segunda-feira, 14 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 21 - Too dangerous



O jogo continua e cada um deles está mais bêbado do que outro. Nunca vi nada assim. Se calhar até vi, mas devia estar tão bêbada que não me lembro. Eram feitas cada vez mais afirmações estúpidas e encontro-me deslocada. Quando chega a minha vez novamente já nada me ocorria. Alguma coisa surgiu na minha cabeça e falei, simplesmente para não ter de abandonar o local tão rapidamente, não queria fazer uma desfeita à Sally, mas não  me parece que ela fosse reparar se eu me tivesse ido embora. Afinal, tudo o que ela tem feito é beber e voltar a beber, alguns já vomitaram o chão, e o jogo prosseguia normalmente. Isto não é simplesmente um jogo, ou uma noite de diversão... é pura estupidez.
Eram cerca de 3 horas da manhã, levanto-me e ando até a porta. A quantidade de álcool no meu sangue já era demasiada, admito que bebi mais do que devia, e quando isso acontece faço sempre alguma coisa que não gosto ou que nunca faria quando estou sóbria. Quando chego lá fora o ar frio provoca-me choques e fortes dor de cabeça. Sinto-me ficar irrequieta, suar frio. Tinha uma sensação estranha no fundo da barriga, que fazia o meu estômago revirar cada vez que me mexia. Era noite fechada, não havia luzes lá fora, apenas a casa dela iluminava um pouco a estrada, juntamente com o luar. O céu estava negro, sem estrelas, era só a lua. A lua que brilhava forte, era como uma bola grande. Era lua cheia. Começo a andar pela estrada vazia e sentir-me abandonada. Não conhecia nada destas ruas, só cá cheguei à uma semana e o único caminho que fiz foi o de ir até a escola e voltar para casa. E hoje vim até a casa dela. Que eu não faço ideia em que zona fica.
Olho para trás, já um pouco longe da casa dela e vejo alguns rapazes saírem. Poucas eram as pessoas que estavam cá fora, o que me provoca um ligeiro calafrio. Começo a andar mais depressa. Ao lado da estrada, mais ao fundo, tinha um pequeno caminho pelo meio de um conjunto de árvores altas e densas, parecia uma floresta. Ouço gargalhadas altas, e seguidamente algo se partir. Olho para trás e vejo cerca de 4 rapazes encostados a uma parede, não muito longe de onde estou agora, e outro aninhado, gritos roucos de dor ecoam na minha cabeça. Ouvia gritos ligados a frases ameaçadoras... a minha cabeça apenas pensava em quem seria o rapaz. Queria correr até lá e ajudá-lo. Mas eu estava petrificada, não me conseguir mexer.
O meu coração bate mais depressa quando um olhar ao longe percorre o meu. Não sei do que falam, apenas percebo que um rapaz começa a correr na minha direção, sentia os passos pesados tornarem-se ameaçadores, passos que faziam tremer o chão e o meu coração. A minha respiração altera-se, só penso em correr. Não sabia para onde, a minha cabeça roda. Começo a correr, vejo os seus passos largos aproximarem-se e a velocidade no seu corpo aumentar. Aumento a velocidade das minhas passadas e ganho alguma distância com isso, ainda ouvia a minha respiração trémula, tão alto... Sigo caminho pela floresta, corro por entre os arbustos e árvores, o vento frio bate contra o meu rosto e faz os meus cabelos esvoaçar.
Ele: Hey!!
Volto o meu olhar para trás e vejo-o a poucos metros de distância atrás de mim, perco velocidade aos poucos e sinto-me gelar por dentro. Começo a dar longas passadas enquanto desejo encontrar-me o mais longe possível dele. Alguma adrenalina percorria o meu corpo mas não tardava muito para as minhas pernas perderem força. Sinto-as doer à medida que me desloco e imploro por ar que me parece escasso. Depois de alguns momentos a investida nas minhas passadas é mais lenta, não consigo aguentar mais tempo mas ele não para. Tropeço numa pedra e embato com os braços no chão que me parecem começar a sangrar. Arde muito, volto-me para vê-lo e apenas alguns passos nos distanciavam. Levanto-me o mais rápido que posso e ignoro qualquer dor e volto a correr. Algumas lágrimas correm pela minha cara, o vento fá-las voar para trás enquanto me desloco pelo pavimento de terra. Chega a um momento em que a floresta parece acabar e à frente tem estrada e alguns edifícios altos. Esforço o meu corpo a correr até lá e chamar por ajuda.
O meu corpo embate com força contra um pessoa fazendo-a cair no chão. Com o medo a percorrer-me apenas ignoro e continuo a correr.
Ele: Bell? – ouço, olho para trás e vejo-o levantar-se enquanto se encaminha a mim.
