terça-feira, 13 de maio de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 31 - Him

O caminho até minha casa parece demasiado lento ainda que fossem poucos metros. A visão tornava-se turva e sentia que ia cair a qualquer momento. Estava difícil perceber se o queria sufocar pelo que o ele disse, ou pela forma como ele o disse... se ele apenas se mantivesse calado... mas não, isso é apenas um sonho meu, ele nunca vai parar de dizer coisas que magooam as pessoas, ajudá-las, voltar a magooar, e sempre vai ser assim... Não pode ser normal, é quase uma estupidez, até para mim.
A porta parece não querer abrir e percebo que  trouxe a chave errada. Volto a olhá-la e não é a minha. Só isto mesmo para melhorar a situação não é? Ainda estou para perceber o que está destinado para mim...  Percorro todos os meus bolsos e não a encontro em lado nenhum. Começo a irritar-me e a pulsação forte volta a atacar. Faço o mesmo repetidamente mas sem nenhuma sorte acabo por não encontrá-la. Ouço o barulho de uma porta abrir e bater com força e escolho ignorar enquanto procuro por uma janela aberta.
Começo a sentir gotas de água cair no meu corpo e passados poucos minutos já chovia muito, tornando os meus passos pesados e deixando-me sem visão do caminho enquanto eu procurava por uma janela ou por uma porta traseira algures na minha casa. Ainda não sabia bem todos os compartimentos e vou ter de procurar até conseguir entrar. Esta semana pode tornar-se a partir de hoje, a mais cansativa de todas...
Ele: Hey!! – ouço alguém gritar do outro lado e estou ciente de que é o Liam. O meu coração parece querer saltar fora mas ainda assim finjo não ouvir e continuo a minha procura enquanto limpo os olhos já cheios de água, não que eu estivesse a chorar, pelo menos eu tentava controlar isso ultimamente, mas sim da chuva pesada que insistia em cair pesadamente. Qualquer tipo de maquilhagem que tenha colocado já desapareceu a esta hora. Por fim encontro uma janela. Sigo até ela e encontro-me desiludida quando está trancada por dentro.
Ele: Bell!! – talvez devesse parti-la? Posso sempre pagar uma nova depois?
O meu braço é quase arrancado e as minhas costas embatem contra a grande janela de vidro arrancando um gemido dos meus lábios entre abertos...
Ele: Porra, toma o caralho das tuas chaves! – quase grita e fecho os meus olhos instintivamente. A minha mão é aberta e sinto metal frio das chaves bater nela. Então eu deixei-as na casa dele? Podia ser ainda mais estúpida?
O seu corpo parece colar-se ao meu pois ambos estão demasiado molhados, a chuva impede-me de ver a expressão na sua cara mas sei que está zangado, bêbado, etc. Talvez eu devesse apenas... ignorar a sua presença? Sei que é o mais certo, ele vai acabar por ir embora?
“Porque é que ainda precisas de te injetar para amenizar as tuas crises? Não sabes cuidar delas de outra forma?” Ouço as palavras ecooarem na minha mente profundamente e desejo nunca ter tentado ajudá-lo. O meu corpo treme do frio e de medo quando me lembro do aspecto do seu quarto e o quão dura a sua voz soou. Com uma mão tento afastá-lo de mim mas ele mantem-se no lugar, como que me impedindo de avançar, o seu peito fazia força contra a palma da minha mão e podia sentir o bater forte do seu coração. Não sei se choro ou sorrio, se grito ou permaneço calada. Tudo parece demasiado confuso agora.
Eu: Deixa-me sair. – peço quase silenciosamente. Estou cansada, quer fisica quer psicológicamente e não tenho força para tentar controlar os meus sentimentos. Talvez seja melhor ideia ser fraca. Porque ultimamente, esse é o verdadeiro eu. Tudo o que ouço é a sua respiração pesada e sinto-a bater contra o meu rosto causando-me arrepios por todo o meu corpo. - “A mente humana tem o hábito de frequentemente recordar memórias dolorosas e eventos que levam à tristeza emocional.” – repito as palavras que li num livro à uns tempos atrás e parece encaixar na perfeição. Não encontro nada mais que caracterize o momento. Nada que me caracterize melhor. Porque o que eu sei fazer melhor é recordar os piores momentos... aqueles que não preciso recordar.
Liam: “A mente humana tem também o estúpido poder de perdoar, mesmo quando o outro está errado... o que pode levar a um profundo erro...” - ele continua e estou surpresa com isso. Ele lê o livro ou.. simplesmente vieram-lhe as palavras à cabeça? A sua respiração parece-se como música de fundo e não consigo controlar a minha pulsação...
Eu: “... Ou uma profunda felicidade.”- acabo.
Uma profunda felicidade... que não encontrei até hoje.
Liam: E tu és o motivo da minha felicidade. E o motivo da minha tristeza. E o motivo pelo qual eu te amo tanto... é a tua maior fraqueza. – As palavras atingim-me como setas e não consigo raciocinar. O que é que ele queria dizer com aquilo? Os seus lábios parecem demasiado perto dos meus, e o meu olhar demasiado focado no seu...
Eu: ...E a minha maior fraqueza...
