sábado, 24 de maio de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 5 - Innocence


*** 


Mel P.O.V. 


Eram nove da noite, decidi dar uma volta por fora. As ruas lá eram frias, demasiado frias durante a noite, apertei os punhos do casaco que trazia vestido entre as mãos e coloquei o capucho. Agora pensava, talvez a vida aqui não seja assim tão má, nós apenas a tentamos complicar! Talvez se olhássemos para a vida de outro ângulo... criar um sorriso mesmo nos momentos dificeis, arriscar e ignorar o medo, não chorar por mais que a mudança magoe e seja dificil de compreender. Deixar de lado o que me fazia feliz e procurar o que me fará feliz agora! Talvez sejamos mesmo algo que a nossa própria mente criou. Eu era mais uma prisioneira desse pensamento e por isso deveria soltar-me de si... Apenas uma coisa aqui mudava, eu não poderia esperar nada de ninguém... somente de mim mesma.
Comecei a ouvir uns gritos de repente, tirando-me do transe, direcionei o olhar para o local de onde vinha o barulho, à minha frente tinha um muro não muito alto, subi-o sentando-me em cima e reparei num enorme campo, estava rodeado de uma grade e iluminado com alguns candeeiros colocados em cada ponta do campo. Corri o olhar por todo o campo. O cheiro masculino fez-me estremecer, vários rapazes disparavam contra alvos pendurados em muros de pedra que se espalhavam por todo o terreno, alguns que aparentavam ser já mais maduros, por volta de uns vinte e dois anos, gritavam com eles rigidamente. Presumi que fossem uma espécie de treinadores. Uma figura masculina fez-me fixá-lo a treinar... ele voltou-se um pouco mais para mim, reparei na madeixa azul que tinha à frente entre o cabelo escuro, Kail! Ele mantinha o olhar extremamente concentrado no alvo à sua frente, a sua pele estava completamente suada e a camisola branca que vestia tornava-se transparente traçando cada promenor do seu abdómen. Parecia esgotado, mas ainda assim disparava com raiva, deixando-me reparar no quão os seus músculos estavam tonificados.
XXX: Pára Kail, por hoje chega. Já não estás a render nada para o treino! - um dos treinadores gritou. Ele deixou o seu corpo cair no chão mantendo apenas as pernas fletidas e passou a toalha pelo seu rosto suado. Observei os seus movimentos e em menos de segundos, sem que me apercebesse ele levantou-se dirigindo o seu olhar para o meu. Ok, ele tinha-me visto agora não podia esconder-me! Correu até ao muro onde eu estava sentada, elevando o rosto e sorrindo-me.
Kail: O que fazes aí?? - a sua voz cansada, tornava-se ainda mais atraente, ele apoiou uma das suas mãos na cintura enquanto a outra segurava uma garrafa de água. - Anda, salta eu seguro-te! - mordi os lábios receosa.. saltava?? - Descansa babe, não te vou morder! - ele gargalhou. "não te vou morder", bem visto que a última vez me fez um enorme chupão no pescoço eu não saberia o que esperar! Olhei para trás e apercebi-me de que não consegueria mesmo saltar aquilo sozinha e cedi. Levantei-me e saltei sentindo rapidamente apenas as pontas dos meus pés baterem no chão e todo o meu peso ser suportado pelos seus braços. O meu corpo congelou no momento, abri os olhos tendo uma visão perfeita para os seus lábios. - Olha para mim! - o seu dedo indicador deslizou até ao meu queixo elevando-o. - Porque é que tens tanto receio?! - um leve sorriso continuava esboçado na sua boca, suspirei.
Eu: Eu não tenho... - respondi fria, senti os seus braços soltarem-me.
Kail: Tens sim! - disse ríspido, calafrios correram a minha pele ouvindo o seu tom de voz e a maneira como me olhou agressivo. - Vês! - ele deu um passo na minha direção e simultaneamente dei um passo para trás.
Eu: Pára com isso! - pedi calma baixando o olhar, o seu toque voltou a invadir-me mas agora de uma maneira que não esperava... as pontas dos seus dedos tocaram suavemente o ematoma no meu pescoço e de seguida colocou as mexas do meu cabelo para trás deixando-no à mostra, o seu rosto curvou-se para baixo, fechei os olhos novamente sentindo finalmente os seus lábios chocarem suavemente com a mancha que me tinha deixado desde ontem e a beijar docemente.
Kail: Desculpa, não te queria magoar. - sussurrou ao meu ouvido, o seu hálito a menta destruía a minha mente, deixava-a sem saber o que queria, o que não queria, o que era certo ou errado... eu não sabia distinguir perigo de desejo! - Mel, Mel... - os meus olhos abriram-se, observando os seus que me pentravam. As suas pestanas tremeram e os seus olhos verdes brilhavam para mim. Tudo parecia demasiado estranho e emotivo naquele momento... ele voltou-se lentamente e começou a caminhar de novo pelo campo.


