quarta-feira, 16 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 22 - Fear


Liam: Porque é que saíste? Sabias que era perigoso cá fora! – fala mais alto e ainda um pouco irritado. Percebo várias manchas de sangue na sua cara. Lentamente levanto o braço, temerosa e percorro os meus dedos pelas manchas cuidadosamente. Os seus olhos castanhos e cintilantes olhavam-me atentamente, sempre focados no meu rosto.
Liam: Eu só te queria proteger... – murmura ao meu ouvido, a voz mais calma de sempre. Tremo ligeiramente. Nunca ninguém alguma vez me quisera proteger. Nunca o permiti. Sempre que considerei forte suficiente para o fazer sozinha... e  orgulhosa demais.
Eu: Não precisavas de o ter feito. – sussurrei de volta, o meu tom de voz é fraco, tal como um castelo de cartas. Prestes a desmoronar. O vento assobia e o meu cabelo esvoaçoa a um ritmo lento. Baixo a minha mão e brinco com a ponta dos meus dedos.
Liam: Sabes que o faria a qualquer momento. – a sua voz é calma, mas poderosa. O meu coração palpitava depressa e agradeço o facto de estar escuro... por breves momentos sinto-me corar. – A qualquer hora. – completa e a minha mão e é agarrada pela sua e levada até o seu peito. – Por qualquer motivo...
Tenho noção de que o pânico de à momentos ainda não passou quando sinto barulhos. Guincho e a minha mão treme no seu peito.
Liam: Está tudo bem. – murmura e braços fortes envolvem o meu corpo tão pequeno comparado com o seu... fecho os olhos contra o seu peito e a sua camisola é molhada por lágrimas minhas enquanto permaneço quieta. – Eu estou aqui. – ele é bom demais para mim. Sei disso quando tudo o que faço é tentar ignorá-lo, embora isso não aconteça de todo, e ele está sempre aqui. Quando preciso. Mais uma vez que se mostra disponível quando nem sequer chamei por ele. Mais uma vez que me ajuda, sei que sim... mas nem sempre aprecio os seus gestos. Não consigo habituar-me ao facto de ter alguém que realmente se importe comigo. Simplesmente não cabe na minha cabeça. É demais. Sei que por causa dele já me senti mal, por culpa dele sinto-me tão fraca... mas em outros momentos tão forte. E não posso ignorar isso. Porque é verdade.
Eu: Porque é que vieste? Quer dizer... – continuei – porque é que não continuaste lá dentro, como todos os outros? – perguntei, uma ligeira mudança no meu tom de voz um pouco mais sério, rude... desprezante. Não consigo fazer nada para mudá-lo... é a minha auto-defesa.
Liam: Para! – grita e segura nos meus pulsos um pouco mais forte do que esperado. Tento afastar-me, estou ciente que agora tenho medo dele, mas este medo está apenas a afastar-me de tudo o que alguma vez poderia ser bom para mim. – Deixa de pensar nos outros como superiores a ti! Para com isso! É estúpido! – rebenta e grita ainda mais alto. – Não percebes como me fazes sentir? Não Bell?
Eu: Não! Não percebo!! – ripostei e gritei, dói ver a maneira como ele me olha, com raiva. – Hoje a  única coisa que percebo é que cada momento que estou contigo fica registado na minha mente! – os seus olhos mostravam surpresa, um pouco de alivio, mas ainda sentia os meus pulsos fortemente apertados. – Não porque eu quero! Eu detesto isso! E detesto a forma como me olhas! – acrescentei e falo mais alto - Pelo simples facto que nunca ninguém me fez sentir assim!! Basta um olhar... um olhar!, - reforcei - e é como se  nada mais importasse! E custa perceber o quão estúpido tu te tornas perto dos outros! Quer dizer... será que o fazes para dar nas vistas? Não encontro outra explicação!! – a força exercida pelas suas mãos é fraca e sinto-o largar-me aos poucos.
Liam: É isso que pensas de mim? – pergunta. – É? –  o seu tom de voz eleva-se o que me faz estremecer. Assim que sinto os seus dedos me tocarem afasto-me. Tento ser forte e não voltar a fazer o que tenho feito este tempo todo, chorar, mas quando percebo as lágrimas voltavam a rolar por toda a minha face mais depressa do que antigamente e ele já não as podia fazer parar. Porque o culpado era ele. A sua mão aproxima-se novamente enquanto forço o meu corpo a afastar-se o mais possível. Medo, medo refletia-se nos meus olhos e eu estava ciente disso. A expressão do seu rosto muda e vejo-o olhar-me preocupado e receoso enquanto puxava o seu cabelo. – Não, não não não Bell!! – repete, a sua voz está mais fraca e julgo que está prestes a chorar. – Eu assusto-te? – murmura receoso. Ele luta contra a sua mente e percebo que se esforça a negá-lo. Volta a caminhar até mim enquanto recuo e tropeço no chão, rastejo para trás e tento levantar-me o mais rápido possível. Vejo a sua cara, totalmente derrotado. Quero fugir daqui, estar longe dele, mudar de país... voltar à minha insignificância. Pelo menos nesse período, não tinha medo de magoar os outros com qualquer comentário rude que pudesse fazer. E agora aqui estou eu, incapaz de deixá-lo para trás, a sua tristeza faz-me doer o peito, doer a alma...