Liam: És tu...
O choque suave dos seus lábios frios nos meus é tudo o que sinto e parece que estou no paraíso.
A sua mão desliza pela lateral do meu corpo até que para na minha cintura e a aperta levemente provocando-me sensações desconhecidas, mas ainda assim, tão boas. Era tão errado... Separo os nossos lábios à procura de ar e permaneço de olhos fechados, não sabendo como agir. A sua boca dirige-se novamente à minha e a sua língua desliza pelos meus lábios à procura de maior contacto. Não tinha sabor a álcool... talvez ele não estivesse bêbado? Apenas... zangado? Continua com o mesmo sabor inexplicável a menta que reconheço instantaneamente e é impossível manter os olhos abertos. O bater do meu coração é tão irregular que tenho medo que ele consiga senti-lo... As suas mãos puxavam-me ainda mais para si enquanto levo uma das minhas mãos até a parte inferior do seu pescoço. Ele puxa algum ar e volta a juntar-se a mim e a diferença entre a temperatura dos seus lábios com a sua língua parece-se com a de gelo e fogo tornando tudo tão estupidamente perfeito... A sensação percorre cada fibra do meu corpo e não consigo controlar os arrepios e a vontade de tê-lo só para mim. A chuva caía sob os nossos corpos e é como pedras de gelo sob o calor que se formava em nosso redor.
Não consigo decidir se adoro, ou se odeio o forma como ele me beija. É demasiado viciante, talvez a minha nova droga... mas, será que é uma droga passageira?
Liam: Desculpa-me, por tudo que te tenha feito... – ele murmura e sinto-me vazia com a perda de contacto. Empurro os meus lábios contra os seus de novo e espero que sirva de resposta ao seu pedido de desculpas. Tal como ele disse... a mente humana pode perdoar... e pode levar-nos a um profundo erro, ou a uma profunda felicidade. Espero que me leve à felicidade que nunca encontrei. As nossas bocas pareciam veneno para cada um de nós e o primeiro a largar perderia. Era impossível tentar perceber o que ele me fazia sentir... era como se um beijo mudasse tudo?
Empurro qualquer pensamento mau que me preencha e que me diga que pode dar errado. Sinto a sua respiração acalmar e permaneço calada à espera de conseguir dizer alguma coisa. A sensação de o voltar a beijar volta e flutua por todo o meu corpo levando a melhor de mim e fazendo-me sorrir levemente. O seu olhar ilumina e o seu sorriso capta toda a minha atenção. Sinto braços envolverem o meu tronco e um abraço apertado formar-se. A sua cabeça apoia-se no meu ombro e ouço a sua respiração perto do meu ouvido...
Eu: Não me deixes... por favor. – peço quando sinto a lágrimas voltarem. Aperto a parte de trás da sua camisola e encosto a minha cabeça no seu peito. Mãos deslizam pelo meu cabelo acariciando-o gentilmente e um beijo é deixado no topo da minha cabeça por fim.
Liam: Não vou. – ele murmura e aperta-me mais forte contra o seu corpo. Não sei por quanto tempo ficamos nesta posição mas foi o suficiente para tornar os meus movimentos pesados devido à chuva forte que insistia em cair.
Liam: É melhor irmos para dentro? – ele ri e acarinha as minhas costas com a mão enquanto se afasta lentamente. Assinto e caminho em direção à porta em silêncio e finalmente suspiro quando chego lá chego e esta finalmente abre-se.... ouço-o gargalhar ao ver a minha expressão aliviada e entro.
O interior está muito mais caloroso do que lá fora. As nossas roupas molhavam todo o chão e tenho noção que vou ter de o lavar mais tarde para que não fique com uma poça de água enorme à entrada. Riu quando percebo que ambos estamos encharcados e ele logo ri tal como eu, mas tenho noção que é de algo diferente.
Liam: Tens uma coisa na cara. – ele ri e aponta em direção a mim que tento perceber ao que ele se referia.
Eu: Porque é que é simplesmente não paras de te rir e me tiras isto? – falo séria mesmo que o meu interior esteja a rir frequentemente. Ele caminhava até mim e estou a sério quando afirmo sinto o sangue percorrer as minhas veias... não sei se é possível? Mas neste momento, acho que tudo parece possível. Ele ria e levava a sua mão até a minha cara, até que sinto de facto tirar de lá alguma coisa.
Liam: Toma, podes ficar com isto. – ele ri e atira para o chão com uma coisa que se parecia com uma folha?
Eu: Ew que idiota. – reclamo quando vejo que ele não estava com ideias de limpar o que acabou de sujar... – Limpa. – ordeno e cruzo os braços debaixo do peito quando ele começa a gargalhar, alto. Ainda assim, muito rouco.
Liam: Porquê eu? A casa é tua!
Eu: Tu é que sujaste seu porco! – digo. Ele não parava de rir e quase julgo que não é o mesmo Liam de há uns minutos, é impossível ser-se tão bipolar certo? – Idiota. – riu.
Liam: Tu acabaste de me chamar idiota? – ele pergunta e vejo-o esfregar com um punho um no outro enquanto no seu rosto se via um sorriso como quem estava a planear alguma? 


Continua...

xxPatrícia


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