quarta-feira, 7 de maio de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 29 - Why?


Pelo caminho ia tropeçando mas seguro-me ao corrimão das escadas que descia. Talvez eu apenas precise de me focar em alguma coisa, alguém, que não seja ele.
Sigo até cozinha e encontro o pano de anteriormente na mesa onde o tinha deixado e lembro-me dos planos que tinha feito para esta noite... limpar. Só preciso de me distrair, e sei que com isso vou deixar de lembrar-me que ele cá está, nem que seja por apenas alguns minutos. Pego nele novamente e acabo de limpar a mesa com algumas migalhas de comida, neste caso de umas sandes que ele tinha preparado.
As bancadas tinham algum pó, pó esse que eu nunca tinha limpo desde que cá tinha chegado... Que foi à pouco mais de uma semana. O tempo parece passar demasiado devagar, os segundos parecem minutos, os minutos parecem horas e as horas parecem dias... não consigo entender, este sítio apenas não parece destinado para mim. Nada aqui parece.
Penso em aspirar o chão, mas não tenho aspirador. Penso em lavar o chão, mas só se for com uma toalha, porque não tenho uma esfregona. Amanhã tenho de ir às compras, não posso continuar assim durante muito tempo.
Abro  porta e o vento bate na minha cara de forma suficientemente agradável para me fazer querer ir lá para fora. Talvez não seja assim tão má ideia? Quando olho para o relógio é 1h da manhã e o sono parece ter se esvaído. Está um pouco frio por isso decido ir até o quarto pegar num casaco. Sei que ele ainda lá está, mas não preciso falar para ele! Talvez até precise, chutá-lo de aqui para fora, mandá-lo pro caralho porque é o que ele merece agora, mas sempre que volto a pensar nisso... ele já fez mais por mim do que qualquer outra pessoa! Idiota ou não, não o posso tratar assim tão mal. Até porque ele não merece tanto... quer de mim, quer da minha cabeça, simplesmente não merece.
Subo as escadas e a porta do quarto está entreaberta. Passo pela cama até o armário e encontro-o com os seus braços cruzados sob a cabeça e as pernas entrelançadas uma na outra. Ele olhava o teto de forma pensativa com leves traços na sua testa. Rosto carregado mas tão suave, o seu cabelo estava todo despenteado sobre a minha travesseira...
Abano a cabeça negativamente quando o sangue acelera nas minhas veias e abro a armário afim de pegar num casaco, optei por  uma sweat mais quente do que a que vestia e troquei-me na casa de banho.
Quando saí ele ainda lá estava. Talvez devesse dizer alguma coisa? Talvez não?
Saí com estes pensamentos e quando chego lá fora o vento era suave e não tão frio quanto esperava. Caminhava nas ruas pouco iluminadas, a estrada estava deserta e não se via uma única pessoa caminhar por estes lados. Os prédios eram altos e assustadores, viam-se becos por todos os lados, ouvia barulhos que pensava ser de animais mas era mais do que isso. Voltei-me para trás e não vejo ninguém...
Passada meia hora ainda tinha a sensação de vigia, o olhar sobre mim que me arrepiava, e o pior de tudo... eu não via nada. Dobro a esquina e  apresso o passo até me doerem as pernas. Já não ouvia ninguém, e muito menos via. Em frente tinha um café, algo que eu penso ser um bar, mas que se parecia com uma discoteca? Sigo até lá, em passos pesados, vejo um rapaz. Alto e moreno com roupas escuras, o capucho sobre o cap que usava e fumava alguma coisa. Aproximei-me, os meus olhos doíam com a luz que neles embatia mas estes pareciam arder ainda mais quando vi o que ele fumava. Erva.
Os batimentos do meu coração tinham aumentado tanto, mas tanto. O meu peito parecia doer e a minha cabeça latejava. Foda-se, eu precisava tanto daquilo.
Apresso o passo e parece que estou a correr, a respiração pesada atrapalhava-me e então eu sabia... tudo ia começar de novo.
Eu: Hey. Onde é que arranjaste isso? – atrapalho-me e sinto a boca seca. Aponto para o que ele tem entre os dedos e vejo-o sorrir largamente.
Ele: Qual é o teu nome boneca? – sorri e levanta-me o queixo até ver o seu olhar posto no meu. Os seus olhos brilhavam com a luz que o bar refletia, eram verdes acastanhados.
Eu: S/n. Trata-me por Bell. – afirmei.
Ele: Nunca te vi por aqui. – murmura e inala todo o fumo à sua volta. Talvez eu esteja doente, mas não sei se o quero mais a ele ou à erva. Ele coloca todo o seu peso numa perna enquanto encosta a outra na parede atrás de si. Engulo em seco quando reparo que só nós estavamos cá fora. – Bell. – ele sorri. – Gosto do nome. – afirma e e olha-me por breves momentos.
Eu: Hm. – ele pega no cigarro que fumava e afasta-o da sua boca enquanto o dirige à minha. Instantaneamente seguro nele e levo à boca e sou invadida por milhares de sensações conhecidas. Ele sorria e eu limitava-me a fumar enquanto deitava para fora alguma da fumaça. Era estranho agora, eu não gosto mesmo de fumar, prefiro inspirar alguma droga... mas de certo agora não a tenho, e contento-me com isto.
Ele: Gostas? – acenei com a cabeça. – O meu nome é Dan. – estende a sua mão. – Prazer. – sorri e aperta a minha mão num cumprimento. – Muito prazer! – ele lança um pisquete de olhos.
Eu: Isso foi para mim?
Dan: Estás a ver aqui mais alguém?
Eu: Não.
Dan: Então foi para ti.
Fumar aquele cigarro não parecia interessante e nem estava a fazer qualquer tipo de efeito, a única coisa que sentia era o seu olhar sob o meu corpo. Apaguei-o e deitei para o chão, já cheio de cinzas e pontas de cigarros inacabados.
Eu: Queres uma foto? Dura mais. – riu quando o vejo abanar com a cabeça pensativo.
Dan: Hm, ela é bruta! – gargalhou e caminha até mais perto de mim. O pensamento do que poderia acontecer não me saía da cabeça, e se ele fosse como o Gale? E se ele apenas quisesse o meu corpo? A ideia de que o Liam nem sabe onde estou para me proteger invade-me e percebo que estou dependente dele. – Estás bem? Precisas de alguma coisa? – preocupação percorre pelos seus olhos e tento pensar que ele está apenas preocupado comigo, mas isso não resulta quando sei que apenas o conheci à menos de 15 minutos.
Eu: Eu nunca estou bem.
Dan: Que interessante ouvir isso de ti. – murmura e solta um risinho abafado.
Eu: Como assim interessante? – pergunto.
Dan: Apenas me pareces normal... linda e demasiado sexy... mas normal. – engasgo-me com a minha prórpia respoiração quando o ouço dizer aquelas palavras...
Eu: “Linda e demasiado sexy”? Eu acho que a erva te afetou a cabeça, só pode... – riu. Ele lambe os lábios mas não parece intimidante, embora um arrepio insista em percorrer todo o meu corpo ele apenas sorria levemente e contente. Ele parece atrapalhar-se quando os nossos olhares se voltam a encontrar, mas finjo não perceber.
Dan: Queres uma bebida? Eu pago.
Penso em recusar, mas soa demasiado apelativo e estou demasiado arrepiada com o tempo cá fora. Aceno com a cabeça que sim e ele lança um pequeno sorriso e abre a porta enquanto me ordena a entrar. 


