domingo, 15 de junho de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 34 - Old reality


Passada cerca de meia hora ainda lá estava, a Karen contava algumas histórias do Liam quando era pequeno e então percebo que era estúpido desde muito novo. Quem é que pensava que os ursos de peluches tinham vida própria? Ah pois, o Liam.
À medida que o tempo passava mais a minha barriga doía de tanto rir, sem dúvida que a Karen é uma pessoa carinhosa e engraçada... lembrava-me tanto da minha mãe. Eram muito parecidas, não fisicamente, pois são bem diferentes nesse aspecto, mas ainda assim tão parecidas...
Entretanto as bolachas já tinham desaparecido e percebo que a maior parte foi o Liam quem comeu. Não sei como mantêm este corpo...
Olho para o relógio e são 12h. Tenho que preparar algo para comer em casa e ainda não sei o quê... foda-se.
Eu: Bem, acho que vou andando... – admito.
Levanto-me da cadeira em que estava e coloco-me de pé ao lado do Liam.
Karen: Já? Não queres comer aqui querida? – convida.
Embora ficar cá pareça convidativo, tenho muitas coisas que fazer hoje e não posso perder muito tempo. Não posso mesmo.
Eu: Não, obrigada. Tenho muitas coisas para fazer lá em casa. – digo e é verdade. Despeço-me dela e caminho em direção à porta. Ele caminha atrás de mim e para assim que abre a porta. Respiro fundo e lembro-me - Pede desculpa à tua mãe por ontem... – sussurro-lhe ao ouvido. Ele assente e vejo-o mexer-se irriquieto.
Liam: Uhm, sim. – apenas diz. – Queres que vá contigo? Eu não me importo. – vejo-o coçar a parte de trás do seu pescoço e sei que não quer ficar cá em casa. Quer dizer, eu não me importo que ele venha, mas preciso de algum espaço, para pensar principalmente. Algo que não tenho feito muito ultimamente.
Eu: Não Liam. Hoje vais ficar com a tua mãe, vê se não fazes nada errado. – digo.
Recebo um beijo de leve na testa e a porta fecha-se atrás de mim.


***

Preciso mesmo de arranjar um emprego. Para além de passar caralho do dia todo a vaguear pela casa, preciso do meu dinheiro para comprar algumas coisas, principalmente um computador, ou um notebook... depois decido isso. Preciso mesmo.
Talvez o faça agora? São apenas 16h da tarde e as lojas ainda estão abertas... quer dizer, preciso mesmo de arranjar uma vida. Outra que não esta seria melhor...
Pego nas chaves de casa e guardo-as na mochila, e então decido sair pela rua e ir pelas lojas à procura de um emprego. Nada demais. Só que era um “nada de mais” em que eu nunca tinha pensado.
Já se tinham passado horas, e eu estava cansada e angustiada. Um dia sem sucesso, com 17 anos não consigo empregar-me em qualquer sítio que seja sem a autorização dos meus pais. E vejam só? Não os tenho cá; nem mesmo que quisesse.
Chego a casa por volta das 19h, não tenho nenhuma mensagem, muito menos alguma chamada.
Subo até o meu quarto e por momentos lembro-me da noite anterior. É horrível saber que tanto pode acontecer num dia. Foi tão confuso... foram tantas coisas, boas, e horríveis até....
E foda-se, para tudo isto. Para tudo mesmo.
Não, eu não levava uma vida de luxo. Não eu nunca levei. Não, não me lembro de diversão. Mas não, nunca tive uma semana tão estúpida como esta. Só gostava de perceber o que caralho fiz de errado. Só isso mesmo, talvez depois pudesse remediar? Mas no lugar de tudo isso, sei que iria fazer tudo ainda pior, então é melhor deixar como está.
A cama está desfeita, ainda posso sentir o cheiro do seu perfume após a noite anterior e apresso-me a fazê-la. Não posso dizer que odeio o pensamento de estar com ele, mas não posso evitar em dizer que desde que o conheci tudo piorou. Por outro lado, não posso esconder que adoro o facto de ele sempre ter sido tão irritante para mim. Ou então eu ser tão irritante para ele, tanto faz. Só sei que foi assim que ele entrou na minha cabeça, e talvez por isso mesmo ela não saia. 