***


Bati a porta de casa, e ouvi logo a sua voz irritante chamar-me, revirei os olhos sentindo os seus passos pesados descerem as escadas apressadamente e a sua voz dizer o meu nome repetidamente. Atirei o corpo para cima do sofá e ele logo ocupou todo o meu campo de visão.
Eu: Importas-te de sair da minha frente idiota! - atirei com uma almofada pra sua cara na tentativa de ele se afastar mas logo senti todo o seu peso cair sobre o meu corpo demasiado fraco para o suportar. - Sai Tyler!! - gritei tentando que a minha respiração se regulasse.
Tyler: Vens comigo sair hoje e... eu saio! - gargalhei com dificuldade. - Aceitas?? - ele sorriu carinhosamente mordendo a língua entre o sorriso.
Eu: Vais ter que sair de qualquer das formas e não, eu não quero sair hoje! - respondi colocando as minhas mãos sobre o seu peito tentando afastá-lo de mim, contudo isso poderia considerar-se uma missão impossível.
Tyler: Não me desafies Mel! - ele riu - Eu não saio enquanto não disseres que aceitas! - cruzei os braços contra o peito tentando fazer a minha cara mais séria, desviei o meu olhar do seu olhando para o teto e mantendo-me quieta a ignorá-lo. - Hey morreste?? - respirei fundo.
Eu: Não não morri Tyler, agora pára de insistir e vai-te embora!! - gritei alto fazendo-o cerrar os olhos até.
Tyler: Tens quantos anos?? 10?? Mel chegou a altura de te divertires um bocado, dares um fim a essa tua inocência e aqui é o lugar certo, tem tudo para te tornar no que realmente és, afinal Bradford pode não ter sido assim tão má escolha! Não encares isto como um pesadelo de que queres fugir e tens sempre medo do fim, encara-o como um pesadelo que queres arriscar, viver e sair com vida!
Eu: Tudo bem! Eu vou... - um sorriso abriu nos seus lábios, ele levantou-se e uma sensação dormente percorreu todo o meu corpo depois de não sentir mais o seu peso sobreposto em mim. Levantei-me também deitando-lhe a língua de fora e fui em direção ás escadas.
Tyler: Mel! - virei-me direcionando-me para ele - Não sintas medo lá, essa é a única sensação que te pode impedir de descobrir quem serás tu aqui! - disse calmo, acenti e subi as escadas até ao meu quarto. Caminhos diferentes, pessoas diferentes, eu vivia isso agora. Como é que eu ia fazer para me descobrir?! Todo o mundo lá fora é desconhecido para mim, drogam-se, matam-se... mas querendo ou não, eu iria fazer o possível para ser feliz, eu não precisava de droga apenas de um apoio, alguém para aprender a viver ali!


Zayn P.O.V. 


