quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 23 - Pathetic


O ar está mais frio agora do que anteriormente. Quando olho para o ecrã do telemóvel ele marca 4h da manhã. Amanhã é outro dia de aulas, e dentro de 3 horas tenho de acordar. As ruas estão agora vazias e tudo o que quero é voltar a casa. Não faço ideia onde estou e o caminho é demasiado longo, só lá chegarei depois de pelo menos uma hora de caminho. Suspiro e o ar frio da minha boca sai pesadamente. Fecho os olhos enquanto me acalmo e pego no telemóvel que tinha acabado de guardar. Escrevo o endereço da minha casa na navegação do telemóvel e começo a andar. 


***

Quando chego a casa atiro-me diretamente pra cima do sofá e juro a mim mesma não voltar a fazer todo este longo caminho depois de ter corrido tanto antes. A verdade é que quase nem sentia as minhas pernas. Era como se estivessem mortas. Eram 6 horas da manhã, sem dúvida foi um longo caminho e não vou voltar a fazê-lo. Lá fora a luz espreita por entre as nuvens escuras da noite e lembro-me que tenho de ir tomar um banho rápido. Eu tinha a perfeita noção de que só tenho de estar a pé por volta 7h30 mas hoje vou fazer tudo calmamente, sem pressas. Não tenho forças para me irritar sequer. Embora saiba que isso vai acabar por acontecer, porque bem, não estou de facto no meu melhor dia, a noite foi horrível, tento apagar todos os momentos da minha memória mas eles agarram-se a mim como um íman... o jogo estúpido em que participei, o rapaz de quem fugia, a luta entre o Liam e ele, o estúpido beijo... nunca deveria ter acontecido, e as suas palavras acertaram como flechas no meu coração. Nem sei porque é que ainda me irrito, era tão previsível, sabia que não passava de uma estupidez. Às vezes pergunto-me se serei um preservativo, que se usa e deita fora. Deixei de o ser à alguns tempos, mas desde que me mudei para cá parece que gostei da ideia e me deixar levar... digo isto porque ainda não fiz para mudar, pelo menos ainda nada do que tentei resultou.

Subo até a casa de banho do meu quarto com estes pensamentos. Antes de começar a tirar a roupa lembro-me de fechar a cortina... já estava fechada quando reparo. Por momentos lembro-me da primeira vez que ele me avisou para as manter fechadas... gemo de nojo de mim mesma por ainda pensar nele e atiro com as roupas para o cesto. Eram quase sete horas quando fecho a torneira e enrolo a toalha pelo meu corpo.

Vou até o armário o mais lenta e preguiçosamente possível e escolho uma roupa qualquer que depois coloco sobre a cama. À mais de 24 horas que estou acordada e não sei se consigo aguentar outro dia, é demais para mim. Deito-me sobre a cama durante uns momentos e sinto-me adormecer. 


***

Abro os olhos lentamente e preparo-me para me começar a vestir, bocejei enquanto me espreguiçava, sinto um estalido nas minhas costas quando o faço. Parece que dormi apenas uns minutos... pego no telemóvel e desbloqueio o ecrã.

Eu: Oh que merda. – grito de frustação enquanto a minha boca se abre de surpresa. Faltavam 5 minutos para começar as aulas e eu aqui enrolada na toalha.

Visto-me ao que eu digo a velocidade da luz e apenas tive tempo de sublinhar os olhos com uma linha escura preta. Pego na mochila enquanto corro pelas escadas e bato a porta de casa com força e tranco-a rapidamente. Começo a correr pelo caminho todo e vou colocando a outra alça da mochila sobre o meu ombro para me poder movimentar melhor. E assim que penso que não vou voltar a correr aqui estou eu a competir contra o meu adversário invisível. O ar bate contra a minha cara pesadamente e sinto o ar faltar-me. A minha cabeça dói e todo o meu corpo está dorido... Chego no momento do toque e a porteira olha-me estranhamente enquanto paro na entrada para recuperar algum ar. 

Ela: Não devia estar nas aulas? Vá, depressa! – grita com a sua voz fina e aguda e sinto os meus ouvidos explodirem em conjunto com a minha cabeça. Era como se agulhas espetassem lenta e dolorosamente. 

Eu: E você devia trabalhar em vez de estar para aí a tagarelar! – atiro rude. Ela olha-me incrédula e solta um gemido de contrariação, novamente fino e agudo. Caminho até a sala enquanto me pergunto a mim mesma qual era, visto que ainda não tinha decorado o horário deste ano. Olho em frente e de certa forma fez-se luz na minha cabeça... - Puta que pariu! Foda-se esta merda. Vou voltar para casa. 

Lembro-me que era a primeira aula de Educação Física que iamos ter este ano. Já fiz exercício suficiente por hoje e não me parece que o professor seja amável. Quando me volto para fazer o mesmo percurso para casa vejo os portões fecharem e a porteira me  olhar contente. “Puta”, penso para mim mesma. Fechou o caralho dos portões de propósito mesmo sabendo que é proíbido. Sinto o sangue nas minhas veias ferver e quando dou por mim já tenho a minha mão marcada na sua cara. 


***

Diretor: Bem, as duas sabem porque estão aqui certo? – ele fala distante enquanto roda a sua cadeira à nossa frente. A voz calma mas exigente ao  mesmo tempo dá-me vómitos.

Ela: Exigo um pedido de desculpas! Faltou-me ao respeito e ainda me agrediu! – fala convincente e percebo que me estou a rir quando me mandam calar. Reviro os olhos com isso e  apenas espero que continue com o seu diálogo.

Eu: Patética. – disse e um suspiro cai de meus lábios. Enterro o meu corpo na cadeira confortável enquanto fechava os olhos. Sabia que estava a faltar ao respeito, mas depois de estar aqui dentro já não me podem fazer mais nada. Ou julgo eu.

Diretor: Caladas! – grita rude – As duas! – o meu maxilar torna-se tenso enquanto tentava obedecer. Solto um grunhido no fim e ele olha-me no momento, um pouco alterado enquanto se levanta e o seu punho forte bate contra a mesa. 

Eu: Oh, não se irrite! – permaci sentada no meu lugar e fiz gesto para que se sentasse mas ele não o faz - Faz mal à saúde. -  acrescentei. 

Diretor: Caluda, já disse! – grita ainda mais alto e estremeço contra a cadeira. O meu coração bate mais depressa do que esperava.

Eu:  Vá pra puta que o pariu!! – retorqui gritando enquanto me levanto e rebolo com a cadeira ao mesmo tempo. Vejo ódio no seu olhar e indignação. – Primeiro devia pensar em despedir gente como esta aqui porque não está a ajudar em nada ao seu negócio! Segundo,  expulse-me, faça o quiser, até o aconselho a mudar-me de escola! Era um favor que me fazia, a mim e a si! – bati a porta e saí, abandonando o local.

Choco contra um corpo de forma abrupta, olhei para ver quem era... não fazia ideia. Continuei a andar deixando-o para trás. O sangue nas minhas veias bombardeava depressa e o meu coração batia de forma irregular no meu peito, sei que o melhor é acalmar-me mas não vejo como. Caminho de punhos cerrados e reparo que não tinham passado sequer 45 minutos desde que cá cheguei, nem sequer uma semana nesta escola, e já estava prestes a ser expulsa. Isto foi o mais rápido que pus um diretor à prova.


Continua...

xxPatrícia


Nenhum comentário:

Postar um comentário