domingo, 11 de maio de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 3 - I see fire







 

Mel P.O.V. 


Por volta das cinco da manhã já estava acordada, mantive-me quieta no sofá sentindo os braços de Tyler à minha volta cercando a minha cintura e prendendo-a com força contra si, parecia que tinha medo de algo, que estava a sonhar. As suas palmas da mão estavam suadas e a sua respiração quente transmitia leves ondas de calor ao meu corpo.
O tempo ia passando, o barulho do carro, o quão aquelas luzes me sufocaram... tudo isso envolvia-me num mar de pensamentos que iam sendo arrastados para os seus braços envolvidos na minha cintura, para tudo o que ele me fazia sentir e eu não percebia! Na televisão apenas passava a notícia de que a escola de Bradford tinha sofrido um atentado, mais uma vez, por parte de um grupo desconhecido. Um ambiente totalmente oposto àquele que vivia em LA, lá nunca estivemos em perigo dentro da nossa própria escola, havia segurança, tinha liberdade para poder confiar nos meus próprios passos... mas aqui, aqui não! 


***
Eram sete da manhã, não me sentia nada preparada para começar um novo dia, começar um novo dia tentando esquecer que a minha irmã está morta. O Tyler disse-me que trataria de tudo, sinceramente senti um alívio com as suas palavras, acho que não me sentia preparada para estar no enterro da Caissy...
Vesti umas calças pretas justas e coloquei uma sweat agarrando o cabelo. Olhei-me no espelho...
Nós, o nosso jeito, os nossos problemas, a raiva, a dor, cada minimo pormenor nosso... o nosso mundo, nós, o nosso à parte e as nossas fraquezas superadas por algo inesperado, algo que te transforme, te dá força e apazigua a tua alma carregada. O inexplicável que te dá vida, as batalhas que resumem a tua vida e... as vitórias que a marcam. Somos feitos para ser fortes! Eu ia sê-lo!
Saí de casa, na escola os mesmos olhares desconfortáveis voltavam, suspirei e coloquei a mão sobre a maçaneta da porta da casa de banho, em menos de segundos senti o meu corpo ser atirado lá para dentro e as minhas costas baterem na parede causando-me leves ardências na coluna, mordi os lábios minimizando a dor, o meu corpo estava caido no chão devido á força com que me empurraram.
XXX: Estás bem?? - uma rapariga de cabelos loiros ondulados atirou o seu corpo para junto do meu. Elevei o rosto afastando o cabelo para trás da cara conseguindo agora vê-la perfeitamente. Os olhos dela eram um verde bastante escuro chegando a parecer castanho por vezes, tinha um piercing sobre a sobrancelha dando-lhe um ar obscuro com a maquiagem escura que utilizava nos olhos. Acenti sorrindo. - Caroline ... é o meu nome! - ela sorriu discretamente apoiando as mãos no chão. Mexi um pouco o corpo dolorido e soltei um pequeno gemido - Magoaste-te? Desculpa, estava a tentar fugir e ... - ela engoliu seco desviando o olhar do meu.
Eu: E ... - esperei uma resposta dela mas nada - Porque estavas a fugir?
Caroline: É uma história complicada ... és nova aqui certo?? - ela desviou o assunto, reparei na maneira como se sentiu desconfortável com a minha pergunta. O que lhe teria acontecido? Será que alguém a perseguia? E se ele corresse perigo? Não Mel, seja o que for não te vais meter em confusões!!
Eu: Sim. - a campainha tocou, ia ter filosofia, agarrei as minhas coisas do chão levantando-me - Uhmm tenho filosofia preciso mesmo de ir. Fica bem! - dirigi-me para a porta e olhei para ela que se ria.
Caroline: Estás em Bradford Mel! - franzi as sobrancelhas não percebendo o sentindo da sua afirmação. - Aqui não precisas de te preocupar em chegar a tempo às aulas! Nem mesmo os professores se preocupam em faze-lo. - Como assim?? Será que naquele lugar nem UMA única coisa poderia ser normal como em Los Angeles?! Suspirei encostando-me contra a porta e mantendo a minha mão apoiada na maçaneta, tombei a cabeça para trás e ... - O Zayn tinha mesmo razão em relação a ti! - ela esboçou um sorriso encostando-se contra a parede. Zayn? Dirigi o meu olhar para si confusa, senti a minha respiração cortar-se ao ouvir esse nome, mais uma vez ela riu-se da minha reação. Aquela sensação que me domava agora, poderia ter inumeras razões afinal eu estava a ouvir falar de um rapaz que nem conhecia mas ele parecia saber algo a meu respeito, ou ... aquele nome criava algo em meu corpo desconhecido, e a única coisa me que a minha cabeça pensava era no rapaz de ontem. Seria mesmo ele?
Eu: Quem é o Z... - ela interrompeu-me amarrando o seu casaco no braço e andando na minha direção apressada, a sua expressão estava completamente mudada, o medo parecia voltar a tomar conta de si.
Caroline: Tenho de ir - ela saiu.
Soltei mais um suspiro e comecei a caminhar lentamente pelo corredor arrastando os pés pelo chão. Cheguei á porta da aula, olhei o fundo do corredor por um impulso e vi uma sombra lá no fundo ... um leve arrepio precorreu o meu corpo, eu sabia quem ele era. Entrei na sala. 


