domingo, 27 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 28 - Roller coaster

Passamos um bom tempo a falar e a conversar e acabei por descobrir que ele já tem um “emprego”, o que explica muita coisa... o carro que ele tem estacionado lá fora não foi pago pelos pais dele de certeza!
Ele trabalha num ginásio, pelo que percebi dá aulas de box aos sábados e participa em várias competições. Ele falava tão contente e os seus olhos brilhavam a cada momento que recontava as suas vitórias e percebo que está orgulhoso por ver onde chegou. Sem dúvida que ele sabia se defender... mas imaginá-lo à luta novamente não é algo que eu queira mesmo. Na verdade, só me matava por dentro, sentia-me mal com isso, como se vê-lo magoar-se fosse quase um desespero.
Ver o quanto ele mudou em mim leva-me ao extremo! Eu nunca foi de me preocupar muito com as pessoas, não me lembro de dormir na mesma cama com mais alguém, não me lembro de chorar tanto por  medo e aflição... ele trazia o pior ou talvez o melhor de mim, porque esta não sou eu.
Liam: Hmm bem tenho de ir pra casa agora, a menos que queiras que eu fique aqui?
Eu: Ah, não. Podes ir. – murmuro. Ele levanta-se e veste o casaco enquanto caminha até a porta. – Liam? – chamo. – Obrigada por isto. – ele sorri e num relance a porta fecha-se e ele já cá não está.
Talvez eu devesse ir dormir? O meu subconsciente lembra-me que acordei à poucos minutos mas não encontro nada mais interessante para fazer. Quando passo pela cozinha encontro os dois pratos ainda em cima da mesa e penso vigorosamente em limpar a casa toda, de cima a baixo.
Desde o dia em que a minha família se foi, eu tive que fazer tudo sozinha. Já não tinha a minha mãe para limpar tudo ou sequer mandar-me ir dormir mais cedo.
Quando não tinha nada para fazer, eu limpava e colocava uma música qualquer a dar. Sei que parece estúpido, mas sempre fui habituada a deixar tudo limpo e não vou estragar isso.
Vou até a cozinha e começo por lavar os dois pratos sujos. Ele tinha deixado tudo arrumado, mas esqueceu-se de arrumar o seu prato... o que na verdade é bom porque me dá uma tarefa extra. Estava a limpar a mesa quando ouço a porta bater. Corro até lá antes de limpar as mãos ao pequeno pano e abro-a. O ar frio bate na minha cara e arrepia-me, mas não tanto quando vejo quem está à minha frente.
Eu: Esqueceste-te de alguma coisa? – pergunto e dou espaço para ele entrar e ele assim o faz.
Liam: Hmm sim. Acho que deixei aqui o meu telemóvel. – murmura enquanto passa as mãos pelos bolsos para se certificar que lá não estavam. Ele começa a caminhar e vejo-o subir as escadas e vou atrás dele. Quando reparo está no meu quarto a remexer em tudo.
Eu: Eu dei-te permissão para mexer nas minhas coisas por acaso? – digo. Quando penso que estava tudo a ir bem ele volta como se mandasse em tudo, boa. Uma certa raiva começa por crescer dentro de mim e lembro-me de respirar fundo, mas não resulta quando vejo que me está a ignorar. Vou até ele e dou-lhe um leve empurrão, não tão leve quanto isso porque ele cai levando-me com ele.
Liam: Estás assim tão desejosa que não possas esperar? – ele ri, um riso estúpido e desejoso. Mas um riso poderoso que me incendeia por dentro, mas depois de hoje... já nada será como antes. Depois do que aconteceu hoje, a última coisa que quero saber é de qualquer tipo de relação sexual...
Eu: Ugh idiota. – grunhi e levanto-me. Sem dúvida que esta camisola não me está a ajudar em nada hoje. – Não gosto que mexam nas minhas coisas. – atiro.
Liam: Bem, eu só estava a procurar pelo meu telemóvel e tu empurraste-me de qualquer modo.
Eu: Não gosto que mexam nas minhas coisas. – repito dura. Ele é tão irritante porra! Como é que pode ser tão bipolar?
Liam: Bem, será que podemos parar com isto? Estava a correr bem até agora. – ele diz num tom calmo. Levanta-se e encontra o telemóvel em cima da cabeceira ao lado da minha cama e aponta com ele para mim para me dar a perceber que ele veio cá por um motivo verdadeiro.
Eu: Estava a correr bem até tu te fazeres de estúpido.
