quinta-feira, 3 de julho de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 9 - Mistake

 

Mel P.O.V.

Zayn: O que é que estás aqui a fazer? - perguntou indiferente... Os nossos olhares encontravam-se fixos um no outro, conseguia reparar na mudança da cor dos seus, o tom claro e cor de mel era agora apagado por um negro que me atingia como um furacão. O seu maxilar tornara-se mais tenso com a minha presença e via as veias tornarem-se mais nítidas nos seus braços, como se ganhassem vida, os seus cabelos estavam húmidos com o suor que o seu corpo transportava, a sua expressão manteve-se calma, contrariamente ao que todo o seu corpo mostrava. Os seus lábios mantiveram-se entreabertos e os seus olhos estavam um pouco cerrados devido à ardência que a luz do sol provocava neles, deixando-os mais brilhantes. Os seus pés avançaram um passo na minha direção o que me fez estremecer. A maneira como estava a agir amedrontava-me um pouco, as suas pernas fletiram-se e ele pegou na garrafa de água pousada ao meu lado num banco. Sinto o seu braço raspar contra o meu corpo ao se elevar novamente, apenas o observo, ele volta a olhar-me mais uma vez. Um curto suspiro solta-se dos seus lábios e o seu ombro bate no meu, indo embora. Um sorriso sarcástico escapa-me com a atitude idiota que ele acabou de ter e rodo o meu corpo, seguindo-o.

Ele entra dentro de um corredor que deveria dar para os balneários masculinos, era escuro, o meu corpo arrepia-se com a mudança de temperatura. Um ar gelado envolvia o túnel, vejo o seu corpo voltar-se violentamente para trás e o meu ser apertado contra a parede. Uma ardência percorre as minhas costas, mordo os lábios com a dor.

Zayn: O que é que tu queres?? - a sua voz é grossa, o seu rosto encontra-se a milímetros do meu, dando-me uma perfeita visão das suas feições e das gotas de suor que correm sobre ela, realçando cada traço da sua pele.

Eu: V-ver-te! - a minha voz treme. A sua mão encontra-se a apertar o pulso contra a parede enquanto a outra está pousada de leve sobre a pele da minha barriga descoberta com a rapidez que os seus dedos deslizaram sobre a blusa que trazia.

Zayn: Estás a ver-me?!... Boa, agora podes ir-te embora! - a sua voz é gelada.

Eu: Mas nós t... - tento explicar-me, mas a sua voz rapidamente me cortou.

Zayn: Não há um "nós" Mel! Esquece simplesmente que eu existo. Percebeste?? - ele grita e sinto o meu coração explodir de culpa, várias gotas de água começavam a nascer nos meus olhos. Eu nunca o deveria ter julgado daquela forma e nem sequer tentar ouvi-lo, afinal eu ouvi o Kail. Percebo algumas manchas negras no canto do seu lábio, os seus olhos negros e cintilantes penetravam os meus profundamente. Uma corrente de ar faz os meus cabelos esvoaçarem, afastando-os da minha cara.

Eu: D-desculpa... - a minha voz sai completamente fraca, não arranjo forças para mantê-la firme, várias lágrimas começam a brotar dos meus olhos, cerro os punhos para conseguir impedi-las de cair.

Zayn: Não quero as tuas desculpas para nada! - diz rude e sinto o meu corpo ser largado. As suas palavras abalam-me cada vez mais e alguns soluços escapam entre os meus lábios - Sai daqui Mel! - as suas costas estão voltadas para mim. Permaneci ali, um silêncio cercava o espaço onde apenas nos encontrávamos nós... - Desaparece! - o seu tom eleva-se o que me faz estremecer, o seu olhar brilhava mas era de ódio, sinto-me tremer de medo por dentro. - Eu sabia que era um erro aproximar-me de ti! - a sua voz é áspera novamente.

Eu: E porque o fizeste então se era tão errado? - a vontade de chorar a qualquer momento que falo ou o ele me olha nos olhos é enorme mas impeço-me a mim mesma de fazê-lo.

Zayn: Porque tu apareceste e fizeste-me querer isso! - grita e eu forço o meu corpo a afastar-se dele por momentos. Sentia medo... ele assustava-me quando se tornava naquele Zayn diferente do que eu realmente precisava e queria ver. - Agora vai embora, vai! - grita novamente mas desta vez muito pior, via a sua expressão de raiva, desespero enquanto ele puxava os cabelos.

