sábado, 28 de junho de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 8 - Tonight



Mel P.O.V. 

*** 

A noite acabava de cair, ainda andava desorientada pelas ruas estreitas daquele bairro, o ar encontra-se demasiado frio provocando alguns choques no meu corpo, sinto-me mesmo um pouco abalada com a diferença de temperatura que agora se fazia sentir. Uma sensação desconfortante fazia-se sentir no meu estômago, não comia nada desde que saí de casa hoje. Já era noite fechada, as luzes que se refletiam para a estrada eram muito poucas aquela hora... encontrava-me sem destino, estava simplesmente guiada por um sentimento que nem eu mesma poderei explicar.
A lua é tudo o que consigo ver no céu e de vez enquanto uma ou outra estrela vai surgindo. Puxo os punhos do meu casaco para a frente apertando-os nas mãos e coloco o capucho para manter-me mais quente, sinto o rosto ainda húmido das lágrimas e depressa o dia de hoje volta à minha mente, relembrando-a de tudo. Olho para o fundo e recordo-me daquele lugar, os altos candeeiros iluminando um terreno vedado por redes e muros, desta vez os barulhos eram escassos. Logo ouço gargalhadas altas, volto-me para trás e vejo um grupo de rapazes saírem de uma casa, reconheço um dos corpos sem qualquer dúvida, Tyler. Não sei o que estiveram a fazer mas literalmente pareciam estar bastante alegres. O meu coração bate lentamente por momentos, queria correr até ele e perguntar onde está toda a preocupação dele nestas alturas! Nem uma mensagem, uma chamada, nada... e depois acha que tem maturidade para cuidar de mim?
Um dos rapazes começa a correr na direção de uma rapariga do grupo, sentia os passos pesados de todos eles aproximarem-se cada vez mais de mim, mais gritos seguidos de gargalhadas... praticamente nenhum deles estava no seu perfeito juízo. Mordi o lábios sentindo-os mais perto e simplesmente voltei o meu corpo para o lado ficando de costas para eles, peguei depressa no telemóvel fingindo estar a ver alguma coisa. Eles ficavam cada vez mais longe, as lágrimas apoderaram-se novamente de mim. O meu irmão... ele nem sequer quer saber, então quem iria querer?! Encosto-me sobre um dos muros que cercava o campo de treino, abracei as minhas pernas contra o peito e abafei o rosto entre os braços.


Zayn P.O.V. 

