segunda-feira, 28 de abril de 2014

Dangerous Street - 1ª Temporada - Capitulo 2 - Panic



Mel P.O.V. 


Ele: Shhh ... Não me vais bater outra vez pois não?! - a sua voz rouca soou perto do meu ouvido arrastando os meus pensamentos para ele...
O meu corpo estremece quando sinto a sua respiração quente bater na minha pele. Era o rapaz que estava no treino... senti as palpitações do meu coração acelerarem cada vez mais, tornando-se fortes e intensas. Abanei a cabeça negativamente, não conseguia arranjar voz para falar. - Mel certo? - acenti - Não me enganei então! - ele sorri. E que sorriso!! Vi-me a sorrir involuntariamente também, enquanto o meu olhar se perdia nos seus cor de avelâ, agora tão próximos dos meus.
Eu: O que queres de mim? - finalmente falei, ele descolou o seu corpo um pouco do meu mas mesmo assim sem deixar de tocá-lo.
Ele: O Tyler não te devia ter deixado sozinha ali! - ele disse firme.
Eu: Eu sei tomar conta de mim! - respondi.
Ele: Não, não sabes! Se soubesses mesmo terias conseguido fugir. Imagina que não era eu a te encontrar, mas sim outro rapaz qualquer deste bairro... Tens noção do que acontecia? Estavas a ser violada neste momento. Acredita que ele não ia ter piedade de ti mesmo que chorasses. Tens que aprender uma coisa, isto não é Los Angles linda! - formou-se uma tensão entre nós, ambos ficamos em silêncio. Os seus olhos analisavam-me, percorrendo cada promenor do meu rosto ... Quem era ele?
De repente senti uma pontada forte no peito, como se fosse um aviso. A minha respiração começou a ficar pesada, parecia que havia algo a sufocar-me, sentia o sangue correr mais depressa no meu corpo provocando-me um onda de calor ... - Mel? - perguntou assustado, a minha visão foi ficando turva impedindo-me de vê-lo bem - MEL? - perdi as forças que tinha...


Zayn P.O.V. 


Eu: MEL? - o corpo dela estava demasiado quente e ela não reagia, parecia que estava a sufocar, assustando-me. De repente o seu corpo tomba, coloquei os meus braços à sua volta num impulso puxando-a para cima e peguei-a no colo. O que é que fazia agora com ela? Fodasse só me meto em merda!
***
Entrei em casa, felizmente a minha mãe não estava, porque se não ia começar com as perguntas! Levei-a até ao meu quarto e deitei-a na cama, pegando no telemóvel do bolso e digito uma mensagem para o Tyler.
Para: Tyler
"A tua irmã está comigo não te preocupes! Levo-a a casa daqui a meia hora, para já ainda é perigoso!"
Pousei o telemóvel e reparei nela ali, parecia estar a dormir como um anjo... deslizei os meus dedos pela sua pele suavemente, os cabelos dela eram longos cobrindo o seu peito. Não consegui deixar de reparar no facto de ela estar de saia... mordi o lábio enquanto focava o olhar nas suas pernas morenas sobre os meus lençóis. Naquele momento tive uma vontade maluca de sentir a boca dela, o seu sabor, queria tocar-lhe... certamente ainda era virgem, a inocência do seu olhar e a delicadeza da sua pele quando a agarrei hoje. A sua pele estava arrepiada... levantei-me e peguei numa das minhas sweats colocando uma em cima dela...


Mel P.O.V. 


