sábado, 21 de junho de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 7 - Alive



Mel P.O.V.

***

Acabava de sair de casa, eram 8h.30min, reparei num corpo encostado à parede, não me era nada estranho, visualizei melhor e... Kail?
O meu corpo tomou um impulso correndo para junto dele, sabia que era uma escolha totalmente errada mas também não conseguia mostrar-me indiferente e ignorar a presença dele!
Tinha o rosto ferido tal como o Zayn, apesar do seu estar em pior estado e as roupas completamente sujas. Parei à sua frente o seu olhar subiu aos poucos até chegar a mim... Ele deixava-me incontrolavelmente desconcentrada, eu estava a fixar cada ponto seu... a minha cintura é arrastada contra parede...
Kail: Porque é que ontem estavas naquela festa? - perguntou rude, a força com que o meu corpo é pressionado na parede impede-me de fazer qualquer movimento, os seus músculos tensos exercem demasiado força sobre mim causando até alguma dor, forço-me a não deixar um gemido escapar-me dos lábios mordendo-nos.
Eu: É a minha vida, não tenho que te dar justificações dela! - respondi mas logo no segundo a seguir arrependo-me da forma como o fiz, a sua respiração acelera e torna-se mais pesada ... luto para me manter firme quando tudo o que queria era soltar as lágrimas que preenchiam o meu olhar.
Kail: Esse é o teu ponto de vista, agora responde à minha pergunta! - o seu olhar foca-se mais ainda no meu, estremeço. Ele era completamente assustador... a maneira como os seus olhos penetravam os meus, a pressão que exercia sobre os meus músculos. - O que estavas a fazer lá caralho?? - ele grita.
Eu: Deixa-me em paz! - falo calma, mas a minha voz mais que saiu como um sussurro, olho para o chão desviando o meu olhar do seu.
Kail: A primeira pessoa a quem devias pedir isso é a que está mais próxima de ti... pensa nisso! - a suz voz sai rouca e... fria.
Eu: De quem é que estás a falar? - a minha voz falha. Prevejo a sua resposta mas mesmo assim pergunto...
Kail: Sabes tão bem essa resposta Mel! - ele sussurra contra o meu ouvido e afasta finalmente o seu corpo do meu voltando as costas.
Eu: KAIL! - chamo-o - O que é que te aconteceu??
Kail: Pergunta-lhe, ele sabe dizer-te o que fez! - Foi o Zayn? Afinal quem era ele? Agora mais que nunca sentia-me perdida, a única pessoa de quem me consegui aproximar era capaz de deixar alguém naquele estado?!

Zayn P.O.V.