Agarro o meu saco colocando a sua alça sobre o meu ombro, saiu do campo e a primeira coisa que visualizo é uma rapariga a poucos centímetros de distância de mim, a sua cabeça estava baixa e as pernas encolhidas contra o seu peito. Apercebo-me dos cabelos longos que saiam pelo seu capucho, as roupas que vestia, era impossível não reconhecê-la. Caminho lentamente para junto de si e baixo-me apoiando os meus cotovelos nos joelhos fletidos, ela não nota a minha presença. Deslizo os meus dedos por uma das suas mechas de cabelos afastando-a um pouco e permitindo-me observar agora o seu rosto calmo. O meu polegar acaricia a sua pele suave e gelada, olho em volta observando se alguém estava ali ou nos olhava. Nada. Ela estava ali completamente insegura sem ninguem a olhar por ela. Coloco a minha mão atrás da sua cabeça e outra nas sua pernas puxando-a para mim e colocando o meu corpo por baixo do seu, as suas pernas pousam delicadamente sobre as minhas e ela rapidamente se aconchega ao meu corpo, os seus cabelos estendem-se sobre o meu abdomen, envolvo os meus braços em sua volta apertando-a contra o meu peito procurando mantê-la quente. Eu sei que ela me odeia neste momento, mas... por alguma razão eu não a odeio e não quero deixá-la!
Sinto as temperaturas do meu corpo baixarem cada vez mais, tudo o que cobria o meu corpo era um t-shirt branca, uns calções azuis escuros e as vans escuras que pouco aqueciam os meus pés frios, uma forte dormência instalava-se sobre as minhas pernas e braços, sentia-me cansado... Passava-se uma hora, as ruas estavam totalmente escuras e vazias, tremores violentos e incontroláveis percorriam os meus membros, a minha pulsação estava mais fraca e a minha respiração mais lenta do que o normal, sentia-me estremecer a cada segundo contudo tentava manter-me tenso para que ela não acorda-se, os meus lábios não conseguiam manter-se fechados, o ar que escapava deles formava leves "nuvens" brancas que quebravam no meu rosto. Bati de olhos com um papel preso entre os seus dedos finos, a minha mão trémula direcionou-se para ele, talvez não o devesse abrir mas fi-lo.
"Mundo? Posso ter pelo menos um pouco da tua atenção agora? Perdoa-me se sou demasiado jovem para te entender, mas por enquanto todos os enigmas que lançaste na minha vida são incompreensíveis ao meu olhar, à minha alma ... Sabes, há alguém de quem sinto realmente falta, eu achava que ele poderia ser a melhor metade de mim, mas simplesmente me apercebi hoje de que estou no lugar errado tentando fazer o certo quando isso é impossível! O Tyler, bem ele era tudo o que me restava e o meu "tudo" se transformou agora num "nada"... e apenas resta ele, ele de quem eu tenho medo de todas as suas ações, de quem eu receio cada passo! Há uma guerra, eu já me apercebi disso mesmo que todos me tentem escondê-lo, mesmo assim eu vejo luz... eu e ele... a luta por ele é tudo o que eu já conheci! Tudo o que podemos ser, é isso que deveremos ser, e por isso eu preciso dele aqui! O que os meus lábios dizem não passam de meras palavras de mágoa, porque eu não consigo deixar de querer tê-lo por perto mesmo estando magoada! Encontra-me e salva-me hoje à noite... "
O papel voou das minhas mãos sem que pudesse ler as últimas palavras. Limitei-me a mover a cabeça com dificuldade e a minha boca beijou a topo do seu rosto. Fechei os olhos, mal sentia o meu corpo, era como se ele não me pertence-se mais e fosse apenas um cubo de gelo.


Mel P.O.V. 

