segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 35 - Stay with me



A aula passa demasiado devagar, ou talvez o meu cérebro trabalhe demasiado depressa... Algo do género. Arrumo o material e colocando a mochila no meu ombro caminho até os corredores do exterior. A minha visão divaga por todo o lado, não encontro o Liam, ele saíu mais cedo e ainda não tinha voltado.
Caminho até o estacionamento, como sempre, e uma outra vez sento-me em cima de um carro. Faço cuidado para que não seja o do Zayn e simplesmente me sento. Ainda consigo lembrar-me do motivo pelo qual ele ria, e o motivo pelo qual eu chorava mais tarde...
Estou sentada no capô do carro enquanto ouço música aleatória. De uma forma ou de outra lembro-me como passava os dias anteriormente, sentada ao pé de uma árvore a fazer isto mesmo... E a verdade é que comecei por gostar disso, estar sozinha, poder fazer as minhas coisas sozinha e ser independente. Mas à uns tempos atrás, tornou-se desinteressante...
O vento era forte logo ninguém estava cá fora. Através do ritmo da música conseguia ainda ouvir o som do vento, era um tanto assustador, se eu não estivesse habituada. Ouço o apito do carro e passos zangados, gritos roucos.
Ele: Mas vais sair de cima do meu carro caralho?
Será que todas as pessoas daqui tem problemas com os filhos da puta dos carros? Foda-se, não estou a foder dentro dele! Estou sentada, não é normal? Rapidamente tiro os fones dos ouvidos e guardo-os dentro da mochila. Pulo de cima do carro e encaro quem se aproximava.
Ele ri levemente enquanto arrasta a língua pelos lábios rapidamente.
Ele: Mas vejam só se não é ela...
Eu: Não acredito. – sorriu e dou uma gargalhada.
Ele: Oh, acredita. Em carne e osso babe. – ele diz e percorre o olhar sobre mim. Não tinha reparado o quão claros os seus olhos são quando realmente me aproximo.
Eu: Já te disse que és muito rude com desconhecidos? – digo quando me lembro da sua voz gritar.
Ele: Contigo nunca. – ele diz e rapidamente o meu corpo arrefece, a minha pele é coberta por arrepios. – Posso dar-te um conselho? – ele sussurra e diz sorrindo. A sua cabeça aproxima-se da minha e os seus lábios encostam-se ao meu ouvido. – Não venhas cá para fora sozinha. Vi um rapaz olhar para aqui à pouco e não estava contente. Foi quando me aproximei de ti principalmente... 
Eu: Que rapaz? – pergunto e tento parecer o mais calma possível.
Ele: Leom, ou liam... uma merda qualquer. – ele acaba e abana os ombros desinteressado. O meu peito bate mais depressa, as minhas mãos suam nos meus bolsos e tenho que respirar fundo para responder calmamente.
Eu: Oh. Ok. – suspiro. Ele olhava fixamente para mim, vejo um pequeno sorriso formar-se nos seus lábios. – Dan?
Dan: Diz babe.
Eu: Precisas de ajuda? De um... psiquiatra talvez? – brinco e ele ri.
Dan: Bem, se fores tu não me importo…
Sinto-me observada e realmente não gosto disso. Baixo o olhar e tento focar-me no chão, mas sou interrompida pelo um riso rouco.
Dan: Precisas disto babe? Pareces, tensa.
