sexta-feira, 25 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 27 - Nice

Surgiram alguns problemas com a estúpida porteira, ignorei e apenas deixei que o Liam tratasse do assunto, ele já tem 18 anos, é lhe permitida a saída sem ordem dos pais, já a minha não... Mas ele mesmo encarregou-se por mim, soa estranho e faz-me sentir ainda mais estranha...
Durante o caminho não falamos, tinha encostado a minha cabeça contra o vidro da janela enquanto tentava apagar tudo da minha memória. É quase óbvio que isso foi impossível.
O carro para em frente à porta de minha casa, olho quase incapaz de me movimentar, solto um suspiro profundo que não sabia estar a aguentar. Abro a porta do seu carro e pego na minha mochila enquanto caminho sobre o pavimento até a minha casa.
Quando entro a temperatura parece ter diminuído drasticamente, todo o meu corpo treme com isso enquanto atiro com a mochila contra um canto. A porta bate atrás de mim, pensei que a tinha fechado. Vou até o corredor e tento ligar o aquecimento, à espera de conseguir pelo menos aumentar um pouco a temperatura fria aqui dentro.
Liam: Estás com frio? – a sua voz soa mais suave do que me lembro enquanto ele caminha para mais perto lentamente, os seus próprios passos pareciam atrapalhá-lo a todo o momento.
Eu: Hum, um pouco. – encolho-me apertando os braços contra o meu peito. Vou até as escadas e sigo até o meu quarto, não sei se ele me segue, não devia ter cá entrado sequer, mas não vou protestar contra isso. Estou demasiado cansada. Deixo a porta encostada e ouço a batida de dedos contra ela enquanto a sua cabeça surge por entre o espaço. – Entra. – sento-me na ponta da cama e apoio a cabeça nas minhas mãos enquanto os meus cotovelos se seguram nas minhas pernas. Os meus olhos pareciam querer fechar-se enquanto os tentava manter abertos, de algum modo sabia que ia ser impossível. Ouço um pequeno riso abafado que escolho ignorar enquanto me levanto lentamente, a minha barriga dói e tenho uma mancha enorme nela.
Liam: Dorme um pouco.
Eu: Não. – suspiro e ando até o armário e procuro por um pijama. O maior problema é que eu não durmo de pijama  mesmo, costumo colocar apenas uma camisola e não vou fazê-lo enquanto ele aqui está. Ele observa-me atentamente de braços cruzados e espero que se vire, mas ele não o faz.
Liam: Oh. Podes vestir-te! – diz, as suas bochechas ganham uma cor diferente, ele cora. Quase penso que foi por minha causa, mas isso nunca aconteceria. E mesmo que acontecesse, não ia mudar nada. Somos completamente diferentes. Não vou enumerar as diferenças porque são demasiadas e a cada momento iria encontrar um nova. Provavelmente até iria descobrir coisas que preferia não saber, então vou ignorar o pensamento. Ele está virado contra a parede contrária de costas para mim.
Eu: Liam. – chamo – Liam! – porra será que não ouve?
Liam: Hmm?
Eu: Eu não me vou vestir agora. – afirmo. Não é de todo boa ideia andar por aqui apenas vestida com uma camisola.
Liam: Porque não?
Eu: Não tens nada a ver com isso! – ri ligeiramente, a temperatura parece ter aumentado aos poucos mas não tanto como esperava. Mexo-me desconfortavelmente assim como ele que se afasta ligeiramente da minha cama e se encosta a uma parede.
O clima está tenso então apenas tomo isso em consideração e não digo nada. Ele deve provavelmente estar a pensar no mesmo que eu quando o vejo mexer-se desconfortável e abrir a boca sem emitir nenhum som. Ele apoia o seu peso em uma das pernas enquanto mexe com a outra.
Eu: Podes sentar-te. – digo. Ele levanta a sua cabeça na minha direção e os seus olhos parecem ganhar algum brilho e a sua cara mostra surpresa enquanto caminha até a minha cama e se senta na ponta contrária à minha.
O segundos em que permaneciam calados sufocavam-me e deixavam-me tonta, as discussões tornam-se mais interessantes, mesmo que estejamos sempre zangados nessas alturas.
Liam: Hmm, estás bem? – ele pergunta e percebo o tom de curiosidade e preocupação na sua voz que hoje me parece mais calma do que nunca.
Sorriu levemente e aceno com a cabeça, mas sei que é mentira. Ainda sinto os dedos repugnantes do Gale pelo meu corpo e uma dor profunda cresce no fundo da minha barriga quando me lembro da forma como me olhava e tocava, era doloroso, quer física ou psicologicamente. Limpo os cantos dos meu olhos com as costas da mão enquanto tento afastar o pensamento.
Ele não repara e sinto-me mal por isso, como se me tivesse ignorado, mas não posso culpar. As lágrimas insistem em voltar aos meus olhos e já levo isso como um hábito estes dias, mas eu mesma impeço-as de cair.