Começava a abrir os olhos aos poucos enquanto sentia os raios de luz penetrarem em mim, olhei em redor e haviam já algumas pessoas a circular, pela intensidade do sol deveriam ser umas sete e meia da manhã. O meu corpo estava quente o que era estranho porque a note me Bradford é gelada... ontem, senti alguém ao meu lado mas, mas agora não havia ninguém ali por isso provavelmente seria impressão minha. Recordo-me do papel que escrevi e ele não estava mais comigo, deveria ter voado à noite quando adormeci. O dia de ontem volta à minha mente... O que me assusta realmente é o que o Zayn é capaz de fazer! Levanto-me e logo choco contra alguém mas sinto as sua mãos fortes ampararem o meu corpo, olho para o seu rosto...
Eu: Ohh desculpa! - falo atrapalhada. Alguns ferimentos ligeiros ainda se arrastavam pelo seu rosto pálido, uma sensação estranha penetrava o meu coração diminuindo as suas batidas mas acelerando-nas repentinamente de vez em quando.
 Kail: Calma, calma babe! Estou bem - a sua voz calma acalma-me.
Eu: Kail, responde-me a verdade. Foi o Zayn não foi? - vejo os seus lábios se moverem com receio, luta para que a resposta seja um não apesar de saber que sim, foi o Zayn.
Kail: Sim - as lágrimas regressam e voltam a percorrer a minha face, sentia-me a desmoronar, uma mágoa apoderava-se de mim mesmo eu tentando não me importar e ignorá-la. O meu corpo é instalado entre os seus braços - Mel talvez a culpa não fosse só dele ... v-vai ficar tudo bem ok?! Esquece isto! - as suas palavras reconfortam-me, afasto-me de si voltando a olhar o seu rosto, um pequeno sorriso é esboçado nos seus lábios carnudos, a sua mecha azul de cabelo parecia tornar-se um tom mais claro à medida que o sol incidia nela.
Aidan: Avisa o teu namorado que tenha mais cuidado estes últimos tempos! - uma voz rouca sooa mesmo junto ao meu ouvido, sinto até o seu bafo quente bater na minha pele, volto-me ficando de frente para ele.
Eu: Isso é uma ameaça?? - pergunto firme avançando para ele.
Aidan: Entende-o como quiseres!
Kail: Chega Aidan! - ele coloca-se do meu lado, o seu braço contra contra o meu e sinto alguns choques eletrizarem-me. Aidan esboça um sorriso sarcástico.
Aidan: Conseguiste escolher o maior filho da puta da zona princesa! - quem é que ele julga que é para falar daquela maneira??
Eu: Cala-te - gritei empurrando o seu peito.
Aidan: E tu julgas o quê?! - os meus pulsos são violentamente arrastados contra ele - Que sou o idiota do teu namoradinho para me falares assim?! - a sua voz é fria e raivosa.
Eu: E tu achas-te quem para falar assim dele porra?? Talvez o maior filho da puta aqui sejas... - o meu braço é puxado para trás e não acabo a frase, vejo a maneira como Aidan me olha com ódio, a mão de Kail encontra-se sobre o seu peito pressionando-o para que ele não avance na minha direção.
Kail: Chega, calem-se os dois! - ele grita colocando-se no nosso meio e voltando-se seguidamente para mim - E tu, vai embora! - os seus olhos não me encaram, limitei-me a rodar o corpo e ir embora.
Davam agora oito horas, as minhas aulas hoje só começariam às onze por isso tinha tempo de ir a casa. As temperaturas eram agora mais quentes a esta hora da manhã, fiz o caminho calmamente, afinal, tinha tempo. Sinto mesmo falta... e acho seriamente que essa força se começa a apoderar de mim, hoje à noite tenho quase a certeza que o senti ali comigo e... na verdade é só falta dele! Nunca lhe disse o que deveria ter dito. Escondi isso de mim mesma. Agora, eu nem acredito que ainda o quero, que sinto saudades, que me sinto desamparada sem ele, mesmo depois de tudo! Ele torna difícil eu conseguir ver onde pertenço, porque até pode ser o lugar errado para mim mas só o facto de ele pertencer a esse lugar já torna qualquer outro sítio errado. Quando não estou à volta dele ... é como se estivesse sozinha. Visualizo o visor do telemóvel, cinco chamadas não atendidas do Tyler. Suspiro e continuo o caminho enquanto digito uma mensagem para o Tyler.
"Está tudo bem comigo não te preocupes. XxMel" 

*** 

Respirei fundo antes de entrar para o descampado onde treinava a equipa de rugby. "Mel talvez a culpa não fosse só dele"... Sabia que ele ia lá estar certamente, eu só queria ouvi-lo contar o que aconteceu com o Kail, queria que me mostrasse que não é nenhum monstro! Entrei, haviam bastantes rapazes da escola espalhados pelo local inclusive o Tyler que treinava no fundo do campo. Senti uma mão pousar sobre as minhas costas e um leve beijo ser depositado sobre a minha bochecha.
Louis: Oi beleza! - ele sorri e continua a correr para o meio dos outros, levanto a mão acenando e esboço um sorriso também. Observo um dos rapazes que se encontra numa das pontas do terreno, aproximei-me dele. Ele chutava as bolas com uma intensidade incrível enquanto o seu olhar permanecia sempre na trajetória que a bola que chutava fazia. Podia perceber o quão forte ele era, a sua pele suada brilhava quando os raios de sol incidiam nela, vejo os seus calcanhares rodarem para trás e o seu olhar focar-se em mim tornando as minhas palpitações mais rápidas.
Zayn: O que é que estás aqui a fazer? - perguntou indiferente...


Continua...
xxAndy

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