*** 


Segunda feira. O despertador toca freneticamente ao meu lado e de alguma forma tenho a sensação que vai ser um dia atribulado. Não só pelo facto que vou ter de enfrentar a filha da puta da porteira, mas também porque de algum modo sei que posso sempre voltar a encontrar pessoas indesejadas. Não só indesejadas, mas que me inojam... espero profundamente que o Liam esteja por perto, não consigo imaginar o que pode acontece sem ele por perto. De algum modo sinto-me segura com ele, e é assim que quero ficar.
Desbloqueio o ecrã e marca 6:30h.
Puxo as cortinas e não evito sorrir. Chuva. Tal como eu gosto.
Corro para a casa de banho e trato de tomar banho. A água parecia escaldar sobre o meu corpo, mas os arrepios eram constantes. Não sei porque os tinha. Simplesmente os tinha. Depois de secar o cabelo escolho uma roupa para vestir. Umas jeans pretas e uma sweater preta também, com umas letras brancas que se destacavam, algo que eu acho que podia ler a quilómetros de distância... Por fim escolho calçar as vans que sempre usava, estão demasiado estragadas devido ao uso, mas não consigo desfazer-me delas. Não perco muito tempo com maquilhagem e apenas aplico o lápis preto e um pouco de rímel nas pestanas.
Desço e são 7:30h.
Vou até ao frigorífico mas não encontro nenhuma maçã. Estava quase vazio... não me lembro de comer assim tanto para isso acontecer, mas talvez tenha sido o Liam ontem...
Como umas bolachas quaisquer e procuro pelos livros de hoje para colocar na mochila. Depois disso tenho a certeza que estou atrasada. Novamente.
Corro pela porta e tranco-a o mais rapido que posso. Coloco a mochila nas minhas costas enquanto corro, a chuva batia contra o meu rosto e o vento deixava-me sem ar. O tempo voava e consigo ouvir o toque para as aulas ao longe e sei que estou próximo. Não basta ser segunda feira, ainda tem que acontecer isto. Tenho a certeza que este ano vou emagrecer, não me lembro de correr tanto para ter aulas. Nunca o fiz, nem sei porque o faço agora.
Chego e procuro pela sala. Tenho de entender a tática de me infiltrar no meio de esta gente toda. Vejo um cabelo escuro e comprido e noto pelo visual que se trata da Sally.
Sally: Hey miuda. – ela lança um sorriso quente e tento retribuir. No meio da confusão por causa da chuva vejo um rapaz lentamente se aproximar dela.
Zayn: Hey! – ele sorri e puxa-me para um abraço. É estranho o facto de o ter feito mesmo que não tenhamos qualquer tipo de proximidade. Quer dizer, temos? Afasto-me tentando parecer normal.
Eu: O que é que vão ter agora?
Sally: Bem, eu vou ter Literatura e o Zayn Matemática. E tu? – ela sorri depois de fazer uma careta e pergunta.
Eu: Acho que vou ter de me aguentar com Filosofia... – suspiro.
As salas começam a encher e os corredores esvaziam.
Sally: Ugh, foda-se, não vou à aula.
Ela suspira e di-lo com enorme tranquilidade. Depois de segurar um cigarro na ponta dos dedos um sorriso forma-se no seu rosto, logo vejo o Zayn fazer o mesmo e dar de ombros e mostrar que vai fazer o mesmo que ela. Recuo algum tempo atrás e lembro-me da minha antiga realidade.
Zayn: Vais à aula Bell? – ele ri e empurra o fumo contra a minha boca.
Sally: Fica aqui.
O meu peito dói e, não por estar triste ou sequer irritada. Mas pelo medo de o voltar a fazer, fazer o que mais me destruiu... se não o tivesse feito sexta feira à noite, talvez o Liam não se tivesse irritado tanto, talvez nada daquilo tivesse acontecido e bem, talvez tudo estivesse normal. Mas eu sou um caralho, e tudo o que faço é estragar, seja o que for... quer seja a minha vida, ou a dos outros. Simplesmente não sou boa companhia, e isso rompe-me por dentro. Porque talvez, bem lá no fundo, eu saiba que nunca serei boa suficiente para ele.
Eu: Não. – soa demasiado estranho e parece ainda mais estranho vindo da minha boca. – Não posso... tenho o diretor à perna...
No fundo é verdade e não posso mesmo fazê-lo, a menos claro, que de facto queira ser expulsa. Não que me importasse, mas simplesmente porque fugir aos problemas não é uma boa solução.
Acordar, fumar, foder, fumar, dormir. Repetir.
É no fundo do que se trata o dia a dia que eles levam. Talvez. Não os posso julgar, não os conheço assim tão bem, mas sei o suficiente para perceber que é esta a vida que levam, e é esta a vida que querem levar. Não se preocupam com os problemas dos outros, ou no fundo nem sequer os percebem... nem tentam.
E quando eu penso que não vou julgar ninguém, é na realidade o que mais faço.
Sally: Oh vá lá, fica! – ela implora e dá pulos no lugar enquanto espera pela resposta. – Por favor?
Eu: Sally... – olho para o meu telemóvel – Já se passaram 5 minutos e tenho estado a aturar-te... não achas isso um previlégio? – riu, no fundo melhor do que esperava. Soa até engraçado e não rude como sempre.
Sally: Bem, de facto tens razão... – ela ri e parece pensativa – não vou argumentar contra isso!
Eu: Ainda bem! – sorriu vitoriosa e e guardo o telemóvel no bolso. – Vou andando, vemo-nos depois.
Procuro pela sala e quando entro sou recebida por olhares estúpidos e ameaçadores, vejo uma rapariga ao fundo e reconheço-a logo. Sorriu ironicamente e recebo um revirar de olhos. Estou a arder por dentro e quase julgo que os meus neurónios estão prestes a rebentar de tanta ironia. Oh claro, aquela puta que me enfrentou na minha apresentação. Mas bem, ela perdeu, e é tudo o que importa.
Procuro por um lugar e tem um guardado, bem ao lado do Liam, tal como na primeira semana. Vou até lá e sento-me, enquanto tiro o material ouço sussurrar no meu ouvido.
Liam: Estás atrasada...
Eu: Disseste exatamente isso à uns tempos atrás...
Lembro-me e é como se tivessem passado meses.
Liam: E nessa altura tu odiavas-me...
Eu: Nunca disse que deixei de te odiar... – riu e ele olha-me confuso, mas ria. – Simplesmente, odeio-te de forma diferente... 


Continua...

xxPatrícia


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