sábado, 31 de maio de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 32 - Flash


Liam: Tu acabaste de me chamar idiota? – ele pergunta e vejo-o esfregar com um punho um no outro enquanto no seu rosto se via um sorriso como quem estava a planear alguma?
Os seus passos caminham na minha direção e vejo um sorriso meio doido formar-se na sua cara e a primeira coisa que me ocorre é fugir. A força nas minhas pernas é de doidos comparando com aquele horrível dia e pelo caminho livro-me do casaco deitando-o para o chão, tropeçava nos meus próprios pés repetidas vezes e cada uma delas ouvia gargalhadas seguirem-me. Estou no topo das escadas e posso ter visão dele a correr na minha direção enquanto subia de dois em dois degraus rapidamente, demasiado rápido até. Quase juro sentir o chão tremer com a velocidade e a investida pesada nas suas passadas. Sinto-me numa corrida mortal de carros em que a velocidade é crucial entre vida e a morte. Só que neste não havia morte. Apenas paragens cardíacas que ele me provoca a cada momento que o olho diretamente. Nunca me vou habituar a isso.
Corro até o meu quarto e não consigo evitar as risadas que se formavam cada vez que o ouvia gargalhar atrás de mim. Entro rapidamente e os meus pés escorregam, sinto-me cair mas apoio-me na porta e tento fechá-la atrás de mim, até que vejo um pé impedir a minha desesperada tarefa de fuga e posso sentir a força que ele fazia contra a porta e a abria, ele ria e grunhia um pouco até com a força com que empurrava. Conseguia ouvir a sua respiração alterada enquanto empurrava o seu corpo contra a porta. Julgava-me mais forte do que realmente sou... ele acabou por abri-la com muita facilidade até, quase me esmagando contra a parede. Escondo-me atrás desta e ouço os seus passos seguidos pela sua respiração nem perto de tão ofegante como a minha...
Liam: Bell. – ele chama enquanto seguro a porta para que seja impossível ele ver-me. Mas o certo é que a única coisa impossível agora é ele não encontrar-me... estou demasiado exposta, e o pior, não consigo parar de rir e fazer barulho com os pés... costumava ser tão fácil controlar o riso, até tinha de fingir um. Porque é que agora que preciso de parar não consigo? Ugh, que estúpido não? Porquê parar de rir? Afinal, a parte mais engraçada da brincadeira até que é a caça... torna tudo mais tenso mas claro... mais interessante. - Anda lá babe... – ele ri e sinto um leve aperto no coração quando ouço a voz cada vez mais próxima. – Eu já te encontrei... – ele diz e ouço algo que se parece com um riso, mas tão rouco... encolho-me ainda mais, o espaço é pequeno demais mas não me impede de ganhar esta batalha. Sou descoberta e logo vejo o corpo dele aparecer e ocupar todo o meu campo de visão. O meu corpo é puxado pelo seu braço forte e a minhas costas embatem com a porta agora fechada.
Os risos continuavam mas à medida que o seu rosto se aproximava do meu sentia um nó formar-se na minha garganta, cada vez que sentia a sua respiração perto da minha baralhava-me nos pensamentos, cada vez que sentia o seu toque todo o meu corpo parecia ser eletrificado por dentro. Tento manter o meu olhar no seu mas parece que me enfraquece, olho para baixo e vejo os seus lábios, e então aí é mortal...
Liam: Babe? – ele sorri. Talvez com a minha falta de atenção. Foda-se, porque é que ele não se cala e me beija de uma vez? Os seus lábios roçavam nos meus enquanto ele murmurava coisa que não queria nem saber. Oh, que tortura. Saber que agora posso tocar-lhes, e estando tão perto de poder beijá-lo realmente, mas não conseguir... quer dizer, eu consigo, mas é como se alguma coisa me impedisse de fazê-lo.
Eu: Hmhm... – murmuro lentamente e percebo que ele abria a sua boca fazendo a minha abrir-se ao mesmo tempo. Foda-se. - Não. – não, não, não. Isto vai ser mau, sei que sim, sei que me vou entregar por completo e não quero isso no primeiro dia!
