sábado, 12 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 20 - Biggest mistake


Abro a porta e só quando entro me deparo com o maior dos meus problemas...  só que esse problema era sedutor!
Ele: Desculpa, a Sally não pode vir!
Grunhi por dentro, a ideia de o que iria acontecer pelo caminho rodeava-me, espero que ele goste do silêncio, porque é isso que vai levar de mim. Porque é que eu ainda me preocupo em ser simpática para as pessoas? Eu quero dizer, elas apenas fodem com os meus sentimentos. Quando tudo parece bem, e quando realmente tudo está a correr como eu quero, alguma coisa aparece no caminho. E essa coisa eu chamo de destino. Porque o meu destino já está traçado, e eu devo apenas limitar-me a segui-lo e não contrariá-lo, porque bem, quando me contrario a mim própria para deixar os outros felizes, acabo por magoar-me a mim e mais tarde, magoar os outros. Não que eu goste, apenas limito-me a fazer o que sempre fiz. Porque nunca serei como eles querem. Apenas tenho de aceitar e viver com isso.
Eu: Oh. – murmurei - Apenas despacha-te com isso! – sorri e mais uma vez senti que me matava por dentro, porque eu finjo sequer gostar de pessoas? Eu não gosto, mas no fundo, eu sinto que o meu verdadeiro medo é amá-las. Tem sido esse o jogo da minha vida, matar qualquer tipo de sentimento, ou então escondê-lo.
Zayn: Ainda fica um pouco longe da tua casa... – diz surpreendentemente calmo. Vejo-o mecher com o piercing enquanto começa a guiar com apenas uma mão.
Eu: Hmm... vai lá estar muita gente? – a única resposta que recebo é a sua gargalhada profunda e o som da música do carro dele baixar.
Zayn: Espero que gostes de conhecer gente nova. Vais ter muita gente a querer estar contigo. – ele ri e vejo-o murmurar alguma coisa como – Quer dizer, bem, olha para ti! Quem não queria?
Eu: Se eu fosse outra pessoa não queria. – grunhi por entre os dentes o que o faz soltar um som de surpresa.
Zayn: Oh vá lá, não me digas que nunca ninguém te disse que queria foder contigo? – ouço-o gargalhar. Não respondo o que o deixa desconfortável. Será que os rapazes só pensam em sexo? A toda a hora? Quer dizer, tenho de explicar as múltiplicas razões porque não gosto deste tipo de gente?
Às vezes pergunto-me porque toda a gente me parece simpática à primeira vista. E quando as conheço melhor, é como se uma pedra me atingisse. Simplesmente acho que tentar perceber o ser humano é uma perda de tempo.
A velocidade no carro parecia aumentar o que me faz parecer querer esmurrar alguém.
Neste caso, o próprio condutor.
Eu: Vai mais devagar porra! – grito, a música estava demasiado alta para ele me ouvir. Baixo o volume rapidamente e ele olha-me ligeiramente irritado. Bem, como isto pode deixar alguém irritado? – Eu disse para ires mais devagar! – grito de volta. A velocidade parece diminuir gradualmente enquanto ele se mantinha sério.
Zayn: Desculpa. – murmura. Escolhi não responder. – Ouviste-me? – aumenta o volume da sua voz.
Eu: Ouvi. E não, não desculpo! – ri. Vejo-o gargalhar contente. Talvez eu seja engraçada, isto, irónicamente falando.
Zayn: Já disse que te adoro? – ele ri e fala com humor na sua voz. Sorri ligeiramente, embora que soubesse que ele estava a mentir, parecia até sincero. Só parecia.
O resto do caminho foi feito em silêncio, depois de  cerca de 15 minutos vejo uma casa ao fundo muito iluminada. Espero que não seja a dela, a vontade de lá entrar é mínima agora.
Zayn: Bem, chegamos! – ele diz e para em frente à casa iluminada que eu falava. Depois de sair do carro as batidas da música eram fortes, sentia como se atingissem o meu coração com muita força. Parecia querer arrebentar com o meu corpo todo.
Caminho em frente e antes de poder tocar na maçaneta para abrir a porta uma mão impede-me e vejo o Zayn fazê-lo por mim. Que bom. Um cavalheiro sexy e idiota. Quando entro a minha visão depara-se com cerca de 50 pessoas dentro daquela casa. Não era tanto quanto pensei que ela convidasse, mas ainda me lembro das palavras dela “Oh não, só alguns amigos meus!” , sem dúvida a quantidade de amigos dela excede os meus pensamentos. Já era de esperar. Ri com o pensamento, ela era mesmo doida.
Vejo-a caminhar com dois copos na mão na minha direção enquanto ria e dançava ao som da música que tocava.
Sally: Bell!! Ainda bem que vieste!! – grita, logo percebo que nunca poderia ter uma conversa séria nesta casa sem gritar, pelo menos por hoje. O barulho era demasiado.
Eu: Bem, tirando o facto que tu me obrigaste, mereço um obrigada! – sugeri com um pouco de humor enquanto ela ri.
Sally: Tens razão – ela fala enquanto me empurra para dentro pelo meio da confusão, o corpo do Zayn desaparece completamente do meu campo de visão – Obrigada. – sorri como que agradecida e ela dá-me um dos copos na mão. Um líquido incolor no copo pequeno e de vidro da sua mão. Ela diz para eu beber, bebendo do dela para me mostrar que não tinha mal nenhum. Aperto o copo na minha mão e empurro-o contra a minha boca, engulo tudo de uma vez, como era suposto. Sinto um sabor acentuado começar por queimar a minha garganta. Ela ri de alguma forma excitada enquanto me oferece outro copo e ela volta a beber, do copo de outra pessoa que por ali passou. Repito o movimento de a pouco, desta vez o sabor era diferente, mais suave, mas sinto-o escaldar na minha boca quando engulo. Gargalhei com a sensação, percebo que ambos se tratavam de vodka, embora um sabor diferente do que normalmente eu estava habituada.

