sábado, 10 de maio de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 30 - Your problems


Tinham-se passado vários minutos, acho que até mesmo horas... eram agora 2h da manhã e ouve-se o som de um telemóvel vibrar em cima da mesa. Era ria com algumas piadas que ele mesmo fazia e provocava-me sorrisos e gargalhadas, mas no fundo ainda sentia algo diferente? Talvez... medo, do desconhecido?
Dan: Desculpa... vou ter de sair. – sorri largamente. Assinto com a cabeça e ele levanta-se e segue até o balcão para pagar. Tento pagar a minha parte mas ele insiste em fazê-lo por mim, já que, segundo ele, foi ele quem ofereceu.
O tempo cá fora é mais frio e desejo ter escolhido algo mais quente. Quando começo a caminhar a força nas minhas pernas parece maior do que anteriormente, ou talvez seja apenas da minha cabeça. Pelo caminho penso se ele ainda estaria na minha cama? Talvez quando chegar ele esteja lá, talvez a dormir, ou então com o olhar fixo no nada... apenas a pensar, como uma pessoa normal. Ou então, talvez esteja vazio, sem ninguém a aquecer o local, muito menos a desarrumá-lo. E neste momento, é com isso que conto, sei que ele não ia ficar à minha espera durante tanto tempo enquanto eu ando cá por fora. É mais do que normal. E já estou habituada de qualquer das formas...
Entro e bato a porta atrás de mim. A temperatura está quente e agradável, mas o conforto da cama parecia uma ideia mais agradável na minha cabeça. E se eu não quisesse a cama, mas a companhia de quem lá estava? Era esse o meu problema agora não era?
Subo enquanto vou tirando os ténis e abro a porta do quarto. Encontro-o vazio. Sem ninguém. Eu já esperava por isso, mas o meu coração parte-se a meio quando sei que ganhei esperanças quando não devia. Nunca devia ter ganho. Muito menos por ele.
A respiração altera-se e encrava-se na minha garganta quando olho pela janela do quarto. Um outro corpo movimentava-se lá dentro, de forma rápida e irregular e para por uns segundos. O telemóvel vibra no meu bolso e assim que tento perceber o número marcado no ecrã é desconhecido. Decido atender, só sei que tenho um mau pressentimento em relação a isto.
“Hey?”
“Bell querida? És tu?” – a minha mente trava quando ouço o meu nome mas não consigo perceber quem fala do outro lado.
“Sim, sou eu. Quem é que fala?” – atiro.
“É a Karen! A mãe do Liam.” – consigo ouvir a sua respiração rápida e trémula deste lado.
“Passa-se alguma coisa?”
“É o Liam! Eu sei que tu ele não têm nada, mas não sei quem mais chamar! Este é o único número de amigos dele que tenho.” – o sangue corre depressa nas minhas veias...
“Mas o que é que se passa?” – pergunto rápido e um tanto rude, o ocultar de informações deixa-me ainda mais nervosa e não sei o que fazer em relação a isso. E se tivesse acontecido alguma coisa? E se a culpa foi minha?
“Por favor querida vem para cá que eu explico-te tudo! Mas despacha-te por favor!” – ela suplica e sei que algo de grave aconteceu. O meu coração não parece ajudar quando o sinto bater muito forte no meu peito que parece rebentar com a sensação.
Desligo a chamada e rapidamente calço de volta os ténis enquanto corro até a casa deles. Assim que bato à porta sou recebida por uma senhora simpática e já me conhecida, a dona Karen. Ela abraça-me rapidamente e puxa-me para dentro com força.
Vejo uma lágrima escorrer do seu olho e ouço algo partir.
Eu: O que é que se passa? – pergunto.
Karen: É, é o Liam. Não sei o que se passa com ele. Ele chegou aqui a casa e comecei a ouvir coisas partir no quarto dele, quando entrei tinha tudo partido e ele tinha os olhos vermelhos. Eu nunca o vi assim. Não sei o que fazer e estou aqui sozinha com ele! – ela pausa. – Por favor, ajuda-me. – o seu tom é perturbante e preocupa-me saber que ela estava aqui sozinha com ele. Sei que não era capaz de a magooar, mas neste estado, já não tenho a certeza de nada.
Eu: Calma Karen. – seguro nas suas mãos e tento transmitir calma, que eu não sentia em nenhuma parte do corpo. Ela inspira e solta o ar pesadamente enquanto fecha os olhos encharcados de lágrimas. – Karen. Olhe para mim. – peço num murmuro. – Eu não sei o que fazer. Não quero fazê-la sentir-se mal, mas eu não conheço o Liam assim tão bem para o fazer parar! – ouço a sua respiração partir e o choro aumentar aos poucos, um choro silencioso no entanto.
Karen: Por favor. Apenas tenta. – pede.
Queria explicar-lhe as inúmeras razões pelas quais a situação pode piorar, mas não consigo. Não tenho esse direito e ela parece confiar em mim. Assinto com a cabeça e lentamente caminho pelos corredores até o local do barulho.