Eu: Desculpa ok? Desculpa! - falo alto e logo de seguida ele olha-me, como se analisasse as minhas palavras, os seus olhos fecham-se e ele roda o corpo continuando o caminho pelo túnel.

- Zayn ... - sussurro baixo.

Não valia mesmo a pena ... volto o meu corpo também para a saída. Desde de ontem que eu não era a mesma Mel, sofro a cada instante, a cada minuto da sua ausência. A vontade de me poder explicar e ouvi-lo é enorme, ainda não encontrei explicações para compreender o que realmente nos fez separar dessa maneira tão superficial. A única coisa que encontro são perguntas sem respostas, medo, dúvidas ... no fundo eu sei que a culpa disto é minha carrego isso comigo! Mas bem eu sei que não se pode parar o relógio da vida, que tudo não passa de um círculo que se perde nas suas inumeras voltas. Sei que tenho que aprender a arrancar as lágrimas que ficam presas ao coração e aprender a viver com uns sorrisos que se perderam mas sempre voltam. O vazio, a mágoa, a tristeza, a alma serrada, os olhos pesados ... não vão ficar para sempre, porque eu não vou contar sempre aquela interminál saudade e julgar-me ... as coisas simples mudam! Não vou deixar para trás mas não vou ficar presa no tempo, em algum segundo o vento vai estar a meu favor e aí eu vou desejar que tudo seja eterno, ... para já apenas vou aprender, superar ...  a minha cintura é arrastada para trás, os seus dedos agarram-na suavemente causando-me leves arrepios.

Zayn: Isto não pode continuar... - a sua voz parece sair como um sussurro, sinto o ar quente dos seus lábios chocar contra os meus, a sua mão pousou sobre o meu rosto - Fazes-me tão mal Mel - murmura, os seus olhos voltaram à sua cor de mel e tremo ligeiramente. O meu coração era domado de fortes palpitações. - Tornas-me no que eu não quero -  os seus lábios carnudos raspam contra os meus e várias lágrimas descem dos meus olhos.

Eu: Não digas isso... por favor! - a minha voz sua como um murmuro, os seus dedos deslizam pela minha boca, o meu corpo desfazia-se aos poucos completamente.

Zayn: Não me faças isto Mel ...  só, respeita a minha decisão! - falou vulnerável dando um passo para trás e afastando o seu corpo do meu, não tinha reação, não conseguia dizer nada... a minha cabeça pensava num turbilhão de coisas ao mesmo tempo... limitei-me a correr para fora dali.

***

As minhas lágrimas continuavam a correr intensamente, não encontrava mais forças, pressionei o corpo contra um muro velho de tijolos e arrastei-o lentamente até ao chão. Sentia-me impotente. Talvez nós não devêssemos mesmo estar juntos... mas no final eu continuo a vê-lo como a minha salvação!

Vários barulhos começavam a surgir, comecei a sentir-me nervosa, corri para trás de umas caixas que estavam no fundo daquele beco e escondi-me atrás delas, procurei acalmar a minha respiração para que não se ouvissem os meus soluços. Vários barulhos começavam a surgir, comecei a sentir-me nervosa, corri para trás de umas caixas que estavam no fundo daquele beco e escondi-me atrás delas, procurei acalmar a minha respiração para que não se ouvissem os meus soluços. Um estrondo seguido de um grito... elevei um pouco o rosto tentando perceber o que se passava, um rapaz alto vestia-se completamente de preto em exceção das sapatilhas brancas que trazia, tinha um gorro a cobrir a sua cabeça. Outros dois rapazes estavam do seu lado, não eram muito diferentes, adotavam o mesmo estilo de roupa escura. Conseguia perceber que tinham uma rapariga de joelhos na sua frente, mas apenas conseguia observar as suas pernas fletidas. O rapaz do meio agarrou nela permitindo-me agora ver o seu rosto desesperado, atirou-a contra a parede do edifício atrás de si, as suas roupas foram violentamente tiradas do seu corpo que ficou apenas coberto pela lingerie que trazia vestida. O corpo dele roda e posso ver a sua cara... Aidan!

Aidan: Estás com medo?! - pergunta rindo enquanto a rapariga era agarrada pelos outros dois.- Calma amor! - ele aproxima-se dela cobrindo o rosto dela com a sua mão. Ela não tinha hipóteses de sair dali, tal como eu, gritar não ia ajudar em nada, não havia ninguém por aquelas ruas. - Sabes que as coisas podiam ser tão diferentes... bastava não teres ido com um dos meus inimigos para a cama! Cabra!- ouço um forte chapada estalar contra a face dela deixando uma enorme marca dos seus dedos na pele branca dela. Eu sabia que o Aidan não valia nada, tenho a certeza que é apenas um rapaz pelo qual a vida se move à base de sexo, dinheiro, interesses...como é que ele não percebia que magoar os outros não era uma solução?