***
A minha cabeça começa a rodar, sento-me num canto enquanto sinto que a bebida levava a melhor de mim. Não devia ter bebido tanto porra. Fecho os olhos e a junção das batidas da música com o álcool no meu corpo faz-me sentir viva. Quando percebo estou a balançar o meu corpo contra o de um rapaz que mais tarde percebo ser o Zayn. Não me importo e continuo a movimentar o meu copo, ele parece satisfeito por ver-me assim enquanto me entrega outra bebida que eu engulo de uma vez. Ele mostra-se surpreso com a velocidade com que o faço, vejo-o gargalhar e puxar o meu corpo contra o dele uma outrz vez enquando nos mexiamos ao som das batidas. Solto-me do seu aperto e ouço-o grunhir entre os dentes, sorri. Percebo que estou bebada, mas ainda consigo pensar o suficiente para saber que não quero foder com ele, muito menos depois do que aconteceu hoje em minha casa. Ah, só de pensar dá-me raiva. Ele não podia simplesmente deixar-me a mim e às minhas hormonas em paz? Porque bem, dessa forma ele consegue tudo o que quer de mim. Dou graças a Deus por saber que ele não vem aqui hoje, iria ser desastre total, tenho a certeza que faria coisas que me iria arrepender.
Sigo até o meio da confusão enquanto procuro pela Sally, encontro-a a chamar algum pessoal dela para formar uma roda, e assim eles fizeram. No fim cerca de 10 pessoas formavam uma roda numa zona menos ocupada da casa e mais sossegada, várias pessoas insistiam para que eu me juntasse a eles, assim o fiz. Não tinha outra saída, a não ser mesmo ir para casa. Sento-me no piso frio e alguns rapazes olham para mim não tão discretamente como eu esperava.
Sally: Bem, vamos começar? Alguém tem ideia de um jogo?
Liam: E que tal o “Eu nunca”?
Puta que pariu de onde é que ele apareceu? Sinto o meu coração palpitar mais depressa, ele está sentado ao pé da Sally e de outra rapariga que não conheço. Estavam todos sentados assim, rapaz, rapariga, rapaz, rapariga... Não sei porquê mas não comento. Estou sentada ao pé do Zayn e de um rapaz, penso que é o tal Ryan, o que a Sally me tinha falado, pela descrição só pode ser. A Sally começou a explicar as regras para quem não sabia jogar.
Sally: O jogo começa no sentido dos ponteiros do relógio, com a primeira pessoa a dizer: “Eu nunca...” e depois dizem qualquer coisa que vos ocorra que nunca tenham feito. Todos jogadores que já fizeram o que foi dito tem que beber um shot. – explica - Então, todos perceberam não é? – ela pergunta alto, quase grita, todos gritam como resposta. – Quem começa?
Zayn: Eu! – afirma. Oh que bom. Já que estou do lado esquerdo dele vou ser a próxima a jogar. Dei um toque nele pra não se oferecer mas ele continua. – Eu nunca fodi com uma virgem! – ouço risadas e vejo várias pessoas beberem. Não bebo, porque não, nunca o fiz com um virgem. Olho em frente e vejo o copo do Liam bater no chão vazio. Estúpido. Oh que bom, já fodeu uma virgem e orgulha-se disso não é? Contenho-me para não abandonar o local e bater em toda a gente, porque era isso mesmo que eu iria fazer. Porra. Não devia ter bebido tanto antes da merda deste jogo.