Oito da noite. Dei por mim a esta hora quase a pegar a dormir, sem um banho tomado... Ohh fodasse tinha-me esquecido completamente da festa de hoje na casa do Liam!
Eu: Puta que pariu esta merda! - rosnei bagunçando os cabelos e levantando-me da cama indo em direção à casa de banho. Com a pressa tropeçava em quase cada passo que dava, mesmo assim em menos de meia hora consegui ficar pronto. Desci as escadas a passos rápidos correndo para a cozinha e pegando numa maçã. Sentei-me em cima da mesa vendo a bagunça que a Saffa e Waliyha faziam na sala com os brinquedos e como gritavam uma com outra porque ambas queriam o mesmo. Saffa tinha apenas quatro anos e Waliyha cinco, eram as minhas irmãs mais novas ...
Eu: Podem se calar caralho?!! - gritei-lhes e elas olharam-me ficando em silêncio - Dói-me a cabeça - falei num tom mais baixo e calmo. Os sintomas que tive à pouco no quarto com a Mel pareciam ir e vir, aquela sensação de fracasso e a dificuldade em respirar voltava mas desaparecia logo.
Trisha: Zayn! Vê como falas elas, são tuas irmãs! - ouvi a voz da minha mãe mesmo atrás de mim resmungar.
Eu: O que é que tu queres?? - disse frio saltando da mesa para o chão, apoiando a mão na mesa e esperando que ela me respondesse.
Trisha: Estás a falar para mim Zayn não é para nenhum dos teus amigos, exijo que me respeites! - desapoiei a mão da mesa e perdi o equílibrio tendo que voltar a segurar-me, fechei os olhos respirando fundo mas as tonturas deixavam-me zonzo. As drogas nunca tiveram este efeito sobre mim, o que é que se estava a passar?!
Comecei a tremer involuntariamente outra vez. O meu corpo parecia entrar em pânico, mas a minha mente não... dei um passo para trás encostando-me na parede da cozinha.
Trisha: Zayn, Zayn! - ela olhava-me preocupada, a sua mão cobre a minha bohecha e de certa forma encontro um refúgio no seu gesto que me acalma e deixa o meu corpo voltar à normalidade.
Eu: Eu estou b-bem! Não te preocupes! - disse fraco beijando o topo da sua testa preparando-me para sair mas sinto-a agarrar o meu braço.
Trisha: O que é que foi isto Zayn?? - engoli seco. Claro que não lhe ia dizer a verdadeira razão. - Diz-me a verdade! - ela elevou o tom de voz apertando mais o meu braço.
Eu: Senti-me mal foi só isso! - disse brusco - Importaste de me soltar? - falei alto soltando o meu braço dela e saindo dali. Agarrei o meu casaco pousado sobre o sofá e ouvi os seus passos seguindo-me.
Trisha: Zayn não me voltes a costas quando falo para ti!
Eu: Não sei a que horas chego, xau! - mantive-me de costas voltadas e saí a porta de casa. Cinco minutos depois ouvi vozes a se aproximarem, deveriam ser eles. Vesti o casaco e terminei de fumar o cigarro que segurava entre os dedos soltando o fumo uma última vez antes de eles chegarem á minha beira. - Então, vamos?? - perguntei vendo Louis, Caroline e Nicole pararem na minha frente, mesmo atrás dele surgiu o Tyler agarrando a mão de alguém que o Liam não deixava que visse. Centrei o meu olhar nesse alguém, voltei a olhar o braço dela ... Mel!
Ela colocou-se entre o Louis e o Tyler, sorri mais um vez não conseguindo desviar o meu olhar dela, do seu corpo, conseguia sentir o brilho que se formava nos meus olhos fixando cada promenor seu. Porque é que não conseguia simplesmente matar essa sensação quando ela aparece?! Ou pelo menos escondê-la?...
Louis: Vamos!! - disse empolgado. Seguimos pela rua que ia até á casa do Liam, ficava a uns quinze minutos da minha por isso era excusado ir de carro. Louis andou na frente com Nicole e Caroline, vi o Tyler soltar a mão da Mel e ir para junto deles, deixando-na mais para trás. Avancei um pouco mais para a frente colocando-me ao seu lado, fomos o resto do caminho em silêncio, eu apenas sentia o seu cheiro entrenhar-se nas minhas narinas provocando um sensação incontrolável de a agarrar, descobrir como é o seu beijo! No fundo da rua começamos a ouvir o som da música já bastante alta com batidas fortes, a iluminação da casa causava até ardência nos olhos , mas isso era já habitual do Liam, fazer festas em grande!
Finalmente chegamos ao portão da casa, havia pessoas sempre a entrar e sair, tornava-se quase impossível andar, as batidas da música eram agora mais intensas parecendo quebrar o meu peito e rebentar com os meus ouvidos. Algumas raparigas, senão a maioria, já estava completamente fora de controlo, rebolavam o corpo ao som da música com um pedaço de tecido a cobri-las. Olhei para a Mel e ri-me com a expressão surpresa dela.
Eu: São só putas. Não ligues, vales muito mais do que elas! - sussurrei ao seu ouvido e sentia arder, mal pousei a minha mão sobre a sua cintura ela foi arrancada da minha beira pela Caroline que a levou para dançar. 


***


Peguei num dos copos para a minha mão, o mesmo líquido incolor de sempre, aperto o copo na mão empurrando-o contra a minha boca e engulo tudo de uma vez só, aquele sabor ardente queima a minha garganta na sua passagem rápida, escaldando-a mas logo se segue uma sensação fresca. Pouco tempo depois, já tinha bebido umas tres vodkas e o meu corpo encontrava-se perfeitamente bem, dirigi-me para a pista de dança segurando um copo na mão. Quando me apercebo um rapariga balança o seu corpo contra o meu, percorri o meu olhar por todo o seu corpo...Ohhh fodasse que boa! Aperto a minha mão livre na sua cintura colando-a a mim e movimentando os nossos corpos ao som da música. Ela roda os seus braços à volta do meu pescoço e de repente sinto os seus lábios colados aos meus, deslizei a minha mão pelas suas costas chegando ao seu rabo e apertando-no, a sua língua lutava com a minha, misturando o seu hálito a álcool com o meu... 


Mel P.O.V. 


As batidas fortes da música estavam a deixar-me zonza, saí para a parte de trás da casa onde não havia quase ninguém, a aragem fresca da noite deixou-me respirar melhor, sentei-me junto da piscina tirando os sapatos e colocando os meus pés dentro da água... o estrelado do céu refletia-se nela.
XXX: Posso??


Continua...

xxAndy


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