É como querer percorrer o oceano em uma canoa... só vamos afundar, e por maior o esforço que façamos, nunca conseguiremos chegar ao destino. É como caminhar para um precipício, porque mesmo que sintamos a brisa do vento bater na cara que nos faz sentir bem, sabemos que vamos cair. É apenas um caminho diferente para o nosso fim. É assim que posso descrever a minha vida.

Lá fora está escuro. Posso vê-lo quando abro as cortinas do quarto, a brisa do vento parece incrível no meu rosto, mas as lágrimas parecem aumentar, como se olhar para as estrelas fosse ainda pior, me lembrasse o quão longe estou. E eu não estou bem de todo, talvez nunca estivesse. Todas as noites são assim, alguma coisa me faz lembrar dele e por motivo nenhum começa o choro que só acaba quando adormeço, quando realmente adormeço. Mas de manhã lembro-me de tudo. Sempre me lembro de tudo.

 

28|09|13

 

Posso ouvir os gritos vindos do exterior. Gritos principalmente femininos e contentes. Era hoje. Finalmente, para milhares de raparigas, hoje era o dia em que elas iam pegar naquele pequeno papel, naquele bilhete. Um papel, que traz euforia, e com ele o melhor dia da vida de muita gente... muitas fãs. Eu tentei, juro que tentei. Mas não fui a tempo, nunca fui. Já tinham esgotado quando lá cheguei. Várias raparigas pulavam de alegria e abraçavam-se, sabiam que estavam garantidas, que tinham o seu lugar. Não tinham noção o quão mal estavam a fazer sentir a muitas centenas que não conseguiram... podia dizer que as lágrimas que escorreram pela minha cara foram muitas, mas é apenas um eufemismo. O meu coração parou, o choro foi tão pesado que me sentia desmaiar, o meu mundo rodava rapidamente à minha volta, não podia estar a acontecer, não outra vez.

O que realmente me irrita é saber que existem centenas que só lá vão porque estão financeiramente super estáveis, os pais fazem-lhes todas as vontades, nem na puta da fila tinham de estar porque eles encarregavam-se disso. Conseguiam qualquer coisa, sem sequer ter de pestanejar. Quando depois, pessoas como eu, tentaram todos estes anos uma oportunidade para sequer estar no mesmo recinto que eles, e não conseguiram... simplesmente não conseguiram.

O meu quarto tornou-se tão escuro que a luz do exterior nunca poderá substituir o aperto dentro de mim. Por mais calor que esteja vou sempre sentir-me fria. Por mais felicidade que esteja em redor, vou sempre sentir-me infeliz, porque falta algo. Porque sei, foda-se eu sei que nunca vou poder abraçá-los, a todos eles, mas principalmente a ele. É um pedaço que falta no meu coração e nunca vai ser reposto.

Amanhã tenho teste de Filosofia. Que bom não é? O caderno aberto em minha frente é apenas um caderno cheio de conteúdos que nunca precisarei de saber na minha vida. Aliás, nada do que estudámos em Matemática, Português, Psicologia, Ciências, foda-se... nada é necessário. A menos que realmente queiramos ser alguém. O que na verdade eu preciso. Para ganhar dinheiro é claro. Quando dizem que para ser feliz não é preciso dinheiro, bem, foda-se, estão mais do que errados. Dinheiro não traz felicidade? Claro que trás. Dizer o contrário é apenas estúpido.

 

***

 

Os dias passam e cada vez mais se aproxima o meu pesadelo.

Todos os teste têm corrido mal, os exames foram um desastre e por este andar nunca entrarei numa universidade. Nada me acalma, os médicos dizem-me que estou numa profunda depressão... não digo o contrário, porque talvez seja verdade. Ou talvez não. Talvez eu esteja apenas triste porque tudo com o que tenho sonhado estes três anos têm sido uma perca de tempo. Todos os dias guardo novas fotos deles, dele... os sorrisos enchem a tela e trazem-me pequenos sorrisos às vezes... quando não sorriu com as fotos, choro. É nisto que posso descrever as minhas sensações e sentimentos, os poucos que ainda sinto.

