sexta-feira, 6 de junho de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 33 - Smooth


*** 


Sinto os olhos pesados, está escuro mas podem ver-se algumas luzes da janela, as cortinas escuras impediam a entrada da luz. As minhas pernas estavam entrelaçadas nas do Liam e sentia-as pesadas sobre as minhas, os meus braços enrolados em volta do seu tronco e a sua cabeça sob a minha. Acordar com ele a meu lado é tão estranho que juro estar a sonhar... apesar de um idiota, agora é o meu idiota.
O Liam dormia calmamente e podia ouvir a sua respiração perfeitamente calma junto ao meu ouvido, adorava ouvi-la, tinha-se tornado um vício. Tento afastar-me do seu aperto sem acordá-lo, as suas pernas prendiam-me a cada momento como se ainda a dormir sentisse a minha falta e riu com a ideia. Tento uma última vez quase me dando por vencida depois de várias tentativas e consigo soltar-me. Olho para o relógio, marcava 8h da manhã.
Contra a minha vontade finalmente consigo levantar-me. Não quero acordá-lo, apenas vou vestir-me e ver se consigo limpar e arrumar os estragos que ele fez no seu quarto, afinal... a mãe dele ainda não sabe nada dele. Mas não parece boa ideia ser eu a contar-lhe que eu e ele agora, estamos juntos... quer dizer, nós namorámos sequer? Agora que penso nisso tudo o que aconteceu parece correr na minha mente. Ele não quer apenas usar-me? Quer?
Varro os pensamentos da minha cabeça ao lembrar-me das suas palavras e encontro impossível ele fazer isto a alguém, não. Ele nunca faria isso.
Sigo até o armário e tento fazer o mínimo barulho possível ao abri-lo e faço-o cuidadosamente enquanto escolho uma roupa para usar e coloco em cima da cama. Entro na casa de banho e tomo um banho, algo que durou cerca de 15 minutos. Enrolo-me na toalha e escovo o cabelo e seco-o de seguida, parece mais brilhante assim como a minha pele que tem um tom ligeiramente rosado nas bochechas. Parecia tao suave... sem qualquer tipo de maquilhagem, nem lápis, nem rímel, nem um pouco de eyeliner... não parecia eu. Tão simples, tão angelical, o cabelo cuidado, suave como uma pena e uma cor cada vez mais forte. Não sei por quanto tempo fiquei a ver o meu reflexo no espelho, mas foi bastante, não parecia acreditar no que via... quase gostava de ver o meu reflexo e foda-se, isso nunca aconteceu antes.
Enrolada na toalha abro a porta da casa de banho com cuidado e vou até a cama.
Liam: Wow – encontro-o sentado na cama, ele exclama surpreso enquanto ria - Que boa visão depois de acordar! – riu com a sua expressão e pego na roupa, ignorando o seu olhar tão intenso sob o meu corpo quase descoberto.
Pelo caminho dou uma gargalhada quando ele comenta sobre coisas estúpidas, e reclama quando não lhe dou um beijo de bom dia. Evito fazê-lo pois sei que  provavelmente corro o risco de não querer sair de perto dele. Visto-me na casa de banho porque apesar de tudo ainda não me sinto bem despir-me em frente a ele.
Quando acabo volto ao quarto e encontro-o sentado na cama em tronco nu com os lençóis a cobrirem as suas pernas.
Liam: Mas não me vais dar um beijo?
Eu: Mas ainda não te calaste com isso? – reclamo enquanto riu, ele parecia uma criança a tentar convencer os pais a comprar um chupa-chupa. Continuo a caminhar e pego em uns ténis pretos. Tinha uma camisola larguinha branca e umas calças justas pretas. Simples, só vou até a casa ao lado e não planeio fazer nada mais do que isso.
Sinto mãos na minha cintura virando o meu corpo repentinamente e então sinto lábios encostados contra os meus rápida e fortemente. Abro os olhos e vejo-o sorrir, deixo um ultimo beijo mais demorado e sorriu.
Eu: Bom dia! – riu – Já estás contente agora?
Liam: Muito melhor! Vês como até podes ser simpática? – ele ri e caminha de volta a cama, aproveito a sua distração e vou até a porta. – Hey espera! Onde vais?
Eu: Só vou fazer umas compras, preciso de alguma comida aqui pra casa! – minto. – Não te preocupes, não demorarei.
Aceno com a mão apressadamente e saio de casa direto à casa dele. Os nervos fluiam por todo o meu corpo, tinha tanto medo de enfrentar a mãe dele depois de ontem... abano com a cabeça e olho até a janela do meu quarto para ter a certeza que ele não olhava. Por sorte não conseguia ver ninguém. Finalmente toco à campainha uma vez e espero por resposta e logo a senhora simpática abre a porta, desta vez com um ar cansado.
Karen: Querida! Estás bem? Aconteceu alguma coisa?
Eu: Não, sim, eu estou ótima! – corrijo – Erm, podemos falar aí dentro? – pergunto.
Karen: Oh sim, desculpa pela bagunça, não consegui fazer nada depois de ontem... – ela diz sorrindo envergonhadamente, podia ver a tristeza que escondia atrás daquele sorriso cansado...
Entro e a porta fecha-se atrás de mim. Por onde é que eu ia começar mesmo? Não vou dizer-lhe que estou com o Liam... ele pode não querer que eu conte já... vou deixar isso de parte por agora.
Eu: Hm bem, eu vim aqui mesmo para pedir desculpa pelo que aconteceu! – digo – a culpa foi minha e devia tê-lo impedido.
Karen: Oh – ela apenas diz.
Eu: Não sei bem o que dizer... vim ajudá-la a tratar da bagunça do quarto dele. Sei que foi culpa minha e tenho que reconcertar isso!
Karen: Não não, de maneira nenhuma! Não quero que te preocupes com isso, já fizeste muito em vir aqui quando te chamei ontem. – ela agradece com um gesto.
Eu: Não. Eu vou tratar de arrumar aquilo tudo e pode me fazer as bolachas do outro dia! – sorriu - Pode ser assim? – ela ri ligeiramente e sei que consegui convencê-la. Não realmente que eu queira as bochechas, mas sei que ela se sentirá feliz com isso e posso então finalmente fazer alguma para ajudá-la.
Karen: Promete-me que me deixas ajudar-te assim que as bolachas estiverem prontas!
Eu: Claro. – não planeeio demorar, então sei que ela não terá hipótese de me ajudar sequer. Sorriu levemente e então subo até o seu quarto.
As poucas vezes que cá estive e nenhuma delas foi boa. Ou por razão boa. Foi horrível até. Espero que isso mude.
Abro a porta do seu quarto e estou a tremer ao lembrar-me do que aconteceu. Ao lembrar o quão duro ele foi comigo, o quão idiota ele conseguiu ser.
Caminho por entre os cacos dos candeeiros partidos e a única luz é a de lá de fora,  a luz do sol tentava entrar por entre as cortinas e estava muito escuro aqui dentro. Penso em abri-la, mas sei que corro o risco de ele me encontrar aqui e não quero isso. Não precisa de saber tudo o que faço, e muito menos porque o faço. Apenas que o faço por ele... na realidade faço-o porque penso que a mãe dele nunca deve ter sofrido tanto num só dia por sua causa, e agora que penso foi tudo culpa minhas não é? Podia ter impedido, se tivesse ficado com ele em minha casa nada disto teria acontecido...
Começo por juntar todos os cacos em um canto e procuro por uma vassoura lá em baixo. Quando encontro coloco tudo dentro do lixo e então o quarto parece mais arrumado. Despacho-me a fazer a cama e puxar os lençóis para cima todos desarrumados... tinham um cheiro incrível e reconheço como sendo o seu perfume. 


