domingo, 18 de maio de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 4 - Breathing me


Mel P.O.V. 


Zayn: Eu vejo fogo!
Eu: Porque dizes isso?? - um brilho intenso ia iluminando o seu olhar, nem a mais profundo escuridão que caísse poderia ofusca-lo. Era um brilho único, que me confundia desde o primeiro dia que o vi. Ele tinha algo de diferente nele que me deixava desejosa de descobrir... era demasiado perigoso!
Zayn: Simplesmente vejo. Queres mentir-me outra vez é?
Eu: N... - ele interrompeu-me.
Zayn: Isso é um hábito para ti?? Esconder o teu verdadeiro eu dos outros?? - as perguntas dele deixavam completamente confusa, não arranjava respostas para elas, era como se ele tocasse num ponto de mim que nem eu mesma conheço ou entendo. Ás vezes encarno mesmo a alma do fantasma de uma rapariga que eu tento ser acima de tudo, mas mesmo assim ele nunca apaga o medo que eu tenho da vida, a dor e a solidão que me abraçam até eu adormecer.
Eu: Quem é que julgas que és?? - respondi fria mas ele manteve-se calmo.
Zayn: Um idiota que nem te conhece e mesmo assim está a tentar proteger-te caralho! - o silêncio voltou a colocar-se entre nós, parecia nos seguir a cada resposta inesperada dele.
Eu: Não precisas de fazê-lo, nunca to pedi. E se te arrependes assim tanto, afasta-te é simples, não te estou a prender a mim ou estou?!
Zayn: Também nunca pedi a tua opinião e tu insistes em dá-la! - disse bruto, levantei a minha mão num impulso mas antes que o atingisse ele desviou a cara colando os nossos corpos e agarrando os meus braços com força, pressionando os seus dedos nos meus pulsos já doloridos. - Opção errada babe! - ele sorriu empurrando-nos contra o poste atrás de mim e mantendo a sua boca bem próxima da minha. Tremi com a sua ação, ele deixava-me cada vez mais confusa, sem saber o que esperar dele. - Abre os olhos Mel, isto aqui é perigoso! - sentia as pontas dos seus cabelos tocarem na minha testa e a sua respiração quente abafar os meus lábios semi-abertos. Vi os seus lábios virem na direção dos meus mas logo ele os desviou para a minha bochecha beijando-a - És demasiado inocente! - ele voltou as costas indo embora. 



Zayn P.O.V. 