***
Passada uma hora que parceu uma eternidade a aula finalmente terminou, mal saí ouvi gritos vindos do fundo do corredor e uma rapariga ser arrastada, ela parecia exatamente como a Caroline. Corri até lá o mais rápido que consegui mas mesmo antes de lá chegar um rapaz agarrou o meu braço puxando-me para si e apertando o meu corpo.
XXX: Afasta-te de pessoas como a Caroline, elas são o teu caminho para a morte! - os seus olhos penetravam os meus de uma maneira intensa, vi a raiva dele em cada traço de sangue que ia preenchendo o interior do seu olhar. - És uma princesinha não queiras ser usada, abre os olhos antes que seja tarde de mais!
Eu: Porque é que me estás a dizer isso? Nem me conheces! - rosnei.
XXX: Porque é que achas que não te conheço?? - engoli seco soltando o meu braço dele. - Um aviso ... toma em atenção a maneira como falas para as pessoas aqui Mel. Não sabes do que somos capazes! - revirei os olhos voltando-lhe as costas mas mais uma vez o meu corpo foi arrastado para trás. - Não percebes?? - disse nervoso soltando um riso abafado no final.
Eu: O que é que queres de mim? Diz-me de uma vez por todas caralho! - gritei batendo com as palmas da mão no seu peito empurrando-o ligeramente para trás.
XXX: Não vais entrar ali. Entendeste? - ele gritou de volta, durante o momento que falava senti o meu corpo ser brutalmente empurrado contra a parede, as suas mãos prenderam os meus pulsos agressivamente, mordi os lábios tentando abafar a dor. A sua respiração acelerada tocava cada canto dos meus lábios, agora reparava no quanto a sua figura me intimidava, ele era bastante mais alto que eu, o tom de pele claro contrastando completamente o escuro das suas pestanas, os olhos nitidamente azuis e hipnotizantes. Não sei porque estava a reparar em cada feição dele mas era nele que a minha atenção se estava a concentrar agora por mais que não quisesse ou fosse absurdo.
Eu: Não mandas em mim. Se eu quero, entro! - disse firme e tudo o que senti foram os meus pulsos a serem mais apertados, os músculos do seu peito estavam tensos pressionando o meu peito com mais força.
XXX: Aindan, o meu nome é A-I-N-D-A-N - ele pronunciou cada letra - Grava-o bem na tua mente porque vais ouvir falar muito dele daqui para a frente! - sussurrou próximo do meu ouvido, o meu corpo parecia ter caído em pedaços quando os meus pulsos se sentiram livres da sua força. Ele manteve-se estático a perfurar-me com o olhar. Acariciei os pulsos e voltei a olhá-lo uma última vez antes de empurrar a porta e entrar... a minha boca formou um perfeito "o" ao aperceber-me do que estava a acontecer ali dentro. Um rapaz alto e musculado, utilizava uma roupa toda preta à excepção do gorro cinza que cobria os cabelos escuros e lisos com uma madeixa azul á frente. A rapariga que agarrava era mesmo a Caroline ..."Porque estavas a fugir??" "É uma história complicada" ... seria dele?!
Caroline: Larga-me, filho.da.puta! - gritou desesperada enquanto as lágrimas molhavam o seu rosto. As suas pernas tinham alguns arranhões profundos, vi o medo dominar o corpo dela, ele agarrou o seu braço atirando-a contra parede, um gemido escapou dos seus lábios e deixou-se deslizar pela parede acabando caída no chão. Os seus longos cabelos loiros estendiam-se pelos azulejos e ela escondeu o rosto entre eles.
XX: Puta é a tua mãe vadia! Devias ter pensado bem antes de me tentar enganar, ou achavas o que? - ele gargalhou aproximando-se a passos lentos dela ainda estendida no chão - Que ia cair na vossa armadilha, ERA?? - dobrou os joelhos apoiando os cotovelos nas pernas e permanecendo junto dela - O que aconteceu ontem na escola foi só o íncio, porque isto só termina quando eu acabar com cada um de vocês princesa! - o atentando à escola, tinha sido ele! O que é que eu ia fazer?? Não podia deixar a Caroline ali sozinha mas e se ficasse?? Não sabia do que ele era capaz... ela levantou o rosto lentamente, o seu lábio estava magoado e a sua maquiagem completamente borratada colando alguns fios de cabelo ao rosto, a punho dele cerrou-se...