Porque é que ela não atendia o caralho das chamadas?
Atirei o telemóvel para cima do sofá e apertei as minhas mãos por trás da cabeça contra o cabelo, tentando controlar a raiva que inundava o meu corpo. Ela nem sequer apareceu na escola agora de manhã ... Onde estava então?
A minha respiração torna-se mais acelerada e pesada, os meus músculos cada vez ficavam mais tensos, dou um chuto no sofá atirando algumas das almofadas para o chão e solto um grito de frustação enquanto puxo os cabelos. O que é que eu ia fazer, nem sabia onde ela estava!
Agarrei bruscamente o telemóvel colocando-o no bolso da casaca e tirei um cigarro acendendo-o à medida que saía a porta de casa e ia até ao carro. Nem mesmo o ar fresco ou o cigarro me deixavam mais calmo ou relaxavam o meu corpo... porque é que eu estava assim tão preocupado com ela? Oh foda-se!
Liguei o carro sem conter o impulso de o meu pé pisar o acelerador, arranquei em velocidade e segui o caminho até casa dela. Ela estava sentada no passeio sem sequer ter entrado em casa, travei o carro indo até ela em passos largos. Só queria gritar com ela, estava a explodir de raiva, nem uma puta de uma chamada ela me atendeu, então estava o quê? A gozar com a minha cara?!
Á medida que chego mais perto dela, vejo várias lágrimas cairem dos seus olhos... os meus nervos parecem desaparecer e tudo o que consigo sentir agora é preocupação. Acho que ela sente a minha presença e logo se levanta limpando o rosto com o punho da camisola, a sua boca fecha-se mas não consegue impedir que alguns soluços vão saindo dela enquanto o seu choro se torna mais intenso. Os seus olhos ainda nem sequer se tinham direcionando para mim, parecia que ela fugia... tinha medo! Tento me aproximar lentamente e tocar seu ombro mas ela logo se desvia.
Eu: Mel - tento que ela me olhe e consigo, mas tudo o que vejo é o seu pequeno rosto ser percorrido por mais lágrimas.
Mel: Afasta-te de mim! Como é que pudeste fazer aquilo? Afinal quem és tu Zayn?! - a sua voz é preenchida de mágoa, eu apenas me questionava sobre o que ela estava a falar e o porquê de se estar a afastar de mim como se tivesse medo que a tocasse!
Eu: Aquilo? Do que é que tu estás a falar? - franzi as sobrancelhas confuso.
Mel: Tu sabes do que estou a falar, falso! - ela soluçava fortemente, contenho-me para não gritar, nem explodir naquele momento... - És um cobarde sabes? - senti as minhas veias pulsarem e a velocidade que o sangue as corria era alucinante, podia até senti-lo em cada parte do meu corpo que ficava agora mais quente.
Eu: Mede as palavras que usas comigo entendeste? - gritei - E agora vais-me dizer de que merda estás a falar! - falei ainda mais alto agarrando o seu braço e puxando-a para mim, mais gotas de água inundavam o rosto dela. A minha raiva assumia agora o controlo sobre mim e não controlava os meus implusos nervosos.
Mel: Solta-me e... n-nunca, mas nunca mais me voltes a tocar! Finge que eu nem sequer existo... aliás, nem finjas, porque eu para ti não existo mesmo! - ela solta-se inesperadamente dos meus braços, as palavras escapavam dos seus lábios misturando-se com as lágrimas que insistiam em escorrer pelos seus olhos... uma necessidade de abraçá-la, segurá-la nos meus braços...
Fico a imaginar como ela estará, onde, com quem... ela apareceu e trouxe-me tantas expectativas só nestes poucos dias que cá está, o tempo passa e eu começo a habituar-me à sua rotina, sentia que ela tinha tirado, não por completo, mas uma parte dos pesos que carregava, os momentos do passado que não queria lembrar. E hoje? Acho que a realidade se encarregou de cair sobre mim, e cada momento que olho para ela só me pergunto o porquê... porque me liguei a si e porque agora não consigo quebrar a ligação!
Os meus olhos ardem e a minha voz parece desaparecer, vejo o seu corpo correr, não consigo ter reação e simplesmente me encosto à parede atrás de mim, o meu corpo desce lentamente provocando alguns arranhões na minha pele, deslizo a palma das mãos pela pedra rugosa fazendo pressão, tento normalizar a minha respiração e acalmar as palpitações que pareciam rebentar no meu peito.
Filha da puta de vida, às vezes sentia-me mesmo sozinho, parecia que todos só sabiam julgar-me, eu tinha que ser sempre o rapaz forte, que não sofre, que segura o mundo nas mãos... Foda-se sou humano! O meu ritmo cardíaco ameniza aos poucos, mas ainda posso sentir o coração pulsar, levantei-me e dirigi-me até ao carro.
Cheguei a casa, mal abri a porta ouço a minha mãe chorar... um peso parece cair sobre mim, escondi-me para que ela não me visse... os seus dedos seguravam uma moldura com uma foto nossa, fico apenas a observá-la e a sentir-me a pior pessoa do mundo! Pouco tempo depois ela adormece, entro e fecho a porta, fui até ao sofá e fiquei uns segundos a olhar para ela agarrando a nossa foto contra o peito, involuntariamente baixo-me e deslizo os meus dedos sobre a sua pele molhada limpando uma lágrima presa na sua bochecha, beijo o topo da sua cabeça.
Eu: Eu sei que não o demonstro, mas eu amo-te mãe! - sussurro contra os seus cabelos deixando um suspiro cair sobre os meus lábios. Elevo o meu corpo novamente e volto a sair de casa silenciosamente. Tinha que descarregar a minha raiva, libertar o meu corpo... não tinha droga em casa, mas tambem acho que não era isso que me faria melhor neste momento!
Ia treinar, já algum tempo que não aparecia no campo de treino aqui em Bradford. Abri a porta do carro saindo, o Louis já estava lá, caminhei até ele que deu um último bafo no cigarro antes de eu chegar a si.
Louis: O que é aconteceu ontem com o Kail?
Eu: O mesmo de sempre! Aquele filho da puta sabe como me afetar, sabe qual é o meu ponto fraco!
Louis: Tens que aprender a controlar-te, viste como o deixaste? Quase que o matavas Zayn!
Eu: E depois? O que é que ele fez comigo? Isso não conta, será que toda a gente só sabe olhar pro que eu faço de mal?!
Louis: A Rebecca é passado, esquece-a, tira-a da cabeça! Ou vais viver a vida toda a julgar-te pelo que aconteceu?
Eu: Dois anos Louis, achas que ultrapasso assim?? - baixei a cabeça... era como se quando tocasse no nome dela as memórias voltassem todas.
Louis: E a Mel?! - olhei-o mas não disse nada - Hoje de manhã vi-a a falar com o Kail! - engoli seco. As peças começavam a encaixar...
"Como é que pudeste fazer aquilo??" ... boa mais uma vez o Kail ganhou, conseguiu que ela ficasse do lado dele!
Eu: A Mel ... para quê?! Para o Kail a tirar a ela também de mim como já fez no passado com a Rebecca?
Louis: Sabes, ainda estás preso no passado e esse é o teu grande entrave. Liberta-te dessas amarras! Está na hora de seguires em frente, lutares por coisas novas e esqueceres aquilo que te fez sofrer! Deixa de pensar que tudo vai correl mal, o que não te mata só te torna mais forte, faz-te um lutador, mais um passo para veres a luz... Não te deixes vencer mano! - ele colcoca a sua mão sobre o meu ombro e tudo o que consigo fazer é olhar o nada e deixar que as suas palavras ecoem na minha mente.
Se eu hoje estava um paneleiro?! Sim, mas que se foda, alguma vez eu tinha que ir abaixo! A discussão com a Mel, a minha mãe... o Louis tinha razão e ele mais que ninguém conhecia-me, o Liam, a Caroline e a Nicole, acho que são as únicas pessoas que verdadeiramente ainda não me desconhecem! Dei um sorriso falso e entrei dentro do campo de treinos, as luzes já estavam acesas mesmo não sendo ainda totalmente noite, peguei numa das armas... queria disparar, esquecer por momentos este dia, apontei o cano em direção a um dos alvos pendurados num muro .. rapidamente ouvi os gritos de Edson aproximarem-se de mim. Ele era o meu treinador, tinha cerca de uns vinte e dois anos, treinava com ele desde os meus oito anos.