Escapo por entre os seus braços e sigo apressadamente até a cama, o quarto parecia em fogo, o meu corpo parecia incendiar e o meu coração parecia querer formar uma festa dentro de mim, sentia-o aos pulos constantes e o sangue correr pelas minhas veias de forma rápida. Como, mas como é que depois de o conhecer à tão pouco tempo ele tem este poder em mim? Não. Simplesmente não cabe na minha cabeça. É impossível.
Liam: Porque não? – novamente os seus passos vinham na minha direção, tornando tudo demasiado confuso. Deixava ou não? Foda-se, eu queria tanto. Nunca quis nada tanto na minha vida. Vejo-o puxar o casaco pelos braços deixando-o com apenas uma camisola branca justa. Muito justa até, que, devido à chuva, estava toda molhada, colando-se totalmente ao seu corpo perfeitamente esculpido permitindo-me uma ótima visão do seu abdómen. A cada passo em frente seu era um para trás meu... até que certa altura já não tinha nada mais, a não ser parede. E então vejo-o erguer os braços e puxar a camisola molhada, dando uma nitida visão do seu corpo.
Eu: Liam. – chamo – volta a por o caralho da camisola! – ordeno mesmo sabendo que isso me deixava desnorteada. Ele ria enquanto avançava cada vez mais...
Liam: Oh vá lá. Ambos queremos isto... - o seu corpo colava-se no meu totalmente impotente, o seu abdómen encostava-se propositamente contra o meu peito e a minha respiração falhava, sentia-me hiperventilar... – Estás bem? – ele ri.
Eu: Não, não estou bem. – afirmo - Disse-te para vestires o caralho da camisola mas tu não me ouves. -- digo nervosa e assim que tenho hipótese fujo por entre o pequeno espaço dos seus braços. Porra, eu devia estar a ter a melhor noite da minha vida mas não, estou para aqui a fugir de um deus! E foda-se, que deus...
Ando apressadamente, à velocidade do bater do  meu coração, tento abrir a porta, mas esta fecha-se brutalmente e vejo um pulso forte pressionar-se contra ela.
Liam: Bell...
Estremeço por dentro, fecho os olhos e concentro-me na minha respiração. Tento acalmá-la. Desesperadamente tentava acalmá-la, até ela me incomodava agora.
Sinto uma mão apertar a minha cintura enquanto levantava a minha camisola, os seus dedos percorriam a minha barriga... todo o meu corpo se arrepia quando sinto um beijo ser depositado calma e suavemente no meu pescoço. Automaticamente chamo pelo seu nome, recebo um outro beijo, mais forte como resposta.
Eu: Liam... – murmuro. Sou encostada contra a porta e o seu peito bate contra as minhas costas, o meu cabelo é arrastado para um só lado e a minha cabeça é inclinada para o meu lado esquerdo, então ele tem a oportunidade de morder. Os seus dentes cravam contra a minha pele e os seus lábios chupavam a minha zona mais sensível, sentia calafrios e uma sensação desconfortável no fundo da minha barriga e foda-se, eu sabia exatamente porquê. Ouço repetidos sons do fundo da sua garganta enquanto o fazia e cada vez apertava mais o meu corpo contra a porta, pressionando-se contra mim desesperadamente. Começava por doer agora, cerro os olhos e gemo um pouco, mas era um misto de dor e prazer, tornando tudo tão difícil, e irresistível...
O ar prende-se no fundo da minha garganta assim que sinto as suas mãos apertarem com força e a minha cintura subir arrastando-se pela porta quando ele me vira para si, nos seus braços eram mais que evidentes os músculos enquanto ele me prendia, o seu olhar era escuro, olhos totalmente dilatados e escuros, quase pretos, era quase assustadora a forma como ele me olhava com tanto desejo, nunca ninguém esteve assim tão “desesperado” para estar comigo antes, era tão fácil controlá-los, mas não me parece que controlar o Liam seja uma tarefa fácil. E isso só torna tudo mais excitante, demasiado até, imaginar a situação é até assustador porque sei que ele é muito melhor nisto do que aparenta....
Eu: Payne... – sussurro quando percebo que os seus lábios estão mais perto do que desejava.