Eu: Para! - gritei, o seu corpo rodou para trás e todo o meu corpo tremeu, o meu coração parecia explodir no peito ao sentir o seu olhar penetrar-me. Os meus batimentos aceleraram momentaneamente a uma velocidade alucinante, uma aflição, um medo crescia em mim e parecia cortar a minha respiração, sufocando-me. Ele levantou-se caminhando para mim - Deixa-a em paz - a minha voz tremeu ao senti-lo demasiado junto a mim. Sentia a minha boca ficar seca aos poucos.
XXX: E quem me obriga? Tu? - gargalhou e prendeu-me contra a porta apoiando um dos seus braços na parede ao meu lado.
Caroline: Sai daqui Mel - disse fraca tentando ganhar forças para se levantar.
XXX: Uhmm Mel! Sou o kail! - sussurrou ao meu ouvido e de repente senti os seus lábios serem pressionados no meu pescoço e ele chupou-o, os meus olhos cerraram rapidamente e senti-o sorrir contra a minha pele enquanto forçava o seu corpo no meu. As suas mãos escorregaram pelo meu pescoço e em pouco tempo senti-as nas minhas costas.
Eu: Solta-me. - falei baixo, não sei o que ele estava a causar-me mas era desconfortável, ele agarrou o meu queixo fazendo-me olha-lo bem nos olhos e ... afastou-se de mim. A porta atrás de mim foi aberta empurrando o meu corpo para a frente, Kail segurou-me e de repente o Tyler entrou com mais três rapazes e logo puxou o meu corpo para si abraçando-me e saindo comigo, do lado de fora conseguia ouvir os gritos do Kail, montes de pessoas paravam ali à porta junto a nós esperando para ver o que se estava a passar lá dentro mas ninguém se atrevia a entrar. O que é que lhe estavam a fazer?! As mesmas sensações de sempre voltavam a amedrontar-me, cada parte de mim tremia... - Tyler pede-lhes para pararem! - ele abraçou-me mais para si apoiando a minha cabeça no seu peito e acariciando os meus cabelos. Porque é que ele não fazia nada? Desamarrei-me de si ...
Tyler: Onde é que vais? - disse brusco segurando o meu pulso. - Deixa-os Mel, não entendes que estás cada vez mais desprotegida neste lugar, não quero que nada te aconteça, já me bastou perder a Caissy não te quero perder a ti!- gritou furioso.
Eu: Para de querer proteger todo mundo, não és de ferro ok?! Eu não preciso de um pai, preciso de um irmão ao meu lado! Deixa de pensar que tens de me manter segura, eu mesma tenho que aprender a fazê-lo!
Tyler: És a minha prioridade Mel, isso não vai mudar nunca. - a porta abriu-se desviando a minha atenção, o Kail saiu em primeiro correndo rápido e derrubando algumas pessoas que tentavam perceber o que aconteceu. Cada vez apareciam mais pessoas, toda a confusão estava a deixar-me um pouco zonza, afastei-me para trás da multidão que cercava a porta e encostei-me num dos postes abraçando as pernas entre os braços. Aos poucos acho que as pessoas iam-se afastando e eu perdia noção do tempo ... eu sentia-me a viver um sonho em que era impotente, não tinha qualquer apoio para me manter me pé e por isso brevemente iria desmorenar. Era tão estranho deixar tudo para trás, os nossos sonhos, passar a não nos sentir bem connosco mesmos porque agora nem sabemos o que é uma ponta de felicidade. Se emoções são droga, eu tinha agora um vício... medo de tudo! Deslizei as mãos sobre os meus cabelos e acabei por tocar a marca do seu beijo no meu pescoço... o meu olhar direcionado para o chão observou uns pés na minha frente, subi lentamente o olhar...
Zayn: Estás bem??- ele estendeu uma das suas mãos para mim ajudando-me a levantar. Acenti. - Uhmm ainda bem... Agora diz-me verdade!
Eu: Porque é que nunca acreditas no que digo? - perguntei.
Zayn: Porque vejo-o nos teus olhos!
Eu: Então o que é que vês nos meus olhos agora?? - fiquei com receio da sua resposta. Ele analisou-os por momentos... apenas permaneci quieta, não sei o que ele via mas o que eu sentia era uma chama queimando-me por dentro, uma desolação rodeada de fogo e profurando a minha alma quando estou próxima dele.
Zayn: Eu vejo fogo! 


Continua...

xxAndy

Nenhum comentário:

Postar um comentário