Xxx: Aidan, eu... - os seus olhos estavam vermelhos e os seus cabelos loiros completamente despenteados, muitos dos fios colavam-se ao seu rosto molhado pelas inúmeras lágrimas que não paravam de rola. - Pára com isto... - ela suplica, vejo-o cerrar os punhos e caminhar novamente para perto dela.

Aidan: Com o Harry sua filha da puta! - ele empurra-a, fazendo o seu corpo cair no chão, ela solta alguns grunhidos de dor, os seus cabelos são agressivamente puxados. O Harry?? - Eu não te dava prazer era?? - grita - Responde-me caralho!

XXX: Tu nunca me amaste, só me usavas para sexo, era só para isso! - percebo ódio na maneira como diz isso.

Aidan: E achas que ele te ama?! - uma gargalhada rouca ecoa sobre o espaço em que nos encontrávamos, reparo que os outros dois rapazes entram para dentro do edifício - És tão estúpida babe! - o meu corpo congela quando ouço o fecho das suas calças abrir-se... rezo para que se ouçam barulhos em redor, que alguém se aproxime, mas nada! O corpo dela é brutalmente pressionado contra a parede, ela grita mas logo os lábios de Aidan chocam contra o seu pescoço. Os seus pulsos eram violentamente apertados contra as suas ancas, impossibilitando-a de se defender. - Vais aprender uma coisa Yasmin... O que é meu não é para ser partilhado! - ela apenas gritava e se debatia contra ele que brincava com o seu corpo, indiferente ao choro dela.

Yasmin: Odeio-te tanto! - ela soluça mas ele apenas continua a beijá-la prendendo as suas pernas na cintura dele. Como é que alguém é capaz disto?... Lembro-me da primeira vez que o Zayn esteve comigo, do que me disse.

"Imagina que não era a te encontrar, mas sim outro rapaz qualquer este bairro... Tens noção do que acontecia? Estavas a ser violada neste momento. Acredita que ele não ia ter piedade de ti mesmo que chorasses.!

Era horrível pensar que mal pusesse um pé na rua isso podia acontecer.

Yasmin: És nojento! - grita, mas logo o seu corpo é empurrado até o chão, vejo ele pressionar os dedos sobre as suas virilhas e um gemido de dor se segue.

Quero sair dali... escondo-me atrás das caixas, não quero ver nada, apenas quero ir para casa. Os gemidos pararam e tudo o que comecei a ouvir foram as pessoas chegar, isso não me aliviou pelo facto de tudo parecer pior.

Yasmin: Achas que eu sou um brinquedo na tua mão?? - tento ver o que se passa agora, a minha boca forma um perfeito "o" ao vê-la segurar uma navalha encostada ao pescoço de Aidan. Mais pessoas se concentravam naquela rua sem saída, Aidan e os dois rapazes mais a Yasmin e um rapaz que aparentava vinte anos, as suas feições eram completamente semelhantes às dela, deveriam ser irmãos... coloquei-me de novo atrás das caixas e logo o som de um tiro, gritos, motas... as caixas são derrubadas. A minha pulsação acelerou, vejo Aidan caído à minha frente, ele abre os olhos, tudo o que faço é levantar-me e começar a correr, mas a sua mão agarra o meu braço atirando o meu corpo para cima das caixas espalhadas no chão, a brutalidade com que o faz é enorme, sinto a madeira das caixas quebrar quando as minhas costas embatem nelas, uma ardência insuportável sobe pela minha espinha. O seu corpo está em cima do meu, segurando os meus pulsos.

Aidan: O que é que viste?? - berra, os seus olhos azuis perfuram os meus, várias raízes de sangue surgiam neles e o seu peito subia e descia violentamente.

Eu: Nada! Eu não vi nada, solta-me!

Aidan: Mas quem dita aqui as regras sou eu bebé! - um sorriso tarado forma-se nos seus lábios e a sua mão desliza pela minha anca... ouço passos e de repente vejo o corpo de Aidan cair ao meu lado, inconsciente...

Se "nós" era um erro, porque é que ele estava ali?

 

Continua...

xxAndy


Nenhum comentário:

Postar um comentário