Música. Tem sido a única coisa que me acalma verdadeiramente... a única coisa que anda ouço. A única coisa que consigo perceber e que me percebe... como se a cantar, ou a ouvir, parte do sentimento fosse embora. Eu amava, simplesmente amava o facto de eles serem tão bons nisso, eles nasceram para isso. Para cantar, para a fama, para sorrir e fazer sorrir... ninguém alguma vez poderá dizer que eles são rudes, ninguém alguma vez poderá dizer que eles não querem saber, ninguém poderá sequer dizer que eles não prestam. A essas pessoas, tudo o que posso dizer é que tem inveja... de tudo o que eles conseguiram.

Estar em qualquer rede social é apenas horrível para mim agora. Tudo o que vou ver são milhares de raparigas a falar o quão ansiosas estão por vê-los, o quanto esperaram e lutaram por isso... não sabem o que é lutar por algo. Não como eu. É irritante eu me cansar tanto e lutar tanto por vê-los e saber que no fundo nunca conseguirei. Ainda não consegui. Talvez não esteja destinada para isso...

O pior, é que mesmo depois de tanto tempo, tanto tempo para esquecer e seguir em frente, eu continuo envidraçada nele. No seu sorriso, no seu corpo, no seu cabelo, nos seus olhos, nas suas atitudes, a forma como os seus lábios se movem a cada palavra... aqueles lábios rosados. Sonhei tanto com eles... Pensar nisso traz-me memórias à cabeça e as lágrimas formam-se nas minhas pupilas. Por mais que tentasse fazê-las parar, era apenas estúpido, elas nunca pararam, os meus olhos não me obedeciam, nem tanto o meu corpo que vibra a cada pensamento nele.

Ouço os meus pais chamarem lá em baixo... as batidas na porta tornam-se fortes e os gritos também. O choro só aumentou... não bastava estar mal com tudo isto, ainda sou bombardeada com discussões em casa. Causa? Eu. Como sempre... Basta um erro... um único erro e forma-se uma tempestade. Se ao menos soubessem o quanto eu guardo para mim, o quanto tento esconder, talvez percebessem... mas eles não vêm as coisas assim. Na verdade, o que eles dizem é que sou uma adolescente estúpida que está a perder o seu tempo a amar alguém que nunca irá ver na vida. Verdade? Talvez. Mas não preciso que mo digam, não para me sentir pior, não para me enterrar cada vez mais no buraco que criei... estou trancada, todo este tempo estive trancada. Dentro de mim mesma.

 

10|06|14

 

O meu corpo enfraquece a cada dia, cada vez como menos, cada vez durmo menos... nada permanece igual. Estou numa constante montanha-russa. A única coisa que permanece é aquele sentimento, que não vai embora. Não posso dizer se é bom ou mau... mas cada vez está pior, faz-me sentir pior. E ele está cada vez melhor, o sorriso mais brilhante de sempre... o Harry. Era simplesmente maravilhoso. Não consigo adormecer sem pensar nele, sem imaginar tê-lo comigo... Que estúpida ilusão.

Um mês. Mais precisamente um mês e três dias para o concerto. Um mês e três dias para eles estarem tão perto, mas tão longe de mim...

Não sei o quão estúpida posso ser, para amar alguém, alguém que pode ter uma pessoa muito melhor do que eu... Se ao menos ele soubesse, talvez eu me sentisse melhor. Talvez um sorriso mudasse tudo. Mas nunca vou saber isso, não enquanto não o vir...

As aulas acabaram finalmente e posso dizer que foi o pior ano de todos eles. A sensação de protegê-los tornou-se tão grande que comecei a fazer inimigos... as pessoas são tão estúpidas. Eles fizeram algum mal? Talvez seja porque eles realmente são melhores do que toda a gente em redor? Pelo menos para mim são, e ninguém pode mudar isso...

Os papos formam-se debaixo dos meus olhos e estão cada vez mais evidentes. Não durmo bem. Talvez esteja mesmo doente... talvez esteja a precisa de ajuda. Porque não estou bem, não de todo...

 

13|07|14

 

Acordo e o meu peito já bate depressa. Hoje. Hoje é o melhor, ou o pior dia da minha vida.

Gostava de poder acordar com amnésia... gostava de poder acordar e não me lembrar de nada...