***

Tinham-se passado duas horas.
Edson: Em que é que estás a pensar?? Concentra-te no alvo! - gritou furiosamente, juro que não suportava mais ouvir a voz dele hoje! Pensar, não quero, contudo não consigo deixar de fazê-lo! Penso em tudo, em como um tudo se torna num nada... pensar em nada é pensar em algo e eu não quero, quero apenas abstrair-me.
Fecho os olhos, tento apagar qualquer tipo de pensamento, não quero saber de nada, se o sol sai ou se oculta, não há diferença em nada que aconteça! Nada. O meu corpo não tinha vontades... ou as vontades esqueciam-se do meu corpo! O passado pode levar tudo de nós com ele, e depois sobre o nada... ainda me magoa, tortura cada particula. Faz-me carregar um vazio que se tornou um amigo intimo, um buraco. - Atira! - ele ordena, pressiono o gatilho o barulho da bala bater na parede ecoa na minha mente . - Falhaste outra vez! - grita, recarrego a arma ignorando o que ele me diz. Eu não tenho força caralho, não tenho... o passado pesa-me como uma condenação, não encontro sentimentos, só pele e osso! É isso que resta. - Agora! - outro tiro falhado. - O que é que se passa contigo hoje!
"Mel: Afinal quem és tu Zayn?!" ... "Trisha: Tem esperança em quem tu és!"
Esperança? O que espero mesmo desde aquela noite é a morte, porque nao há realidade mais certa que a morte! De repente sinto o meu corpo ser bruscamente virado para o de Edson. Bate o punho no meu peito desiquilibrando-me um pouco e rapidamente puxa pela t-shirt apertando-a no seu punho cerrado.
Edson: Olha para ali! - ele vira o meu corpo bruscamente, fazendo-me bater de olhos com o alvo e sem me largar. - Agora foca-te Zayn! - foquei o meu olhar na pequena bola vermelha, o suor dificultava a minha visão tal como o cansaço - Quando as paredes ao teu redor estão a desmoronar, quando já não resta nada... Os erros desorientam-nos até nos deixarem paralisados... - o meu ritmo cardiaco ia acelerando à medida que ele dizia friamente aquelas frases que resumiam a minha vida, provocam raiva dentro de mim. - No que é que estás a pensar? - a sua voz sai firme.
Eu: Passado! - o meu olhar mantinha-se fixo no alvo que tomava agora forma de memórias. O ar está mais quente, pesado, sufocante agora do que anteriormente. O campo estava quase vazio nesta hora, não faço ideia do que ainda estou ali a fazer, suspiro e o ar quente da minha boca escapa pesadamente entre os meus lábios.
Edson: Porquê? - ele faz mais pressão sobre o meu peito. Sinto a arma deslizar sobre o meu braço e encaixar-se na minha mão, não descolo os olhos do alvo posso até sentir raizes de sangue se formarem neles.
Eu: Porque ela destruiu a minha vida aquela noite! - a minha voz enche-se de raiva e mágoa. Rebecca. Milhões de coisas passam pela minha cabeça naquele momento, mas uma, uma me faz ganhar forças. O seu braço solta-me e involuntariamente levanto a arma disparando!. Uma gargalhada rouca seguida de palmas pesadas.
Edson: Afinal estás vivo! – sorrio... o meu primeiro sorriso verdadeiro hoje! Agarro uma toalha limpando o rosto e bebo um pouco de água. - O que é que te fez ultrapassar a raiva do passado? - olhei-o confuso - Quando disparaste, não estavas a pensar no que te matou, estavas a pensar em algo que te mantém são! - Mel ...

Continua...
xxAndy

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