Muitos são aqueles que acreditam que o mundo acabará em fogo, outros em gelo, eu prefiro fogo, mas pensando duas vezes, o ódio é prova de que mesmo pelo gelo o fim seria ótimo! E até que esse dia chegue, pessoas como eu sobrevivem e jogam com a alma dos inocentes.
Como podem existir pessoas tão boas?? Pessoas que não se apercebem da falsidade e do interesse que as cerca. Será simplesmente inocência ou elas gostam de acabar a secar lágrimas de uma dor cicatrizante?? Não entendo como conseguem deixar-se levar em meras palavras quando o silêncio vale muito mais que isso... só nele se escondem as verdadeiras respostas!
Voltei-lhe as costas seguindo o meu caminho, uma das minhas mãos foi guiada até ao bolso de trás das calças... a cada passo meu haviam olhares caindo sobre mim, sabia que atraía as raparigas de uma certa forma, mesmo sem que as olhasse sabia que a sua atenção se direcionava para mim.
Liam: Contaste-lhe?? - ele bateu a sua palma da mão nas minhas costas gargalhando e de seguida sentou-se em cima do muro na frente da escola.
Eu: Achas?? - franzi as sobrancelhas apaoiando o peso do meu corpo numa perna e apoiando a outra no muro ao seu lado. - Quero manté-la afastada disto entenderam?
Louis: Queres afastá-la porque?? Ela já está nisto Zayn, sabes que não existe saída depois que entras num mundo como o nosso!
Eu: Pra ela existe entendeste?? - atirei o seu corpo na frente do meu. Cada veia do meu corpo começou a pulsar, senti os meus músculos ficarem tensos com as palavras que rompiam da sua boca. Volto a puxá-lo pelo ombro cerrando os punhos e mantendo os braços encostados à lateral do meu corpo, controlando a raiva que circulava em cada pequena ramificação de sangue minha. - Ela não vai ser mais uma vitima!
Louis: Abre os olhos caralho!! O Kail sabe quem ela é, por mais que queiramos negar, ela é SIM mais um ponto fraco nosso! - permaneço calado em frente dele - Eu não posso acreditar mano! Ficaste apaixonado por ela ou quê?!! - ele riu. De uma certa forma inesperada a sua brincadeira afetou-me fazendo a minha raiva crescer.
Eu: Estás a gozar com a minha cara por acaso?? - grito, empurrando-o... O que é que eu tinha?? Porquê aquelas reações??
Louis: Ouu, acalma-te está bem?? - ele levanta os braços em sinal de paz, ouço os pés de Liam baterem no chão ao meu lado. Sentia-me a explodir sem explicação, o meu coração dava batidas cada vez mais aceleradas fazendo o sangue circular no meu corpo de maneira mais brusca.
Liam: Mas a miúda afetou-te o cérebro ou quê?? O Louis estava só a brincar e tu explodes dessa maneira caralho! - fala sério, vejo na sua expressão que estava confuso tal como eu com a minha reação. Sacudi os cabelos e voltei a subir o olhar até Louis.
Eu: Fodasse, desculpa ok! - suspirei - Eu ainda estou nervoso por causa do Kail. Viram o estado em que a Caroline ficou ... Temos que começar a proteger melhor os nossos ou vamos acabar por perder contra aqueles filhos da puta que não valem a merda do chão que pisam!
Liam: Eles vão pagar sabes bem ... e não falta muito!
Eu: Vou indo para casa, estou sem cabeça putos! - despedi-me deles e caminhei pelas ruas estreitas de Bradford, estavam vazias, aparentemente ...
Mel, só o seu nome ecoava na minha mente como uma droga aliciante. Conhecer esta rapariga foi o maior erro que eu podia ter cometido, vai arrastar-me para problemas, confusões, o que eu menos preciso neste altura! O Tyler ia ser um bom parceiro, era forte, tinha uma alma como a nossa... mas ela! Ela não pertencia a este lugar mesmo... ou talvez sim!!
Era confuso, eu via ainda algo de diferente dele, uma pequena alma rebelde à espera do momento certo para encontrar a vida dentro de si! Finalmente avistei o portão da minha casa, entrei e tranquei-me dentro do quarto ignorando os gritos da minha mãe. Não arrancava as imagens do que se tinha passado na escola hoje, o estado em que a Caroline tinha ficado depois daquele filho da puta lhe ter tocado... a marca no pescoço da Mel. Ela provavelmente não se apercebeu de que reparei mas sim, eu reparei no ematoma que se formava na sua pele! Sentia uma vontade incontrolável de matá-lo, naquele momento, desfazer cada pedacinho seu... tirar-lhe a vida! Juro que se o Liam e o Louis não estivessem lá era capaz de o fazer.