Rapidamente corro para ligar o meu computador... sou bombardeada com inúmeras fotos deles e fãs... eles já chegaram. Eles já estão cá, onde nasci e vivi tudo isto. As fotos eram inúmeras, como sempre, mas uma em especial chamou a minha atenção... era o Harry e uma rapariga... eles estavam à porta do hotel, e ele sorria, não tanto como ele, mas ele sorria muito... A roupa prática assentava maravilhosamente no seu corpo, assim como a forma que o seu cabelo estava despenteado na sua cabeça. Os meus olhos fecham-se, e só quando os abro é que percebo que algumas gotas de água escorriam por eles. Estou farta, demasiado farta de chorar...

 

***

 

Corro para o metro mais próximo, são 16h e o concerto está a poucas horas de começar. O tempo está demasiado quente e torna-se difícil respirar quando o ar é tão pesado. A roupa que estou a usar de algum modo faz-me sentir bem, mas não gosto de maquilhar-me por isso não o fiz. Os meus olhos de certo modo sobressaem-se bastante porque a cor é brilhante, talvez do choro, eles tornam-se brilhantes... gosto de ver os meus olhos enquanto choro... ficam lindos. A minha pele é quase impecável, mas não perfeita, por isso suponho que não preciso de por nada nela... só suponho, mas os meus instintos têm me traído todos os dias...

 

*** 


É quase 1h da manhã... os meus olhos pesam e as minhas mãos tremem no meu colo. Não fui ao concerto, mas pude ouvi-los, ver os foguetes, ouvir a voz deles, a voz deles é perfeita... pensa que estive tão perto deixa-me trémula, as lágrimas são incessantes e as ruas começam a esvaziar completamente. Não consegui, outra vez...

As minhas pernas estão dobradas contra o meu peito enquanto estou sentada no chão, perto de uma porta do estádio... o tempo arrefece, mas não me sinto mal com isso. O meu rosto está gelado assim como o resto do meu corpo. Sinto-me amolecer com o passar do tempo, o meu coração parece-se com uma pedra que bate fortemente no meu peito. Não consigo explicar o que sinto, mas ouvi-los cantar foi maravilhoso para os meus ouvidos... mas também horrível, porque no fundo, eu não podia vê-los, é como apenas uma barreira pudesse separar-me do meu mundo... Não consigo parar de imaginar o que teria acontecido se eu lá estivesse... o que é que eu estaria a fazer no lugar delas, se chorava, se pulava, se cantava ou gritava... mas não posso dizer isso, porque não estive. Se alguma vez neste dia tive esperança de os ver, ela morreu à medida que as pessoas desapareciam da estrada que antes estava cheia. Estou cansada e com frio, mas as lágrimas não querem parar de cair dos meus olhos, molhando o meu peito por fim. Não podia limpá-las sequer, várias vinham atrás... Sinto-me quase estúpida. Estúpida por pensar que eles iriam aparecer, que podia ter um minuto de felicidade, que podia abraçar a minha fonte de felicidade...

Ouço passos, não me volto para ver quem era. Podia até ser um assaltante, alguém que me quisesse fazer mal... nada importava. Baixo a cabeça e sinto o choro aumentar quando sinto alguém dobrar-se e inclinar-se para o meu corpo. Não podia olhar, não para sentirem pena de mim. Já basta sentir-me como me sinto... sinto um perfume agradável e os meus pensamentos baralham-se com isso, mas não consigo encarar a pessoa que está ao pé de mim. Sei que iria ser pior. A respiração é suave e a sua mão pousa no meu joelho passado algum tempo... o meu peito bate muito depressa, o toque é calmo. Ouço uma voz, não em português...

"Está tudo bem linda?" aquela voz, faz o meu coração acelerar em um disparo e as minhas mãos tremer mais do que nunca... Os meus olhos fazem o seu caminho até o seu rosto... a respiração falha e sinto-me como se estivesse a desmaiar. Estava a acontecer.

"H-ha... Harry?" a minha voz é baixa e rouca, as lágrimas não param. Já não são de tristeza, não como todo este tempo. É uma mistura: tristeza, por ter sido tão tarde, mas alegria, euforia e tudo mais que não consigo explicar, porque ele está aqui. É ele... Ele está aqui, ao meu lado. Como eu sempre sonhei. Ele sorri e covinhas explodem nas suas bochechas, o meu peito dói com as batidas do coração, a voz é fraca e por mais que tente falar não consigo. Se alguma vez pensei que conseguiria dizer que o amava, agora sei que não... como se já não soubesse falar, a minha voz fosse roubada. Ele roubou-a a partir do momento que apareceu... Foda-se, ele é lindo... ele parece-se com um deus.

