quarta-feira, 9 de abril de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 18 - "Party"


Chego e encontro-me sozinha, ninguém em meu redor. Apenas um funcionário lá estava.
Caminho para dentro e subo as várias escadas até chegar à sala de aula. Entro e vários olhares são postos em mim. Havia apenas uma cadeira vazia. Na frente do professor. Ótimo, qualquer lugar era bom, até mesmo o chão, menos ficar na frente. Reviro os olhos e sigo até lá e sento-me bruscamente enquanto todos me olhavam pasmos.
Eu: O quê? Há algum problema? – falei alto e virei-me para todos que voltaram os olhares para os cadernos nas suas frentes. Sorri vitoriosa ao perceber que todos me temiam, por alguma razão sentia-me bem agora.
Ele: Há sim S/n Bell! O problema é que a senhorita chega demasiado tarde às aulas e eu vou ter de chamar os seus pais aqui à escola nesse caso! – ele fala perto do meu rosto segurando-se nos seus calcanhares. Sinto raiva borbulhar dentro de mim quando ele refere “os seus pais”. Será que esta gente não sabe que eu não tenho mãe, nem pai, nem irmão, nem ninguém?? Ninguém? Será?
Levanto-me rapidamente antes de marcar a minha mão na cara do professor demasiado novo para o cargo e saio porta fora, batendo com ela no fim.
Uma lágrima de frustração corre meu rosto e limpo-a enquanto corro até até longe deste lugar. Corro e vou até o estacionamento sem olhar para trás. De olhos fechados respiro fundo e dou um pontapé num caixote do lixo que acaba por cair ao chão. Não me importo e continuo a pontapeá-lo enquanto derramava lágrimas pelos meus olhos cansados. Cansados de tudo, principalmente de chorar. De ver-me tornar-me tão fraca. Limpo uma que eu digo ser a última lágrima e quando ando em frente esbarro contra a Sally.
Sally: O que se passa Bell? – ela pergunta, o seu tom de voz preocupado faz-me querer chorar ao lembrar-me o porquê de eu estar assim. – Não chores, está tudo bem. – ela puxa-me para um abraço e eu retribuo, aperto-a muito forte contra mim enquanto molho a sua camisola. – Shhh. Esquece isso.
Eu: Eu não consigo! Isso vive comigo à anos. É impossível esquecer! – desabafo e sinto-me quebrar por dentro. – por favor Sally... ajuda-me. Ajuda-me... – fecho os olhos e uma lágrima corre por meu rosto molhado. Limpo-a.
Sally: Eu ajudo. Eu estou aqui, apenas conta-me o que se passa! – ela sussurra ao meu ouvido e um nó forma-se na minha garganta. Eu não podia contar. Mas como eu estava à espera que me ajudassem se ninguém sabe pelo que eu passo?
Eu: Nada. Não se passa nada... – afasto-me e bato contra um carro. Aperto a ponta do meu nariz enquanto tento engolir o choro e limpo as lágrimas. – desculpa por te ter chateado!
Sally: Não tem problema! Sabes que podes confiar em mim... – ela diz e sorri levemente.
Eu: Eu sei... – sorri e minto. Eu não consigo confiar em ninguém... Apenas espero que a dor vá embora e assim não terei de magoar ninguém ou voltar a magoar-me. – Porque é que não estás em aulas? – ri mudando de assunto.
Sally: Fui expulsa! – ela ri orgulhosa enquanto dá pulinhos de alegria. Ri levemente enquanto ela me conta como foi a manhã dela. – Bem, como eu sei que não gostas muito de festas – ela constata – que tal passar por minha casa logo à noite? É quinta feira! Temos sempre alguma “reunião” na casa de alguém! – ela ri convidativa.
Eu: Oh não, prefiro não incomodar!
Sally: Não incomodas nada! Só lá vai estar o meu pessoal, podes levar quem tu quiseres contigo!! – sorri – e pra além do mais o Zayn ficou interessado em ti! – ela sorri amorosamente batendo palmas e dando ligeiros gritinhos de felicidade. A alegria dela era contagiante, mas não percebo porque ficou tão contente por isso.
Eu: Zein? Que Zein?
Sally: Zayn sua parva!! – ela começa a gargalhar e dá-me um leve murro no ombro – ele é meu amigo! Ele é bem porreiro, o melhor rapaz que já conheci!! E pra além de ser simpático é alucinantemente quente! Sexo puro! – ela ri – Bad-boy... – continua.
Eu: Hmm parece bem. – gargalhei, não tão interessada no assunto. Ideias do que aconteceu na aula ainda eram bem frescas na minha memória.
Sally: Acorda rapariga!! Todas querem estar com ele!! Aproveita! - quase grita.
Eu: Mas eu não sou como todas as raparigas... - falei suave, quase não ouço a minha voz.