Eu: Liam? – pergunto – Liam! – respiração trémula prende-se na minha garganta enquanto esforço as minhas pernas a correr até ele, instintivamente. O meu corpo embate com força no dele enquanto o aperto para um abraço desesperado. Sei que sente o bater do meu coração quando ele fala alguma coisa, não respondo, apenas aperto mais forte. Fecho os olhos e encosto a minha cara no seu peito, evito ouvir qualquer tipo de coisa que ele diga. Sei que está bebâdo, não quero saber do que quer que saia daquela boca. Apenas na forma como ele me abraça. É tudo em que posso e consigo pensar agora. Quando percebo vejo o outro rapaz aproximar-se de mim e me puxar pelo braço.
Ele: Escuta querida. – sussurra perto do meu ouvido, arrepio-me por completo e sinto os meus pelos se eriçarem com a sua voz rouca e embriagada – Tu não viste nada! O que aconteceu ali fica só entre nós pode ser boneca? – ri e faz força no meu braço nas suas mãos.
Eu: Larga-me. – murmurei baixo enquanto sinto algumas lágrimas molharem o meu rosto. – por favor!
Ele: Oh não chores fofinha! – o seu polegar percorre o meu rosto para limpar a lágrima, desvio-me. Vejo-o olhar-me irritado e sinto os pulsos fortemente apertados.
Um braço empurra-me fazendo-me tropeçar para trás e vejo o Liam projetar um murro forte na cara do rapaz. Um gemido de medo prende-se na minha garganta enquanto me arrasto para trás tentando afastar-me a todo o custo daquele lugar.
Liam: Tu não voltas a tocar-lhe, estás a perceber? – diz baixo mas ameaçador enquanto segura o outro pela camisola. Grito quando vejo o Liam ser deitado ao chão e levar um murro na cara. Fecho os olhos e tento não chorar, mas ainda conseguia ouvir os gemidos de dor dos dois e pancadas fortes. Quando os abro vejo-os à luta, um pontapé forte é projetado no estômago do outro rapaz o que me alivia ao ver que não é o Liam e surpreendo-me com a sua força quando o levanta e empurra contra uma parede. A sua cara de irritado e zangado era algo no mínimo assustador de se ver. Arrepiava-me pensar em vê-lo zangado comigo ou alguma vez se revoltar. Eu sei que ele o está maior parte das vezes, mas não tanto para me querer bater. Acho que não o faria, mas não juro. Encontro-me assustada a vários passos de distância deles. Ouço um grito rouco e outro murro na cara do rapaz. A sua  cara estava coberta de hematomas que eu admito terem sido criados pelo punho forte do Liam.
Eu: Liam... – chamo – Liam! Para, por favor para! – grito e aproximo-me deles lentamente enquanto grito e sinto a minha voz falhar, alguns soluços rompiam da minha garganta cansada e seca. Ele não para o que me irrita e me assusta ao mesmo tempo. – Liam! – grito mais alto e recuo um pouco quando o vejo caminhar até mim lentamente. Atrás dele vejo um corpo desmaiado.
Liam: Bell. – ele chama. Recuo assustada. Viro-me para trás, a força das minhas pernas era escassa, mas sentia que tinha de correr. Fugir dali. Fugir dele. – Bell para!
Começo a investir na velocidade das minhas passadas e volto a entrar pela floresta a dentro.
***
Corro o mais rápido que as minhas pernas permitem mas elas falham-me. Vejo-a a vários metros de distância. Viro numa árvore e encosto-me lá. Encolho-me o mais que posso enquanto abafo os soluços e o choro desesperado. Esta noite parece nunca mais acabar. Ouço passadas mais lentas e encolho-me contra a árvore larga e alta. Um dos meus pés escorrega e faz as folhas no chão se moverem. Levanto-me e espero que a minha respiração acalme, mas nada acontece. Apenas aumenta quando sinto outra invadir o meu espaço.
Liam: Bell. – murmura. Sinto o seu hálito contra o meu pescoço. Espero que seja horrível. Talvez uma conjunção de vodka, cerveja e outras bebidas alcoólicas. Mas engano-me. Um hálito fresco a menta invade as minhas narinas e sinto-me viajar para outro mundo que não o meu.
Eu: Porque é que fizeste aquilo? – espero pela resposta em silêncio enquanto uma lágrima escorre pelo meu rosto. Começo a ficar farta de estar sempre a chorar. – Responde-me Liam. – insisto, ainda com medo da resposta.
Liam: Porque é que saíste? Sabias que era perigoso cá fora! – fala mais alto e ainda um pouco irritado. Percebo várias manchas de sangue na sua cara. Lentamente levanto o braço, temerosa e percorro os meus dedos pelas manchas cuidadosamente. Os seus olhos castanhos e cintilantes olhavam-me atentamente, sempre focados no meu rosto. 


Continua...

xxPatrícia


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