Liam: Oh deixa-te de coisas Bell. Ficaste ofendida por eu dizer aquilo? Pensei que eras demasiado dura para isso. – atira e faz a minha pele rasgar como que setas estivessem a atingir-me. O sangue parece esvair-se do meu corpo e sinto-me ficar gélida. Ouvi-lo da boca dele parecia ser muito pior do que qualquer outra pessoa a dizê-lo. Porra, ele não sabe nada da minha vida, porque é que simplesmente não se cala? Limpo o canto dos meus olhos com a costa das mãos e cruzo os braços debaixo do meu peito.
Eu: Se já encontraste o que querias podes ir embora. – mando e de certa forma sei que ficou ofendido e não esperava que o fizesse. Talvez ele não me conheça de verdade. Neste momento, acho que ninguém me conheceu mesmo. Não o verdadeiro eu.
Liam: Desculpa. – ele sussurra e atinge-me ainda mais forte do que o outro comentário. Porque é que eu simplesmente não lhe dou uma estalada e o mando embora?
Eu: Vai-te embora. – digo firme e vou até a porta e abro-a. Tudo o que vejo é ele permanecer quieto e mais tarde voltar a pousar o telemóvel na cabeceira e atirar com o casaco para cima da cama. – Eu disse para saíres. – falo mais alto e cerro os olhos tentando conter a raiva que se formava em mim. Oh, tenho de aprender a controlar-me.
Liam: Não. Sinceramente não acho seguro ficares sozinha agora, ainda partes a casa toda.
Eu: Foda-se Liam sai! – berro e a minha garganta dói, a minha voz falha e os soluços voltam. Estava a ser demasiado bom, já devia ter suspeitado que alguma coisa ia acontecer. Os seus passos encaminham-se até mim enquanto desabava em soluços contra a parede. Eu sou tão parva, porque é que fiquei tão ofendida de qualquer das maneiras? Talvez porque a pessoa que pensei que nunca o diria o fez com a maior das facilidades?
Liam: Desculpa Bell. Desculpa eu não devia ter dito aquilo! Eu sei. – ele grita fazendo-me ouvi-lo. Olho para a parede fixamente à procura de não encontrar o seu olhar no meu. Os seus dedos percorrem o meu rosto e fazem-me virar a cara até ele. – Ouve-me. – ele ordena. – Eu sei que não estás habituada mas vais ter de perceber que só porque digo alguma coisa diferente não quer dizer que não me importe! Eu importo! Só preciso de levar isto com mais calma... não sei o que estou a sentir no momento... – ele murmura e afasta-se lentamente. Sinto um choque de curiosidade em relação a isso, mas sei que se descobrir o que ele realmente queria dizer alguma coisa vai voltar a acontecer e estragar tudo. E vai ser sempre assim... como uma montanha russa.
Eu: Achas que eu sei? Por mais que te odeie fazes-me pensar o contrário! E quando penso que realmente te importas minutos depois fazes-me odiar-te ainda mais!! – berro. As suas costas estavam voltadas para mim e irritava-me perceber que ele não queria sequer olhar-me enquanto estava a falar para ele! O que é que lhe deu na cabeça para dizer aquilo? – Não tens nada para me dizer?
Liam: Tenho. Várias até. Mas tu ainda não te calaste. – suspira e cruza os braços enquanto roda nos calcanhares e me olha. – Já posso falar? – formam-se várias linhas na sua testa enquanto ele permanecia com a expressão duvidosa à espera de uma resposta minha que acabou por não chegar, acho que ele levou isso como um “sim”.
Passaram-se alguns segundos de silêncio e ele continuava calado.
Eu: Diz alguma coisa ou então sai. – atiro e soa mais rude do que estou à espera.
Liam: Nada... – suspira, os seus ombros tensos relaxam e vejo-o deitar-se na minha cama, sem a minha ordem. Ele ainda não percebeu que não pode ficar aqui?
Solto um suspiro profundo quando percebo que ele não vai sair. Quando olho para o relógio já passa da meia noite...
Eu: Vais ficar aí?
Liam: Vou.
Dou de ombros, não acho que vá valer a pena outra discussão. Ele vai acabar por sair... acho eu. Quer dizer, ele não deve pensar que só porque cá esteve hoje de tarde esta agora é a casa dele ou  pensa? Abano a cabeça com os pensamentos e chuto-os para longe enquanto desço as escadas. 


Continua...

xxPatricia

Nenhum comentário:

Postar um comentário