"Sim..." ele sorri, derreto por dentro. "O que é que estás aqui a fazer tão tarde? Há algo errado?" o seu rosto cai, ele está preocupado. Ele é tão atencioso... pessoas como ele não deviam receber tantas críticas. Vê-lo aqui para mim, é algo que nunca poderei explicar... é, mágico. Os seus olhos estão focados no meu rosto, estão brilhantes... a noite nunca poderia esconder o verde deles, porque são especiais, porque tudo nele é especial. Limpo os cílios com o indicador, mas quando o retiro elas voltas... ele respira calmamente e sinto o calor do seu corpo ao meu lado, a cortar o vento que antes batia no meu rosto.

"E-eu... não consegui... Eu tenho tentado, t-todos os anos e..." suspiro, a voz escapa-me a cada segundo. "Não consegui... não consegui ver-vos... nunca, nenhum concerto. Nada..." ele parece entender, pelo menos ele parece querer entender. Ele não é como as outras pessoas, ele importa-se. Talvez seja por isso que ele me cativou, mesmo com desconhecidos, ele era incapaz de tratar alguém mal... ele é demasiado bom, para todos. Ele sorri levemente e estende-me a sua mão. A minha treme na sua quando ele me segura, tenho medo que ele repare, mas não consigo parar.. estou de pé, as minhas pernas não parecem aguentar o peso do meu corpo e tremem, ele ri, escapando-me um leve sorriso...

"Vem cá..." os seus braços puxam-me e sou levada para um abraço. O seu perfume enche os meus pulmões e faz-me delirar, a minha cabeça está encostada no seu peito e posso sentir o bater do seu coração. Os seus braços envolvem a minha cintura enquanto os meus envolvem a sua, as minhas lágrimas caiem na sua camisola e tenho medo por isso, mas ele não se importa, os seus braços apenas me apertam mais contra o seu peito e o meu coração parece rebentar a qualquer momento. A minha respiração é ofegante, o choro mais leve... quero dizer as palavras, o que sempre quis, mas a minha respiração impede-me.

O contacto com a sua pele e o cheiro da sua roupa são alucinantes... o seu cabelo é brilhante assim como os seus olhos. Lentamente me inclino e coloco-me na ponta dos pés, ele realmente é alto... chego os meus lábios até o nível dos seus ouvidos, ele baixa-se um pouco... Caracóis batem na minha bochecha. A minha mente trava no momento a seguir...

"I love you, Harry..." murmuro, o meu rosto está molhado...

"I love you too, beautiful..." o meu coração rapidamente aquece com as suas palavras. Os nossos rostos estão próximos, posso ouvir a sua respiração. Não consigo largá-lo, é como se estivesse a abraçar o meu mundo... o mundo nos meus braços... os nossos corpos balançam em sintonia enquanto o calor se propaga de um para o outro.

Passam-se mais vários segundos e o meu corpo parece paralisado, só ele, só ele importava... ninguém mais precisava de saber que ele estava aqui, que eu o abracei como sempre quis, agora... eu sentia que ele era tudo com que eu realmente sempre sonhei. E depois de isto, o sentimento aumentou, não sei o quão mau isso possa ser, mas aumentou... como se o meu coração estivesse demasiado pequeno para isso. O seu rosto afasta-se lentamente e sinto um beijo largado na minha cabeça, o mundo torna-se pequeno... nada pode estragar isto. Nada pode fazer este dia não valer a pena. Qualquer esforço, depois de tanto tempo, afinal valeu a pena. Porque ele, ele é alguém por quem se pode lutar...

"Vamos." Ele sorri, os nossos corpo afastam-se. "Quero dar-te uma coisa..."

A sua mão segura na minha e encaminha-me pelas inúmeras portas e corredores. Os seus dedos são finos e macios. O anel frio do seu dedo bate na minha pele... Algum tempo depois sou levada para uma sala, não muito grande, mas acolhedora... esperava encontrar alguém lá, mas de momento estava vazia. Ele sorria, o meu coração aquecia...