Onde é que eu estava?
Agarrei a camisola em cima de mim e comecei a lembrar-me do que aconteceu, deixando-me uma lágrima escapar-me. Tinha tido mais um ataque de pânico, à cerca de dois anos que nunca mais tive um. A pior coisa no mundo é implorares por atenção, eu nunca quis a pena de ninguém apenas porque sim, eu não escolhi sofrer com isso... Mas ao final destes anos pensava que esta tortura tinha chegado ao fim... enganei-me!
A vida é realmente cruel, mesmo assim faz-nos aprender com ela, e o pior é continuares no chão em vez de te levantares e seguires em frente com medo... a queda pode ser muito violenta mas não podemos deixar que nos domine! Seguir em frente, é só isso... até que esse medo volta e depois não sabes como dominá-lo outra vez!
Era assim que me sentia agora, com medo de o enfrentar! Olhei mais um pouco à minha volta, era-me tudo completamente desconhecido. O que é que eu fazia ali? Ouvi passos vindos do outro lado da porta, caminhei até lá abrindo-a devagar, os olhos deles encontram-se comigo, abri a porta por completo dando um passo em frente e encostando-me na parede. Lambi os lábios, o nervosismo tomava conta de mim, não sabia o que lhe dizer ...
Zayn: Vou só tomar banho e já te levo para casa! - disse e entrou logo na porta ao seu lado. Senti o meu corpo pegar fogo... O que é que se estava a passar comigo??
Não sei o que me passou pela cabeça mas fui até à porta onde ele tinha entrado, ouvi a água correr durante algum tempo e depois parou, um silêncio pela casa. Notei que ainda agarrava a sua sweat na mão, abri a porta da casa de banho num impulso e logo me arrependi de o ter feito, ele estava apenas com uma toalha enrolada à volta da cintura, os seus cabelos escuros estavam molhados... engoli seco e atirei-lhe a camisola.
Eu: Vinha só agradecer pela camisola! - senti as minhas bochechas ficarem rosadas. Porque é que eu entrei ali?! Ele apanhou-a olhando-me confuso arqueando uma das suas sobrancelhas.
Ele: Mel - a suz voz rouca chamou-me, olhei-o com vergonha mexendo nas pontas do meu longo cabelo. - Sê sincera comigo! - vi-o aproximar-se de mim e as suas mãos cercaram a minha cintura. - O que vieste aqui fazer? - sussurou próximo do meu rosto.
Eu: Entregar-te a camisola, já disse! - ele não respondeu mais nada. Queria que ele falasse uma porcaria qualquer menos ficar calado a agarrar-me daquela maneira. - E-eu acho que é tarde, d-devia ir para casa o Tyler já d...
Ele: Cala-te um bocado! - ele interrompeu-me, reparei que ele não prestava atenção nenhuma aquilo que eu estava a dizer, os seus olhos pareciam admirar cada traço do meu rosto, mordi o lábio e nesse momento os seus dedos deslizaram sobre eles indo até a minha bochecha e acariciando-a de leve. - Acho que é melhor levar-te para casa!
Deixei de sentir o seu toque e um suspiro escapou dos meus lábios, deixei os ombros cairem e mantive-me quieta. Eu não conseguia ter qualquer reação no momento, nem mesmo quando ele estava perto de mim... era como se a realidade invadisse o meu mundo por segundos, o brilho do sol torna-se demasiado fraco para competir com a sua alma obscura e enegrecida, ofusca o meu coração, entrega-lhe sentimentos, sensações, as quais não entendo nem controlo... eu não vejo mais a realidade, sinto que vivo num mundo à parte! Não me conheço a mim mesma. O medo do desconhecido.
Zayn: Vamos! - ele fez-me um sinal com a cabeça enquanto vestia o casaco, a nossa casa nao era muito longe da dele, porque depressa chegamos, quando saí a porta do carro vi a Caissy a me olhar do outro lado da rua, o Tyler estava a sair a porta de casa...
Caissy: MELLLL!! - gritou , vi-a correr na minha direção, olhei para o lado, um carro vinha completamente descontrolado na minha direção. Quando me voltei a Caissy já estava perto de mim com lágrimas correndo o seu pequenino rosto, ia impedi-la de avançar mais, mas o carro estava demasiado perto, senti já as luzes quebrarem no meu corpo, o desespero tomou conta do meu peito, de mim. Uns braços agarram-me puxando-me dali... aconteceu tudo tão depressa... um estrondo... um aperto... Caissy... o meu corpo estava no chão, sentia as mãos dele... Caissy ... levantei um pouco o meu rosto com dificuldade e vi, eu vi, o seu corpo frágil na estrada sem fazer qualquer movimento... Foi como se me tirassem o chão, sentia-me em pedaços, cacos.
Soltei-me dos seus braços e corri até ela segurando a sua cabeça nas minhas pernas, deslizei os dedos pelo seu pescoço, ela não respirava. Uma respiração pesada surgiu ao nosso lado, o Tyler caiu de joelhos enquanto agarrava os cabelos e abafava o choro na sua camisola.
Eu: Caissy... por favor... - Morte. Uma palavra demasiado forte para que estejamos prontos para a encará-la verdadeiramente. Eu não estava, ainda para mais desta maneira, eu era quem a deveria ter salvo e não ela a mim! Ainda mesmo antes de deixar de a ver, o medo da saudade já me encontrou. Uma saudade amarrada pelo "sempre", eterna, nunca esquecemos, sentimos falta a toda a hora, momento, memória... Só o tempo pode acalmar esse sofrimento. - E-ela morreu Tyler... - prendi as lágrimas enquanto o olhava, mas elas logo se tornaram em algo impossivel de segurar e escorreram por cada traço do meu rosto. Passado pouco tempo chegou um ambulância, os homens tiraram-na dos meus braços, levantei-me dando lentos passos para trás, cruzei os braços contra o peito vendo-a ir... o som das cirenes ia se afastando, ouvi a porta de casa bater e não vi mais o Tyler. Aquele toque novamente apoderou-se de mim – Solta-me! – grito e  empurro-o, batendo com as minhas mãos no seu peito.
Zayn: Ouve eu... - interrompi-o.
Eu: Não quero ouvir nada do que tens para me dizer! Desaparece! – grito.
Zayn: Mas vais ouvir! - ele gritou arregalando os olhos, senti os meus pulsos serem violentamente agarrados e o meu corpo ser arrastado contra o seu, os nosso peitos chocavam violentamente um no outro. - Desculpa - ele baixou o rosto, fiquei surpreendida com a sua mudança de reação. Achava que ele seria demasiado orgulhoso para me falar daquela maneira...
Eu: Nunca me devias ter salvo! - as lágrimas insistem em voltar e não as consigo impedir de cair. - Se fosse alguém especial para ti no lugar da Caissy? Se eu te implorasse para me deixares morrer a mim? - o medo, medo das suas palavras, das respostas, de tudo... o minha dor encarnava agora a forma de lágrimas e tentava controlar a raiva de mim mesma.
Zayn: Salvava-te naquele segundo ... sem qualquer arrependimento!
Eu: A Caisy morreu! - mordi o lábios sendo mais forte que a vontade de chorar que cercava os meus olhos.
Zayn: Mas tu não!... Pára de chorar, mostra que não és fraca! Tu não a perdeste, tu apenas ganhaste um anjo no céu para olhar por ti! - as palavras dele impressionavam a cada pausa sua, nunca pensei que conseguisse dizê-lo ... os seus olhos tornavam-se mais claros, o rosto vazio que conheci não era o mesmo era mais doce, acalmava-me. Senti os meus pulsos serem largados, ele afastou-se caminhando para o carro - Mel! - a sua voz voltou a chamar-me. - Eu teria te salvo de qualquer das formas, mesmo que implorasses para que não o fizesse... - um tom completamente frio e egoísta entoava na minha mente.
Eu: Porque é que não deixas que percebam o teu lado bom? - falei um pouco mais alto para que ele me ouvisse. Um braço deslizou pelas suas costas, ele olhou o nada e só depois me encarou novamente, mantive-me fixa no seu olhar esperando por uma resposta.
Zayn: Porque com o tempo o lado bom vira uma merda Mel! Nunca esperes isso de alguém como eu!