Sally: Bem, tu vens e acabou! Eu passo por tua casa logo por volta das 22h e quer estejas pronta ou não, vens comigo! – encontro-me a querer ir, mas já tive ideia de que não quero voltar a “festas” tão cedo. As últimas que fui não correram como esperado. A última casa em que estive foi na do Liam, e sempre que lá entrei, ficava a chorar. Não é uma boa forma de relembrar o fim de uma noite, mas é assim que me lembro delas agora.
Eu: Mas eu não quero! – choramingo e vejo-a olhar-me chateada. Passamos boa parte do tempo a discutir o assunto enquanto eu tentava fazê-la parar de me importunar. Porra, e eu pensar que era teimosa. Acabei por ceder e vê-la rir orgulhosa do seu feito.
Eu: Vai muita gente? – pergunto receosa.
Sally: Oh não, só alguns amigos meus!
Eu: Hmm... tá então. Sabes onde fica a minha casa sequer? – pergunto duvidosa, ela repara que a minha pergunta tinha uma resposta óbvia, como um “não”. Simples e rápido.
Sally: Eu não! Mas tu vais dizer-me não é?
Eu: Parece que sim... – indico-lhe o caminho e ela acaba por perceber que é perto da casa do Liam. Algum tempo depois toca para o intervalo e todos começam a sair das salas, o lugar era ocupado por toda a gente. Algumas pessoas do grupo dela chegavam e rodeavam-nos, sentia-me sufocar...
Ela tenta mostrar-me quem era o Zayn, mas a minha visão era ofuscada por tanta gente em nossa volta e quase não a conseguia ouvir com as vozes dos outros ecoarem-me na cabeça. Depois de várias tentativas falhadas reparo num rosto moreno e cabelo escuro. As inúmeras tatuagens dele chamaram-me à atenção, sem dúvida ele era atraente. Muito diferente do que eu digo ser o “atraente” do Liam. São totalmente o oposto. Embora ambos morenos e musculados, mas o Liam tinha um pouco mais corpo que ele. Imaginei-os à luta... não ia ser bom de se ver. Empurrei os pensamentos pra longe e foquei-me em tentar encontrar uma saída. Passei pelo meio de todos e  encontro uma fenda no meio dos corpos. Passo por lá e respiro fundo quando o ar me chega às narinas.
Um braço puxa-me gentilmente, já longe daquele tumulto de gente.
Ele: Hey! – mostra-me o seu sorriso mais encantador enquanto passa a sua língua rosada pelos lábios. Um arrepio passa por todo o meu corpo ao imaginá-lo a beijar. Pelo que a Sally disse ele é sexo puro, eu não pareço contrariá-la. Ele é mesmo lindo.
Eu: Hey... – sorri – Zayn certo?
Ele: Certo. – ele ri – vais passar pela casa da Sally logo à noite?
Eu: Hmm... acho que sim. De qualquer das formas não tenho nada mais interessante para fazer. – digo e ele ri puxando-me para um abraço. O seu braço envolve a minha cintura enquanto me mantenho quieta, sem saber como agir. Levanto um dos braços e aperto-o ligeiramente contra o meu corpo e ouço-o gargalhar contra o meu ouvido... sem dúvida que tanto o Liam como ele parecem-me bem, mas tão diferentes. Ouvi-lo gargalhar lembra-me dele. Empurro os pensamentos para longe mas eles voltam a aparecer quando o vejo olhar para nós de longe. Afasto-me e as suas mãos apertam a minha cintura de lado enquanto me despeço. Ele lança um piscar de olhos de longe e eu ri-me no momento enquanto retribuo com um piscar de olhos tal como ele que ri ao longe.
Continuo a caminhar e vejo o Liam seguir os meus passos com o olhar e as suas mãos formavam punhos ao lado da sua cintura logo após Zayn caminhar para o meu lado. O meu coração bate mais depressa enquanto tento que a minha respiração abrande. Engulo e sinto a minha boca seca.
Eu: Zayn, tens um pouco de água? – pergunto apontando para a minha garganta seca. Ele sorri e caminha pra longe. Respiro fundo e vejo-o entrar para a escola. Espero que ele chegue enquanto penso nas inúmeras raparigas com quem ele já tenha estado, assim como o Liam... entretanto comparo-os, pensando quem teria estado com mais, quem seria melhor...
Porra estou mesmo a ficar tola. Quem sabe e não preciso mesmo de um psicólogo. A todo o momento imagino-me ao pé dele, e quando reparo que não estou um vazio ocupa-me. É como se não fizesse mais sentido. Tenho mesmo de me afastar, ele só me está a fazer mal, a mim, à minha cabeça, e ao meu coração que não sabe mais como lidar com isso, que já não sabe trabalhar certo ao pé dele. E o pior, é que eu gosto disso.


Continua...

xxPatrícia


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