Direcionei os meus passos da varanda para dentro do quarto e tirei um cigarro, o isqueiro e um pequeno pau de pólen do meu armário, sentei-me sobre a cama e dei um corte no cigarro retirando todo o seu conteúdo para a minha mão, só o seu cheiro já deixava o meu corpo desejá-lo pra caralho. Pousei as ervas dentro de uma pequena caixa e segurei agora no pau de pólen e queimei-o lentamente, uma sensação prazerosa invadia cada veia minha, o sangue queimava dentro delas... depressa o pau ficou suficientemente mole para que o pudesse desfazer, misturei-o com o conteúdo do cigarro. Peguei na mortalha estendendo-a sobra a palma da mão livre, coloquei a mão sobre a que tinha o conteúdo, pressionando a mortalha nele e virei as mãos deixando tudo em cima dela. Coloquei o filtro numa das pontas e enrolei devagar para que ficasse bem apertado, pisei o conteúdo depois de bem enrolado com o isqueiro, fechei cada espaço para que a cada tragada o meu corpo, a minha mente de sentissem mais leves, e para que a cada bafo um sorriso de satisfação e liberdade se formasse. Finalmente enrolei a mortalha, levei o filtro até aos lábios e comecei a queimar dando o primeiro bafo soltando o fumo, e inundando o quarto com aquele cheiro que me satisfazia. Tombei o pescoço para trás deixando as sensações, que agora tomavam conta de mim, me acalmarem.
Droga ... no príncipio um sensação de euforia e total entrega, algo alucinante que no dia seguinte te faz querer sentir tudo de novo, fa-te querer mais e mais! Não viciamos logo, mas amamos a sensão de liberdade que nos dá, aos poucos ela passa a ser parte do nosso organismo, parte de nós e torna-se um dependência ... boa! O êxtase estava a tomar conta de mim agora mesmo, não pensava em mais nada, o efeito era fascinante, estimulante ... abstraía-me de tudo!
Mel: Uhmm posso entrar?? - olhei para a porta do quarto, revirei os olhos ... dei uma ultima tragada e levantei-me aproximando-me de si.
Eu: O que é que vieste aqui fazer?? - apoiei o braço contra a parede ficando á sua frente, notei que o cheiro a incomudava. - Vais-me responder ou ?...
Mel: Obrigada ... - ela mordeu o lábio envergonhada e encostou-se contra a parede onde tinha o meu braço apoiado deixando-nos mais próximos. - Hoje, bem se não tivesses aparecido acho que as coisas iam correr pior - comecei a sentir-me zonzo, não entendendo bem as palavras que ela dizia. A minha respiração prendia-se na garganta enquanto os meus dedos tornavam-se trémulos, o corpo começou a aquecer, apertei os punhos tentando manter os olhos abertos. Ao mesmo tempo que me sentia ficar fraco havia também uma sensação de nervos percorrendo todo o meu corpo. Todo o meu abdomen parecia estar a ser apertado, e pontadas fortes eram aplicadas nele subindo até ao meu peito. Revirava os olhos em branco ... - e .. uhmm ... O que é que se passa?? - ouvi a sua voz preocupada. Dei lentos passos para trás tentando encontrar equilíbrio. De repente senti as suas mãos apoiarem num lado da minha cintura e ela colocou o meu braço à volta do seu pescoço e levou-me até á cama sentando-me lá - Estás-me a ouvir?? - ela colocou a sua mão sobre a minha. Acenti. O meu corpo começava agora a suar, não conseguia manter os olhos abertos e mal me segurava.
Os seus dedos deslizaram agora para o meu peito ... Porque é que o seu toque me estava a deixar pior ainda? Respirei profundamente, ambos nos mantivemos em silêncio por breves momentos... a minha respiração foi se acalmando, olhei-a.
Ela: Tem calma ... Respira! - ela pediu calma.
Eu: Respira-me! - falei fraco... aquelas palavras fugiram-me dos lábios, eu não o queria dizer mas ao mesmo tempo queria ... ela dobrou o seu corpo até ao meu abraçando-me. Não esperava essa reação da sua parte mas não posso mentir, eu amei! Ela suspirou fundo contra o meu pescoço como se .... me respirasse! O meu corpo parecia voltar ao normal, rodei os meus braços à volta da sua cintura puxando-a mais para mim. Ela afastou-se ... sorri com o jeito dela e ela logo subiu o olhar para mim.
Mel: O que é que se passou contigo?? - ... efeitos da droga ... engoli seco.
Eu: Nada! Nada que pelo menos te diga respeito.
Mel: Como queiras - respondeu fria, levantando-se e saindo.
Eu: Mel! - chamei-a mas ela ignorou-me continuando a andar, saí a porta do quarto disparado atrás dela e depressa a alcancei atirando-a contra a parede antes que ela descesse as escadas. - Não me ignores caralho!! - falei nervoso pressionando os seus ombros com força.
Mel: O que é que tu queres??? - ela explodiu.
Eu: Primeiro, que te acalmes. Depois ... acho melhor não ires sozinha para casa! Eu levo-te.
Mel: Não quero! - disse firme, afastou as minhas mãos dos seus ombros e seguiu. Fiquei estático nas escadas vê-la ir embora e depois a olhar a porta fechada...Qual era o problema dela?? Qual era mesmo?? Eu sinceramente não percebia!


Continua...

xxAndy


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