"Queres a minha camisola?" o seu riso é largo e as covinhas rapidamente aparecem no seu rosto. Os meus olhos prendem-se no seus sorriso, ouço-o rir baixinho quando repara. Volto ao meu estado normal, o mais normal que consigo ao pé dele, e abano com a cabeça para cima e para baixo, de forma a dizer-lhe que sim. As palavras não são minhas aliadas e vou ter de mantê-lo assim, a minha voz treme demasiado para conseguir falar neste momento... As suas mãos descem até o fundo da sua t-shirt branca e os seus braços erguem-se, levantando-a pelo seu tronco. Respiração prende-se na minha garganta com a visão das suas tatuagens, a tinta preta sobre o seu corpo... Ele parece atento no que faz e vira a camisola ao contrário de modo a ficar direita, caminhando até uma outra zona da sala. Ele parece segurar uma outra camisola, desta vez preta, na sua mão. Ele veste-a. As suas mãos seguram numa caneta e escrevem na t-shirt, na t-shirt que vai ser só minha... o meu peito acelera com o pensamento... Vou ter a camisola que ele usou, com o seu cheiro, assinada por ele... sinto-me corar quando o vejo caminhar até mim.

"Aqui tens..." a sua mão estende-se para mim, seguro-a.

"Obrigada." consigo dizer, ele devolve-me um sorriso como resposta.

"Podes vesti-la se quiseres..." ele murmura, o seu olhar atento na minha expressão. Sorriu nervosamente. Ele vira-se e caminha para outro lado, de modo a dar-me alguma privacidade. Rapidamente retiro a que tenho e troco-a por esta, fica enorme no meu corpo... O perfume nela invade as minhas narinas e é como estar nas nuvens. Digo-lhe que já pode olhar e ele sorri quando se vira, caminhando na minha direção.

"It looks good on you." os seus braços estão cruzados no seu peito. As minhas bochechas ganham cor.

"Fica enorme..." digo, baixo o olhar até os meus pés. Mas ela cheira bem, mesmo bem...

"Um pouco." ele ri. "Mas fica querido..." ele pausa. "You're beautiful..." sorriu um pouco, mas vai desaparecendo gradualmente.

"Não..." murmuro. Fico contente que ele tenha dito isso, muito até... mas não consigo acreditar que seja verdade. Feia? Não. Mas nunca serei o real significado de "bonita" do seu dicionário...

"You don't know you're beautiful, oh oh... but that's what makes you beautiful..." ele cantarola baixinho, a voz mais suave de sempre... os meus olhos ardem ao vê-lo sorrir e ao ouvi-lo cantar, respiro fundo e olho para o teto. As lágrimas aproximam-se e começam a escorrer rapidamente pelo meu rosto. Ele é tão perfeito... e eu nunca mais o vou ver... os pensamentos misturam-se na minha mente e as lágrimas formam-se em maiores quantidades. Ele aproxima-se lentamente, não consigo decifrar o seu olhar, os seus braços estendem-se na minha direção.

"Come here angel..."

Faço o meu caminho até os seus braços e abraço-o, pela última vez. Ele aperta-me mais uma vez e pousa o seu queixo no topo da minha cabeça, largando vários beijos depois... Se eu pudesse ficar nos seus braços para sempre, eu ficava, e nada poderia me separar. Ele faz um ritmo calmo de cantarolar, os nossos corpos balançam ao mesmo tempo... os meus olhos abrem-se para verificar se realmente é verdade. Quando os volto a fechar, uma lágrima escorre por eles...

"Thank you..." sussurro.

"Shhhh... it's okay, I'm here." Ele diz, as suas mãos sobem e descem calmamente pelas minhas costas...

"I'll always be here..." 

Harry Styles. O ser mais maravilhoso alguma vez existente. A única pessoa que alguma vez me fez sentir assim. A única pessoa que alguma vez me tirou a respiração... não só ele, mas todos eles. Mas ele era especial... Existe alguma coisa, que eu não consigo decifrar... alguma coisa que me faz pensar que é o único. Embora eu saiba que provavelmente esta é a última vez, sei que se o mundo acabar hoje, eu vou morrer feliz... porque eu vou morrer nos braços em que sempre sonhei estar, vou morrer a chorar por alguém por quem sempre chorei, vou morrer cedo... é verdade... mas sinto-me como se fosse morrer... amada.

 

xxPatrícia

Não costumo fazer imagines, de todo, mas fiz este em "homenagem" ao concerto cá em Portugal. Foi... espetacular, o máximo mesmo! Não dá para explicar sequer... Espero que tenham gostado, baseei-me em algumas coisas que vi e que provavelmente todas as directioners sentem ou sentiram.

Bjs


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