Ele entrou no carro indo embora. Quem era ele afinal?
Entrei em casa e deitei-me junto do Tyler, os seus braços abraçam a minha cintura, sinto as suas lágrimas cairem nas minhas costas voltadas para o seu peito, entrelecei as nossas mãos e fechei os olhos, e mesmo assim as lágrimas voltavam...
"Tu não a perdeste, tu apenas ganhaste um anjo no céu para olhar por ti! ", a sua frase... entendemos a morte como um fim, mas para outros ela é apenas a mudança para um novo mundo desconhecido, a crença de que voltaremos... como anjos! Seja qual for a verdade, a única certeza de que tenho é a de que, perdi a Caissy e... para sempre! O vazio que inunda o meu peito, a sensação de que é apena um pesadelo que acabará, o desespero de querer acordar... quando tudo é real e não vai mudar!
Encontras a realidade no silêncio da noite, e aí percebes que... acabou. Todas as rotinas passarão a memórias, vamos esperar o seu beijo, o seu abraço, a sua voz, e nada disso existirá mais. Aquela ausência, a presença inexistente, a esperança, a saudade, vão criar lágrimas, feridas que deixam marcas.
Sequei as lágrimas e novamente a frase voltou à minha cabeça formando desta vez um leve sorriso nos meus lábios ... "Tu não a perdeste, tu apenas ganhaste um anjo no céu para olhar por ti!" ... Os dias vão continuar, a vida vai seguir, sei que esta fase magoa, todas as fotos, todas as memórias vão lembrar-me dela! Sei que me estás a ouvir Caissy, e prometo-te que vou ser forte! As lágrimas podem ainda cair, mas eu prometo lembrar-me de sorrir por ti, fazer brilhar a felicidade que sinto por ser tua irmã... Um dia encontro-te!
Eu&Tyler: Amo-te Caissy! - sussurrei apertando os olhos para que as lágrimas não vencessem novamente, mas exatamente no mesmo momento o Tyler disse o mesmo.


Continua...

xxAndy


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