***
O tempo passava e cada vez mais percebia que ele era tal e qual como eu. Não de aparência claro. Percebi que ele se tinha refugiado nas drogas e já tinha parado várias vezes ao hospital, e pelo meio destas suas revoltas surgiu a cadeia. Ele tinha 19 anos pelo que percebi...
E quando penso no assunto, ouvir que ele passou por isto tudo, fez tudo isto... soa tão estranho e errado. E saber que faço o mesmo que ele, só torna tudo mais complicado, porque embora eu saiba que devo parar, já não consigo.
E, pelo contrário do Liam, ele parece estar a incentivar-me a continuar com isto, a destruir a minha vida, porque é isso que estou a fazer.
Então, mais uma vez eu penso, porque é que ele surgiu na minha vida mesmo? Para encontrar outro caminho? Se foi para isso, porque é que eu faço sempre o contrário? E porque é que se é isso, eu continuo a odiá-lo, mas a querê-lo tanto? Será isto normal? Talvez... mas não para mim.
Talvez o facto de ele ser tão intrometido me faça odiá-lo! Talvez o facto de ele ser tão carinhoso, ser tão diferente dos outros me faça odiá-lo. Talvez o facto de eu nunca ter sentido isto... me faça odiá-lo. São tantas razões e tantas hipóteses, mas posso responder a isso de forma concreta? Não. Se tenho uma pergunta que englobe tudo isto? Tenho... “Porquê?”


Continua...

xxPatrícia


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