Liam: Shhh. Cala-te. – os seus lábios colam-se nos meus rapidamente impedindo-me de pensar ou ter qualquer tipo de reação a não ser ceder de imediato. A sua boca abre-se lentamente e ele desliza a sua língua pelo meu lábio inferior até esta se encontrar com a minha. Levo as minhas mãos até às costas dele e passo as minhas unhas contra a sua pele. Eu poderia explodir apenas por ele me estar a beijar.
Liam: Quero isto desde o dia em que te beijava em frente daquele maldito espelho. – a sua voz é tão profunda e desesperada que me encontro a ceder instantaneamente sendo impossível dizer não. – Diz.
Eu: O quê? – puxo o ar por entre os dentes enquanto separo os meus lábios dos seus.
Liam: Diz que também me queres. – ele geme profundamente e morde o lóbulo da minha orelha. Abano com a cabeça repetidamente tentando dizer que sim. – Diz Bell. Por favor, diz que sim. – ele pede roucamente enquanto beija o meu pescoço uma outra vez, desta vez mais lenta e fortemente. A sua mão sobe um pouco e entra pela camisola que estou a usar, massajando a minha pele.
Eu: Sim Liam... – murmuro por entre os beijos.
O meu corpo é quase atirado até a cama e o seu colocava-se agora por cima de mim, as suas mãos livravam-se da minha camisola até que sinto o meu coração bater depressa demais. Vejo um flash. Algumas imagens. Sentia o seu toque e ouvia sons ao longe. Cerro os olhos e tremo profundamente... só via o Gale, ouvia a voz do Gale, sentia o toque como se fosse o toque do Gale... o meu corpo tremia e juro ouvir a sua voz.
Grito. Grito mesmo. O meu medo era tão grande, não pelo Liam, mas por lembrar-me daquele nojento. As lágrimas começavam a ameaçar e sentia os meus olhos arder muito.
Liam: Bell? Está tudo bem? – ele levanta-se rapidamente e os seus passos caminharem até mim.
Eu: Não Liam. – sussurro. - Desculpa. – choramingo e limpo as lágrimas que escorrem por todo o meu rosto. Aqui estou eu outra vez, a chorar em frente a ele. O seu polegar encaminha-se ao meu rosto e limpa uma das mais lágrimas que insistem cair.
Liam: O que se passa Bell? Fiz alguma coisa errado? – pergunta e vejo o seu olhar mais leve, mas a sua testa carregada.
Eu: Não Liam, não... – choro – não foste tu! Estava tudo a correr bem, mas eu... – suspiro e os soluços apoderam-se da minha pausa – eu apenas... eu lembrei-me do Gale... do que aconteceu hoje... eu não queria, mas eu não consigo esquecer! – choro ainda mais e parece que o mundo está a desabar. O seu olhar mostra preocupação, talvez até pena... eu tenho de suportar isso. Sinto os seus braços rodearem o meu corpo e é como se um sensação de maior segurança me percorresse, mas não conseguia impedir as lágrimas estúpidas que caíam.
Liam: Shhh, eu percebo-te. – respiro fundo e apoio a cabeça no seu ombro, tenho noção que estava a molhá-lo completamente mas isso não parecia preocupá-lo, ele apenas se concentrava em mim. Apenas em mim. E isso era a única coisa boa de agora.
***
Eu: Achas que podes dormir aqui hoje? Só dormir? – pergunto, limpava o rosto debaixo dos meus cílios enquanto esperava por uma resposta sua. A voz soa mais baixo do que espero.
Liam: Claro que posso... desculpa se fiz alguma coisa. – ele diz e percebo que ele pensa que é o culpado por isto. Não quero fazê-lo sentir-se assim, mas não tenho coragem para voltar a falar no assunto, talvez amanhã, mas tudo ainda é demasiado fresco  na minha cabeça, parece que foi à tanto tempo, e foi ainda hoje... o tempo passa tão devagar agora.
Sigo até a cama calmamente enquanto seguro o Liam pela mão e o puxo calmamente até, deito-me e instantaneamente encosto a minha cabeça contra o seu peito e empurro para longe todo o tipo de pensamentos... foco-me na sua respiração, no seu bater de coração. A mudança parece radical de há umas horas atrás...
Aperto o meu corpo contra o seu e os meus cabelos eram gentilmente penteados, sentia-me adormecer...


Continua...

xxPatrícia


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