Ele sussurra e lentamente retira um pacotinho preto de dentro do bolso, rapidamente percebo a que se referia. O meu peito bate depressa com o calafrio que me invade. Novamente eu parecia precisar daquilo. Porra, eu estava a conseguir, eu tinha parado.
Eu: Cuidado. – olho em volta – podem apanhar-te Dan! Tens noção que podes ser expulso? – falo, o coração parecia invadir-me a garganta deixando-me quase sem respiração.
Dan: Oh vá lá, faço isto há anos, nunca fui apanhado…
Eu: Já foste preso porra! Queres ser outra vez?
Dan: Relaxa boneca. – ele diz. – Queres?
Ele diz sério, penso em recusar de imediato, mas não o faço... Assinto com a cabeça e ele logo percebe a que me refiro.
Dan: Vamos para outro sítio… - ele murmura. – Vem comigo…
Sigo-o e ele leva-me até uma sala. Ninguém lá estava e o vento já não prejudicava agora, não havia riscos. Assim como eu, ele olha em volta para verificar se havia movimento…. Nenhum.
Rapidamente ele coloca tudo em cima de uma mesa e separa em duas linhas finas. Vejo-o pegar em uma nota do bolso das suas calças e enrolar. A sensação que tinha parecia tão estranha agora… tão, diferente de antigamente. Antes, era como rotina: na minha casa, na minha verdadeira casa, tinha quem me fornecesse sem problema nenhum, agora… agora eu simplesmente tive de aprender a viver sem isso. Mas já não preciso, uma vez que o meu mais recente “amigo”, se alguma tive um, é um dealer, logo posso ter alguma, sem dar nas vistas.
Eu: Espera… - interrompo – qual é o pagamento?
Dan: O quê? - ele diz e parece indignado. A sua postura parece mais rígida e encontro-me quase a tremer. Não consigo esconder o sentimento profundo de medo que me atordoa cada vez que alguém, qualquer rapaz, parece com raiva. Não consigo evitar as más lembranças, as horríveis sensações que aquele filho da puta me provocou.
Eu: O pagamento. Quanto é que tenho de pagar por isto? – pergunto novamente, tentando esclarecê-lo.
Dan: Eu percebi boneca. – ele diz. – Mas achas que quero que me pagues alguma coisa? Babe, podes ter disto sempre que precisares… a qualquer hora, qualquer momento… - ele sussurra e aproxima-se lentamente. – é só pedir. – ele pausa. – E eu dou.
A sua mão desliza pelo meu rosto e afasta o meu cabelo para trás do meu pescoço.
Eu: Hm. O-obrigada então. – ele ri e afasta-se, dando-me espaço até a mesa. Percorro o olhar por lá e faço o meu caminho. Ele estende-me a nota já enrolada na sua mão. Seguro e afasto os cabelos. Num movimento rápido deslizo a nota pela linha fina que lá se encontrava e levanto a cabeça, deixando-a tombar para trás. Riu com as milhentas sensações conhecidas e deslizo o dedo pelo nariz por fim.
Em poucos segundos o meu corpo está mais relaxado e a minha mente mais calma.
Nada podia mudar isso.
Dan: Gostaste da surpresa? – ele pergunta e sorri enquanto retira a nota das minhas mãos.
Eu: Amei. – digo ainda rindo. Começo a caminhar pela sala e ele ri com isso.
Ele faz o mesmo procedimento e a última linha de pó desaparece. Não havia vestígios sequer. Estou curiosa acerca da forma como ele arranja tão facilmente mas não pergunto. Prefiro manter as coisas assim. Quando volto a olhar até ele, ele ria claramente contente.
Dan: Vamos? – ele pergunta e ri, colocando as mãos nos bolsos.