***


Quando olho para o relógio no meu pulso já davam 11h. Não pensei demorar tanto, mas agora que vejo já está tudo arrumado. Cheira incrivelmente bem quando lavo o chão depois de o varrer.
Percorro os meus dedos pela enorme quantidade de cd’s que ocupavam toda uma gaveta do seu quarto. Não pensei que tivesse, mas tem de facto um ótimo senso para música. Reparo que bem lá no fundo têm um caderno. Um caderno que ele não queria que ninguém visse, por estar tão bem escondido... penso em abri-lo e ler... mas não seria certo. Oh claro, o que é que ele faz quando está sozinho em minha casa? Oh certo, mexe nas minhas coisas! Logo, ler a porra de um caderno pode não ser má ideia.
Estava prestes a pegar nele quando ouço a baterem à porta. Digo para entrar assim que acabo de colocá-lo de volta no sítio.
Karen: As bolachas estão mais do que prontas! Desculpa não ter vindo cá, recebi um telefonema muito importante e tive de atender. – ela desculpa-se e dou graças a deus pela existência do telefonema.
Eu: Não tem problema. Já está tudo arrumado agora! – sorriu quando olho de volta e está de facto em ótimo estado. Talvez seja a única coisa que sei fazer bem.
Karen: Oh querida, obrigada, não era preciso! – ela sorri agradecida, é bom vê-la assim.
Descemos as escadas e ela oferece-me as bolachas, estavam tão boas como da outra vez.
Karen: Sabes, acho que és a rapariga mais encantadora que o Liam trouxe cá a casa. – admite.
Engasgo-me com a minha própria saliva. Quer dizer que ele já cá trouxe outras raparigas é isso? A raiva parecia fluir por todo o meu corpo, saber que provavelmente ele já lhes tocou como me tocava ontem dava-me enjoos que não conseguia controlar e uma fúria ainda maior. Quer dizer, ele pode ter as raparigas que quiser, mas ele agora é meu. Não vou deixar que me roubem isso.
A porta bate e vejo um corpo musculado entrar.
Liam: Hey  – ele sorri – Mas que surpresa...
Oh boa.
Liam: O que é que se passou aqui? – ele pergunta rindo.
Eu: Sabes o que a tua mãe me disse? – lembro-me. – Estava a dizer que sou a rapariga mais encantadora que tu já trouxeste cá a casa! Foram muitas não? Eram bonitas?
A sua mãe ri, não tanto como ele... sinto-me o centro das atenções e espero que não se estejam a rir do que eu disse mesmo. Quer dizer, era alguma mentira?
Liam: Oh, não sejas ciumenta. – ele atira e ri enquanto pega em uma bolacha e a leva à boca. Karen resmunga alguma coisa sobre serem para mim mas ele ignora.
Eu: É verdade ou não? – ignoro a sua resposta, que na realidade não me deu resposta a nada...
Liam: Eram... – ohh a raiva escondia-se atrás de um sorriso falso que se formava no meu rosto – mas nenhuma como tu.
Um sorriso envergonhado forma-se lentamente e o meu coração palpitava mais depressa com as suas palavras. Sentia-me quase especial e então percebo o quão adorável ele foi, mesmo com a sua mãe aqui... talvez el
e esteja a assumir que temos alguma coisa?


Continua...

xxPatrícia


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