Eu: Liam? – chamo e um nó grande forma-se na minha garganta. – Podes ficar aqui? – pauso. – Comigo? – mal falo e já estou novamente à beira de lágrimas.
Ele para o seu percurso e olha-me confuso mas logo volta a caminhar até mim lentamente. Cada passo parecia mais lento do que outro e isso frustrava-me, só o queria aqui e pronto. Não vou dizer que o amo, nem mesmo como amiga... só sei que longe dele já não sinto nada.
Puxo os lençóis para trás e ele caminha até o outro lado e faz o mesmo enquanto me olha. Percorro o meu olhar pelo meu corpo e penso seriamente na ideia de tirar esta roupa, que hoje parece trazer más recordações. Ele senta-se na cama e vai tirando o calçado e eu aproveito a sua distração e pego na camisola que usava para dormir e vou tirando as roupas enquanto rezo para que ele continue o que está a fazer. Empurro a camisola pelo meu pescoço e quando me viro encontro o seu olhar fixo e a sua boca abre-se ligeiramente. Penso em dizer alguma coisa, talvez algo para que o fizesse nunca mais olhar para o meu corpo mas não o faço...
Caminho até a cama e assim que me deito puxo os lençóis para cima enquanto me cubro. Ele faz o mesmo e deita-se por debaixo dos lençóis finos e brancos que nos envolviam. Uma mão toca-me na anca mas num relance afasta-se causando arrepios por todo o meu corpo. As minhas costas estão voltadas para ele e eu apenas permaneço a olhar para a parede clara que tinha em frente. Sinto o seu peito junto a mim e a sua mão larga passear pelo meu cabelo despenteado, automaticamente fecho os olhos e várias vezes tentava mantê-los abertos mas era uma missão mais que falhada, estava a ser um fracasso. O calor do seu corpo mantêm-me quente e confortável, o suficiente para que os meus olhos se fechassem...
***
Acordo e tenho a sensação de ter dormido durante vários dias, e mesmo que tivesse só era bom para mim. Já não dormia há mais de um dia e isso estava a acabar comigo, literalmente. Quando abro os olhos estou no meu quarto, tal como previsto, mas estou sozinha e o lugar da cama ao meu lado está vazio. Um nó formava-se na minha garganta sempre que pensava no motivo pelo qual ele terá ido embora, mas eu já sabia que isso ia acontecer, não estava à espera de outra coisa, não tem porquê eu me zangar com isso.
Pego no telemóvel e são onze horas da noite. Dedos batem na porta e ela abre-se enquanto eu olhava boquiaberta.
Liam: Eu estava à espera que acordasses para comer qualquer coisa, até te preparei alguma comida...
A minha cabeça gira e tenho vontade de bater em mim própria por pensar mal dele. A minha barriga faz um barulho e ele ri, não consegui evitar e juntei-me a ele.
Liam: Se quiseres ainda podes comer, eu não comi nada, é um pouco estranho pegar nas coisas dos outros sem ordem. – ele sorri e anda até mim e ajuda-me a levantar-me quando me vê fazer uma cara de dor. Até o meu peito dói agora. Reparo que ele estava a olhar para algum lado de forma estranha e desvia o olhar rapidamente mas não percebo porquê. Mais tarde, cerca de 5 segundos depois, percebo que a minha camisola estava subida até a minha cintura e deixava mais à mostrava do que eu pretendia.
Eu: Ugh, desculpa. – murmurei desconfortavelmente e ele sorri um pouco.
O caminho até a cozinha parecia ter sido demasiado rápido, demasiado para me permitir olhar para ele por um pouco que seja. Demasiado rápido para tentar perceber as suas ações.
Quando entro tinha dois pratos de comida sobre a mesa, algo que eu penso ser hamburgers e batatas fritas, simples mas para mim foi ótimo. E oh, eu sentia-me tão estúpida perto dele, sentia-me lixo por pensar que ele me tinha deixado aqui sozinha e na realidade ele estava a preparar algo para eu comer.
Sento-me numa cadeira e ele senta-se em frente a mim.
Liam: Espero que esteja comestível. – ele ri nervoso e passa a mão por detrás do pescoço. Sorriu e levo o garfo à boca, sabe ainda melhor do que esperava.
Eu: Talvez me pudesses dar algumas aulas de culinária? – riu e ele sorri aliviado enquanto assente com  cabeça. Ele é tão estupidamente amável que me baralha os pensamentos... eu quero dizer, como é que ele pode fazer algo como hoje fez ao Gale e agora está aqui comigo, enquanto comemos juntos algo que ele mesmo preparou?
O seu cabelo está levemente despenteado e a sua t-shirt parece diferente da última vez que vi. Rodo o garfo no prato enquanto mantenho o olhar fixo no nada... talvez ele não seja assim tão parvo?


Continua...

xxPatrícia


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