sexta-feira, 27 de junho de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 36 - "Good morning"



Acordo. A minha cabeça dói demasiado e é como se pedras me empurrassem para baixo, como se estivesse demasiado pesada.
Eu: Liam? – chamo. O meu peito bate depressa e reparo que estou sozinha no quarto. Novamente, como todas as porras de manhas. Lentamente tento me levantar, levo a mão às feridas e tenho algo como um penso lá. A porta abre-se e solto um guincho quando bato com a cabeça na cama.
Liam: Cuidado Bell. – ele levemente sorri. Os seus passos aproximam-se e realmente não sei o que pensar em relação a isto tudo. A nós, a ele... porra, a ele. O que caralho eu sinto por ele? E porque é que tenho a sensação que, depois de tudo, a raiva que senti ontem é inválida? É isto que odeio, foda-se, odeio tanto! Mesmo depois de tudo, e eu quero dizer tudo, não consigo odiá-lo ou sequer deixar de pensar nele. Mesmo depois de ontem basicamente ter desaparecido sem deixar rasto, mesmo depois de sentir como se ele me perseguisse, não consigo, apenas é como se ele fosse o ar que respiro... e isso, isso simplesmente dá cabo de mim.
Ontem, porra, ele salvou-me, outra vez. Como em todas as outras vezes: quando quase ia sendo atropelada, quando o nojento do Gale me perseguia na festa, quando ele me... hmm, porra quando ele me tocou, aquele verme simplesmente brincou comigo e com o meu corpo como se fosse um saco de plástico!
Ele simplesmente é o meu salvador, e eu quero dizer que sem ele, provavelmente nada mais faria sentido. E pior, na verdade ele também é o meu maior erro. Porque tê-lo comigo, é simplesmente um erro. No fundo, eu nem sequer o mereço, e eu sei disso. Ele merece alguém melhor, talvez uma rapariga qualquer toda certinha que goste de estudar e que esteja à espera dele quando chegar a casa. Não alguém que só lhe arranje problemas, não alguém que só lhe dá dores de cabeça, não alguém como eu. Não.
Eu: Foste tu? Quer dizer, foste tu que me colocaste o penso? – pergunto, os meus olhos fecham-se em dor quando volto a colocar lá a mão e ele senta-se ao meu lado.
Liam: Sim fui eu. Não isso não é um penso Bell. – ele murmura e sinto um beijo plantado na minha testa, fecho os olhos por momentos. A sua voz é grossa e ele está apenas em boxers. Imediatamente desvio o olhar mas é tarde de mais quando sinto os seus olhos nos meus e um sorriso curvar nos seus lábios, forma-se cor que vai diretamente até as minhas bochechas e baixo o olhar envergonhada.
Em menos de segundos sou surpresa por lábios chocarem nos meus. Os meus olhos estão fechados, a sua língua desliza para a minha boca e continua com o mesmo sabor inexplicável que passei a adorar. A sua mão cobre a minha bochecha enquanto a outra segura na minha cintura e gentilmente aperta. O bater do meu coração torna-se irregular, tão irregular...
Liam: Bom dia. - ele murmura sorrindo e gemo com a perda de contacto. Empurro os meus lábios contra os seus de novo e ele ri. Controlo a vontade de lhe espetar um estalo por estar a rir-se de mim, mas o que mais posso fazer se não rir também? Estou basicamente a beijá-lo como se o quisesse tanto como respirar. Obrigo-me a parar e separo os seus lábios dos meus, permanecendo com a testa colada na sua.
Eu: Bom dia. - sorriu e ele volta a rir, como se algo passasse na sua mente.
Liam: Vejo que acordaste de bom humor.
Eu: Não - suspiro - simplesmente acordei e tu beijaste-me, nada mais.
Liam: O quê? Tu basicamente estavas a olhar para mim como se fosse um deus! - ele ri e levanta-se, erguendo os braços no ar.
Eu: Ah não, bem, também não tens o direito de andar apenas em boxers na minha casa. - atiro e faço a cara mais séria que consigo, a sua expressão era de surpresa.
Liam: Bem, então admites que olhaste? - ele volta a rir e realmente só quero bater-lhe, é como se estivesse a humilhar-me! O calor nas minhas bochechas volta e é mais do que desconfortável.
Eu: Não, não estava! - nego.
Liam: Estavas sim! - ele afirma e diz mais alto.
Eu: Liammm - suspiro e gemo em protesto. Ele ri e salta para o meu lado na cama, o meu corpo dá um pulo com o balanço que ele dá quando cai na cama e a minha cabeça parece rebentar. - Foda-se - murmuro e levo a mão à nuca. Procuro por vestígios da noite anterior mas são invisíveis, nãos vejo. Talvez ele tenha limpo.
Liam: Desculpa... - ele murmura um pouco preocupado e então sinto lábios encostados contra os meus rápida e suavemente. Não consigo evitar o riso que seguro mas de alguma forma isso provoca uma dor na minha cabeça maior do que nunca.
Depois de algum tempo e de tomar o pequeno almoço que ele insistiu em trazer-me à cama ele ainda continua em boxers e de repente, como um flash, lembro-me...
Eu: Porra, hoje é terça-feira! - guincho.
Liam: Eu sei.
Eu: E temos aulas Liam!
Não realmente que queira voltar ao mundo real e encará-lo como se nada tivesse acontecido, cada vez mais tem sido difícil esconder os problemas que se formam na minha cabeça e simplesmente não consigo evitá-lo, mas faltar às aulas não é uma boa solução se quero passar de ano.
Liam: Relaxa... - ele sussurra. Eu pensei que ele não gostasse de faltar às aulas? - Hoje é melhor ficares em casa, amanhã também, e esta semana vai ser um falhanço, por isso aconselho-te a aproveitar este tempo. - ele diz sorrindo e não consigo perceber a que é que ele acha tanta piada.
Eu: Mas tu tens de ir às aulas. - murmuro e controlo-me para não roer as unhas, que estúpido hábito foda-se.
Liam: Mas eu vou ficar contigo, logo vais ter de te preparar psicologicamente para me aturar o resto da semana... - ele ri e deita-se na cama, quase por cima de mim. De alguma forma acho que ele acordou um pouco estranho? Talvez, demasiado, foda-se, demasiado carente? Não posso dizer que desgosto, eu ia amar se não fosse esta dor de cabeça...
Eu: Queres mesmo aturar-me? É difícil, a sério. - digo e não consigo deixar de sorrir.
Liam: Bem, temos de ter em conta que já te aturei quando tu totalmente me odiavas, por isso não vai ser assim tão difícil... - ele sorri mas não consigo fazer o mesmo ao relembrar a forma como o tratava, como o odiava e como não podia pensar nele. Simplesmente, culpei-o por algo em que a única culpada sou eu.
Liam: Está tudo bem babe?
Eu: Sim... acho que sim.

Continua...
xxPatrícia

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