O seu corpo balança para frente e para trás repetidamente enquanto esconde a cabeça entre o seu peito e joelhos.
Eu: Liam... – sussurrei enquanto me aninhava até ficar da mesma forma que ele. Algumas lágrimas foram embora, mas ainda algumas permaneciam a deslizar pelo rosto pálido e gelado. Ele não me ouve, ou então ignora. Volto a chamar, era desesperante vê-lo assim sem fazer nada. Fazia-me lembrar uma criança perdida, sem a mãe e o pai para o aconchegar. Por momentos lembro-me exatamente do que senti quando o avião aterrou... o meu coração parou por segundos e julgo que ia cair. Não sei o que me manteu de pé... – por favor liam... não fiques assim comigo... – murmurei perto do seu ouvido, com uma voz chorosa. – eu... – suspiro e luto contra o meu incontrolável orgulho – não chores. – murmuro. Os seus olhos estão húmidos e ainda mais brilhantes do que a última vez que os vi. Aos poucos ele levanta-se e vejo-o caminhar até mim. Ele limpa qualquer lágrima que insistia cair pelo seu rosto e encosta-me contra a árvore que eu anteriormente escolhi como esconderijo. As suas mãos seguram nas minhas ancas e os seus dedos fazem circulos delicadamente sobre a minha pele. Um suspiro cai dos meus lábios entre-abertos. Arrepio-me ao seu toque mas ignoro. Sinto a sua respiração forte perto da minha enquanto ele me encostava totalmente contra a árvore larga. Olho para o céu e a lua parece brilhar ainda mais. O facto de ser lua cheia torna tudo tão diferente... como se fosse destinado a ser hoje, o que quer que seja. Mágico. Não percebo que as lágrimas cessaram quando volto a olhar para ele, mais calmo assim como eu.
Os meus pensamentos são interrompidos quando sinto os seus lábios colidirem com os meus, e as suas mãos apertarem a minha cintura com mais força. Separo os nossos lábios por breves segundos  à procura de ar e uno-os novamente. Não sei o que estou a fazer, mas não quero parar. Tem exatamente o sabor que imaginei, menta. A sua boca abre-se enquanto ele procura beijar-me. A língua quente dele choca com a minha e forma leves arrepios por todo o meu corpo que parece incendiar com o movimento. Era viciante, bom... era um beijo desesperado! Levo a minha mão ao seu peito enquanto uma das suas sobe da minha anca até o meu rosto frio. Sinto-o puxar o ar pesadamente e murmurar o meu nome baixinho por entre o beijo enquanto volta a trazer a sua língua à minha. Luto com a minha própria mente para parar mas saio derrotada, não consigo controlar nenhum movimento do meu corpo. A sensação percorre cada centímetro do meu corpo e choramingo quando sinto a perda de contato com a sua boca.
Liam: Bell – ele murmura e respira pesadamente contra o meu rosto e volto a sentir o seu hálito fresco. Empurro qualquer pensamento ou sentimento de culpa em relação a isto e apenas permaneço calada respirando calmamente. Não sei quando foi a última vez que beijei alguém a sério, mas a sensação flutua no fundo da minha barriga e faz-me sorrir gentilmente para ele. Ele sorri e as suas mãos unem-se às minhas entrelaçando-as.
Eu: Se te deixa feliz se fosses outro rapaz não me terias beijado. – sussurrei com uma ponta de humor na minha voz o que faz rir de alívio. A sua expressão muda novamente e  um pouco de ódio de si próprio reflete-se nos seus olhos enquanto ele murmurava frases.
Liam: Eu assusto-te? – diz sério à espera da minha resposta que não tenho no momento. Embora eu saiba que sim, o quanto o seu tom de voz áspero faz a minha pele arrepiar-se, o quanto o seu olhar de ódio me faz tremer por dentro de medo, não podia dizê-lo. Mas ele já sabia a resposta. Ele olha-me por breves momentos e volta a desviar o olhar para longe e afasta-se, enquanto caminha pelas folhas secas do chão. – Não precisavas ter-me beijado de qualquer das maneiras. – diz rude e olha-me por cima do ombro. - Não precisavas existir... – a minha existência torna-se um empecilho para ele? Se é isso porque é que não o assume? Parte de mim diz-me que este é apenas um assunto mal resolvido, mas eu sei que não.
Eu: Não precisavas de ser tão estúpido. – a minha garganta doi enquanto me esforço para falar. Ele não para de andar o que apenas mostra o quão idiota ele é. Porque me beijou de qualquer das maneiras? Se a minha existência não faz falta porque o fez? Porque é que ainda me fala sequer?
Sinto vontade de voltar a chorar mas impeço-me a mim mesma de o fazer. Não vou voltar a fazê-lo, não por culpa dele. A humilhação percorre-me enquanto por momentos volto a sentir o seu toque e a maneira como me beijava. Tudo teatro. 


Continua...

xxPatrícia


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