***
Faço o meu caminho até a sala de aula, já são quase 16h. Depois da primeira aula não voltei a falar com o Liam. Simplesmente desapareceu. Tento ligar-lhe mas o telemóvel está desligado. Começo a ficar preocupada, pode ter acontecido alguma coisa. Porra, ele pode estar mal.

***
Soa o toque da campainha e não posso estar mais aliviada. Despacho-me a arrumar o material e tenho a certeza que não ouvi uma única palavra do que o professor dizia durante a aula. Liam, liam, liam. Era tudo o que rolava na minha cabeça e não posso estar mais preocupada do que agora.
Era tão estranho foda-se. Todo o caminho parecia uma eternidade e a primeira coisa que penso em fazer é ir até a sua casa. Talvez lá não esteja. Mas a Karen, tem de saber disso... certo?
Não, não é certo. É como se eu estivesse a controlar a sua vida quando odeio que o façam com a minha. Como ele fazia com a minha.
Passados alguns minutos finalmente vejo os dois edifícios ao longe. Apresso-me e sigo primeiro até minha casa.
Entro e rapidamente sigo até o meu quarto. Pouso a minha mochila no canto, e pego no telemóvel. Penso mandar-lhe uma mensagem.

“Estás em casa? xxBell”

O som final mostra-me que foi enviada e atiro com o telemóvel contra a cama. Solto um grunhido do fundo da garganta e a sensação de stress volta quando ele não responde nos próximos 15 minutos.
Primeiro dia. O primeiro filho da puta de dia numa relação com ele e já está tudo a correr mal. Que óbvio não? Só me queria ter como garantida... isso explica muita coisa. Principalmente a insistência. Foda-se. A raiva que não sentia dele há uns dias volta em força bruta e sem reparar acabo de partir o candeeiro.
Os cacos pelo chão são evidentes. A raiva flutua no fundo da minha barriga e percorre cada centímetro das minhas veias. Foda-se, foda-se. Fecho os olhos e tento acalmar a respiração. Não resulta pela milésima vez e parece piorar a cada segundo, cada respiração mais forte, os batimentos acelerados.
Abro os olhos. Está escuro. Nos cacos posso ver sangue. Consigo ouvir barulho de gritos, pessoas desesperadas... Olho em toda a volta, o chão parecia mover-se, em queda livre. Como no avião. Cerro os olhos com a máxima força possível mas piora quando ouço a voz da minha mãe. Ouvia gritos, tantos gritos, principalmente meus. Gritos que soltava agora, inaudíveis. O meu coração bate depressa no meu peito, tão rápido, dói até. Uma outra vez vejo uma sombra, novamente tal como a do Adam... tão parecido. A insistência em voltar a vê-lo uma outra vez é enorme, mas não maior do que a frustração e raiva que percorre todo o meu corpo quando percebo que não vai acontecer. Eles foram-se... para sempre. A pulsação do meu sangue é demasiado rápida, o meu corpo treme a cada segundo e estou a suar, congelo assim que sinto um calafrio. Formam-se lágrimas nos meus olhos, correm por todo o meu rosto.
Alucinações. Outra vez.
As minhas pernas tremem, o meu corpo desvanece. A minha cabeça bate contra a madeira nas laterais da cama... sinto-me desmaiar. Vários arrepios tomam conta do meu corpo, as lágrimas de raiva e dor misturam-se, não consigo pensar, tudo o que ouço são gritos, tudo o que vejo é sangue, tudo o que sinto é dor. Os gemidos que tento abafar levam-me ao desespero, mordo a minha mão e tento parar esta dor que só piora a cada momento.
Sinto toques sobre o meu corpo desfalecido, pontapear a minha barriga, vidros cairem sobre o meu corpo. Fecho os olhos com força, a minha garganta dói com os gritos roucos que saiem dela, a minha cabeça parece latejar e não aguento a pressão. Ouço vozes ecooarem, como se estivesse num esgoto. Ao longe ouço uma vibração que vem do meu telemóvel... os meus olhos não se abrem, permanecem fechados, o meu corpo não se move, sinto sangue escorrer da minha cabeça. Perco a força nas minhas ações, a pulsação aumenta...
Sinto-me cair de um precipício...


Liam P.O.V.

Assim que saio do ginásio, entro no meu carro e faço o meu caminho para casa. Recebo uma mensagem.

“Estás em casa? xxBell”