Zayn: Bell, é a tua vez! – assenti com a cabeça e enguli seco enquanto nada me ocorria para falar. Vejo todos os olhares postos em mim o que me deixa nervosa. Se querem jogar sujo então vamos a isso.
Eu: Eu nunca me masturbei! – digo e gargalhei rouco no fim, só porque posso. Eu tenho a noção que já quase todos os rapazes à minha volta o tinham feito, e neste caso o meu objetivo era fazer todos beber. Não, eu nunca me masturbei. E depois? Se não preciso, ótimo. Vejo todos me olharem boqueabertos e ouço risadas. Ignoro. Mais tarde olho em volta e todos voltam a encher o copo, exceto uma rapariga ao lado do Ryan que tal com eu não bebeu. É estúpido ver que toda esta gente teve de se auto estimular. Até mesmo o Liam. Um som de nojo ecoa na  minha garganta. Por todos eles, até mesmo a Sally já o fez. – Quem é o próximo? - disse.
Ryan: Eu. – afirma – Eu nunca ...
O jogo continua, acabo por perceber que não fiz quase nada destas merdas. Ainda só voltei a encher o meu copo uma vez, sinto-me voltar a ficar sóbria aos poucos. No fim de alguma jogadas chega a vez do Liam. Encontro-me curiosa por saber o que ele vai dizer.
Liam: Eu nunca me droguei! – formo punhos nas minhas mãos. Ele não devia ter a noção. Ninguém tem noção do quanto a droga já me facilitou a vida em tantos momentos. Quase me recuso a afirmar que me droguei, este jogo é estúpido, é apenas para fazer as pessoas admitirem algo que nunca quiseram partilhar com ninguém. Ou talvez tenham. Pego no copo e bebo o líquido gelado que lá tinha, ouço o tilintar dos copos bater no chão quando são largados com força. Apenas eu e o Zayn e outro rapaz bebemos. A Sally, assim como o Liam olham para mim de forma estranha mas não boqueabertos, simplesmente surpresos. Ele volta a olhar o chão sério, e acho que tão irritado quanto eu. Ela lança-me um sorriso no fim. Apesar de ela ter aquele aspecto, percebo que há muitas coisas radicais que ela gostaria mas ainda não fez. Ignoro os olhares, viro-me para o Zayn e encontro-o a olhar-me boqueaberto, soltando um sorriso sedutor no fim, mechendo com o piercing no seu lábio. Gargalhei ligeiramente, percebo que ele gostou da ideia. Eu não gosto. Odeio até. Ter de fazê-lo para finalmente sentir-me bem é horrível. É horrível e torna-se um ciclo viciante. A verdade é que já não o faço à quase uma semana, o Liam mantinha-me distraída parte do tempo. Quase  me tinha esquecido que alguma vez tive de a usar. Mas agora que me lembrei, só penso na próxima vez. Nunca deveria ter vindo aqui. Foi o meu maio erro. 


Continua...

xxPatrícia


Nenhum comentário:

Postar um comentário