Quando chego à porta sinto-me tremer e algum medo me invadir, medo e receio no fundo. Sei que quando me vir só vai piorar a situação, porque mesmo que a culpa não seja minha, a minha presença não pode ajudar de alguma forma. Não bato à porta porque sei que não a vai abrir e apenas entro.
A minha boca abre-se e forma-se um nó apertado na minha garganta. Todo o quarto parecia diferente da última vez que o vi... o computador portátil estava partido e desmontado no chão assim como a sua secretária... Havia vidros por todo o chão e no fundo da cama, estava ele. Sentado e apoiado nas suas mãos enquanto os cotovelos se apoiavam nas suas pernas dobradas. Está de costas voltadas e tenho medo de dizer alguma coisa.
Lentamente caminho até ele e sento-me mesmo atrás do seu corpo, de pernas dobradas e aguento a respiração.
Eu: Liam. – chamo baixo. O seu corpo move-se e reparo que leva as mãos à ponta da camisola e levanta-a até chegar ao seu rosto e o limpar com esta. Penso em tocá-lo, mas de certo modo sei que isso não é seguro neste momento. Ele continua a olhar para o chão e ganho coragem para falar, mas não sei o que dizer. Não quero perguntar-lhe porque o fez, porque sei que não vai ajudar, mas se não o fizer nunca saberei a verdade não é? – Liam porra olha para mim!
Liam: Cala-te! – berra enquanto se levanta e caminha até o lado contrário do quarto. Suspiro para evitar dizer disparates, mas tenho a sensação que é mais do que impossível... ele merece-os, e vai ouvi-los.
Eu: Cala-te tu e ouve-me! – berro ainda mais alto até que sinto a minha respiração aumentar. – Será que não percebes que a tua mãe está preocupada contigo e tu estás para aqui a agir que nem uma criança a partir coisas? – atiro e falo suficientemente alto para que a Karen me ouça lá em baixo. – Não percebes isso?
Liam: Tu não me chamas criança. – cospe e olha para mim por uns segundos, suficientes para perceber que eu sou o problema agora. E é por isso que ele está assim. Os seus olhos apresentavam um contorno vermelho, parecia fora de si, com um tom escuro e não o castanho que eu conhecia.
Eu: Chamo sim! Porque não encaras os teus problemas como um adulto!! Porra, tens 18 anos! Acorda para a vida! – grito e levanto-me no mesmo momento. Não consigo manter a raiva na minha garganta e expludo.
Liam: E tu és adulta? Adulta o suficiente para cuidar da tua vida e não da dos outros? Deixa-me em paz. – berra e atira com o candeeiro para o chão, fazendo-o quebrar-se a meus pés. Solto um grito de dor quando sinto alguma coisa bater com força numa das minhas pernas... olho para baixo e apresso-me a retirar o enorme pedaço de vidro que ficara espetado na perna, tinha sangue... vertia muito sangue, e ele não queria nem saber... não percebo o que dói mais, é demasiado difícil escolher.
Eu: Talvez devesse mesmo cuidar da minha vida não é? Que estranho ouvir isso de ti, que passas todo o momento a cuidar da tua não é? – cuspo enquanto se formam gotas nos meus olhos quando começo a sentir a dor aumentar e focar-se em apenas uma zona central... Baixo-me e aperto lá, mas não resulta e o sangue apenas escorregue pela minha perna a baixo...
Liam: Se realmente soubesses cuidar da tua não precisarias que alguém tomasse conta dela. Afinal, se és assim tão adulta como dizes – ele rosna – porque é que ainda precisas de te injetar para amenizar as tuas crises? Não sabes cuidar delas de outra forma? E porque é que sempre que te encontro estás em problemas? Sou eu que tos provoco é?
O sangue nas minhas veias acelera e a única coisa em que penso é em espetar-lhe com um vidro na cabeça, e que doesse tanto!! Dou um passo em frente corajosa, mas no fundo inojada, porque alguma vez pensei que pudesse ajudar alguém, que no fundo, não quer nem merece ser ajudado.
Eu: Sabes que mais? Eu tenho pena, pena de ti! – digo, pois sei que é o pior sentimento que alguma vez posso ter por alguém. Não ódio, mas sim pena. Porque esse para mim, é tratar a pessoa como psicopata... como doente, que não consegue cuidar-se. Não que eu ache isso dele, mas espero que o atinja tão forte como me atingiu a mim. Baixo a voz por momentos.  – E principalmente da tua mãe, não a mereces. – cuspo. O meu coração já dói demasiado, e não espero ouvir o que quer que seja da sua boca por hoje. Olho para trás e encontro-o paralisado enquanto me olhava, e o pior de tudo? Não parecia minimamente preocupado, nem comigo, nem com a sua mãe, muito menos com o que dizia.
Corro até a porta e encontro a Karen no fundo das escadas com uma expressão preocupada enquanto a sua boca se abria num perfeito “o”. A única coisa que consigo fazer é ignorar e saio a porta, sabia que não ia dar certo...


Continua...

xxPatrícia


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