A minha mente corre até o momento em que a vi com um rapaz. Eles riam. Ela ria... e esse riso não era provocado por mim.
Respondo minutos depois.
Durante todo o dia tenho vindo a receber chamadas dela que não atendo.
Será que ela está em casa? Está bem? Está sozinha, ou acompanhada? Com ele?
A raiva, os ciúmes, pareciam controlar-me. Ela não podia escapar-me... não podia. Eu preciso dela, é tudo em que penso. Eu amo-a demasiado, como nunca amei ninguém, não posso perdê-la. Não posso.
Quase 1 hora depois chego a casa. Estaciono o carro no passeio, penso em passar em casa, mas preciso de ver a Bell. Sentia-me tão mal, como se algo tivesse acontecido, algo que não pude controlar. O meu peito bate depressa quando entro em casa e a porta nem sequer está trancada.
Sigo rapidamente até o seu quarto, as luzes eram fracas. Só a luminosidade de lá de fora entrava pelas cortinas escuras do seu quarto. Procuro pelo seu corpo.
O meu peito dói, a minha cabeça para quando vejo o seu corpo fraco sobre o chão. Corro até ela, seguro-a nos meus braços, o seu corpo desmaiado. O sangue corre depressa nas minhas veias quando vejo a sua cabeça cheia de sangue, assim como as laterais da cama. O meu corpo gela e não sei o que fazer.
Eu: Bell. – chamo enquanto dou leves beijos sobre a sua testa. – Amor, acorda. Por favor, não me deixes... – murmuro e sinto lágrimas descerem pelo meu rosto. Não a posso perder, não posso.
Passam-se minutos e continua desmaiada, o seu coração bate devagar sob o seu peito.
Levanto-me, passo as mãos pelo cabelo e puxo-o com força stressado enquanto penso em alguma coisa.
Corro rapidamente até a casa de banho, procuro por uma toalha e remexo em todas as gavetas, assim que encontro uma molho-a com água fria.
Volto ao quarto e seguro a sua cabeça nas minhas pernas. Deslizo a toalha sobre a zona afetada da sua cabeça e não tenho a certeza do que estou a fazer, só espero que ajude. As minhas tremem e o meu peito dói demasiado. O meu coração bate depressa e parece rebentar com o meu corpo.
Eu: Amor...
Choramingo. Não consigo controlar a quantidade de arrepios que me percorrem. A ideia de a perder ultrapassa-me. Não pode.
Continuo a passar o pano frio sobre a sua testa e cabeça desesperadamente. O movimentos trapalhões não ajudavam e silenciosamente choro com isso. Beijo a sua testa, braços, mãos... como se isso fosse ajudar.
Sinto-me o maior idiota do mundo.

***

Bell P.O.V.

Ouço vozes ao longe... beijos largados por toda a minha pele. Uma voz suave, choro...
Xxx: Por favor... Bell... – ouço chorar desesperadamente enquanto a minha cabeça é massajada por uma toalha molhada. – Bebé... acorda, por favor.
Sinto um pouco de água deslizar sobre os meus lábios secos, a minha cabeça dói. Mexo-me e tento abrir os olhos.
Era o Liam. Podia perceber isso pela sua respiração, pelo seu perfume...
Lentamente mexo a minha mão. Consigo chegar até a sua, pousada sobre a minha anca. Aperto levemente os seus dedos, não conseguindo fazer nada mais do que isso. Lentamente tento abrir os olhos, pisco repetidamente, consigo. A minha visão dói e não vejo quase nada.
Liam: Bell... – ele chora e sou recebida por repetidos beijos nas costas da minha mão.
Forço-me a falar.
Eu: Hmm... – gemo. A dor concentra-se na minha nuca, deslizo a mão até lá. – Liam... – chamo, a sua respiração descontrolada...
Liam: D- desculpa amor. Desculpa por não estar aqui... – ele diz e noto a raiva em si mesmo. Aperto a sua mão e levemente massajo-a, tentando acalmá-lo. – Devia ter estado contigo.
Eu: Shhh... – pauso. – eu estou bem... já está tudo bem...
Sou carregada pelos seus braços, as minhas costas descansam na cama. O seu corpo senta-se a meu lado.
Liam: Precisas ir ao hospital...
Eu: Não. – murmuro. – estou bem assim. Fica aqui comigo. – peço – por favor.
A minha voz soa como um murmuro e sinto lágrimas rolarem pelo meu rosto quando me lembro do acontecimento. Vai atormentar-me. A morte deles, vai atormentar-me, para sempre. Só o tenho a ele, a única pessoa que tenho na minha vida, agora... é ele.
O seu corpo deita-se ao lado do meu e as minhas vans são retiradas dos meus pés calmamente. Junto-me lentamente a si, os seus braços rodeiam a minha cintura enquanto as suas mãos massajam a pele por debaixo da minha camisola.
Um beijo é largado no topo da minha cabeça.
Liam: Vai ficar tudo bem...

Continua...
xxPatricia

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