sábado, 1 de março de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 7 - Escape



Arrumei as minhas coisas a pressa e corri para a saída. Sinto um braço roçar no meu, e qual não é o  meu espanto quando vejo Liam.

Liam: Sabes, as vezes acho que tens um poder sobrenatural qualquer... já que, diga-se de passagem, nunca dizes nada de jeito!” – ele ri enquanto troça comigo. Acreditem ou não, tudo o que me apetecia fazer era esbofeteá-lo.

Eu: Se não tens nada mais interessante pra dizer, pra próxima opta por ficar calado, idiota!”

Ele toca-me, tentando me alcançar. Soltei o meu braço bruscamente do seu, o seu olhar mostrava arrependimento. Ele vai aprender com o tempo que as palavras magoam… ou talvez não. De qualquer modo isto era a que se resumia meus momentos com ele… fuga.

Caminhei até longe, até o perder de vista. Não queria nem vê-lo… ele não  é bom pra mim, pra minha cabeça… irrita-me mais do que tudo, baralha-me, e depois vêm e tenta mudar. Como se isso fosse possível. Eu queria me esconder… mas não sabia onde. Havia ainda tanta coisa pra fazer. Aquele sítio era enorme, o suficiente para eu me perder. Depois de algum tempo encontrei um lugar calmo, sem ninguém. Um corredor longo e vazio. Umas escadas velhas pareciam levar a outro lugar. Segui até elas. Os passos pesados faziam-nas ranger…  uma sala escura parecia ocupar toda minha visão. Não havia luz. Apenas escuridão., a escuridão da solidão…. Parecia ser grande, mas os meus olhos nada mais do que sombras conseguiam ver. Alguns segundos depois lembro-me de todos os dias carregar um isqueiro no bolso para acender os cigarros que desde nova me pareciam fazer maravilhas… que na realidade não faziam. Cada dia parecia ainda pior que o anterior, e o futuro obscuro. Eu tornei-me nisto… numa pessoa obscura.

Acendo-o. Para meu espanto, tudo estava no devido lugar, limpo e “agradável”…. Havia velas em cima de uma secretária. Acendi-as o mais depressa que pude. Um sofá velho estava encostado na parede branca, onde a tinta parecia se desfazer. Percorri os meus dedos por ela enquanto pedaços de tinta caíam no chão escuro. Do outro lado estava então a secretária, de madeira velha e estragada. Aos poucos tudo parecia diferente de anteriormente…. Já não era um local agradável para se estar…. Abri uma das gavetas. Livros, papeis, tesouras e algo mais… remexo no fundo da gaveta e toco em algo diferente.

Senti o meu coração palpitar mais depressa. Um pó branco estava devidamente separado em vários saquinhos e doseamentos. Abri um deles o mais rápido que pude. Hmm, era tudo o que estava a precisar no momento… eu não sabia de quem era, nem que tipo de droga era... mas nada iria importar no momento.

Ele: O que caralhos estás tu a fazer??

Eu: Eu?! Absolutamente nada!! – digo como se fosse óbvio. A sua figura alta e musculada eram intimidantes... mas não para mim, não agora. Seu tom de pele ligeiramente moreno devido às luzes. Seus passos rápidos dirigem-se a mim enquanto pouso o que tenho em mãos novamente na secretária. 

Olhos claros e pestanas longas olhavam os meus movimentos com atenção. Esperei até ele falar algo, mas os seus lábios simplesmente não se moviam. Soltei um grunhido e caminhei novamente até as escadas. Antes que pudesse dar um novo passo o meu ombro é apertado e bruscamente tocado pelo rapaz. Podia ver fúria no seu olhar.

Ele: Ainda não disseste o que estavas aqui a fazer.

Eu: Larga-me. Agora. – tudo o que senti foi meu braço ser cada vez mais apertado enquanto ele esperava por resposta. Meus músculos agora tensos apenas mostravam parte de minha irritação. Suspirei pesado.

Ele: Fala!

Eu: Cala-te caralho!! – gritei – Queres que diga que ia snifar da merda da tua droga?! Tá, se preferes assim então eu digo caralho!! Já posso ir embora ou vou ter de ficar a ouvir as tuas merdas?? – tinha tudo, menos paciência no momento. Caminhei em passos. 

Ele: Passa pela festa hoje – virei-me, ele me encarava sério – às 22:30h, rua X. A casa vai estar cheia e iluminada... de certeza que a encontras! – desculpa?

Eu: Não, obrigada! – dei um sorriso, falso – tenho coisas mais interessantes para fazer. – revirei os olhos, ele permanecia a olhar para mim enquanto gargalhava alto.

Ele: O quê? Na tua vida de merda e de tédio?

Eu: Ouve lá ó filho da puta de merda – cheguei perto e empurrei-o contra a parede mais próxima, ouve-se o eco por toda a sala – não me conheces de lado nenhum, então fica calado e não fales merda. – soltava palavras de raiva enquanto ele me olhava atento – não sabes do que sou ou não capaz. – caminhei lentamente para trás, olhando-o com raiva, nojo... nojo de sua estupidez, nitidamente capaz de superar a minha...

Ele: Então vem. – ele encoraja. 

Virei costas e saí. Prefiro levar esta “vida de merda” do que ir a festas a toda a hora e foder com todo o mundo que nem uma puta e uma vadia.

Desci as escadas rápido e assim que chego cá fora ouço o toque da campainha...

Pensando bem, o Liam não era assim tão mau quanto eu julgava.... pelo menos não me obrigava a agir que nem uma descontrolada.

Enquanto me dirigia até a próxima aula lembrei-me.... eu não faço a mínima puta de ideia onde é a sala. Perdida nos meus pensamentos acabo esbarrando num rapaz...

Ele: Desculpa não te vi!

Eu: Desc... arghh – ele fica me olhando.

Liam: Tiveste saudades minhas, Bell?

Eu: Bem, olha... – ele espera que eu fale, suspiro – bem, sabes em que sala é a aula de Psicologia?

Liam: Hmmm tens aulas de Psicologia?

Eu: Ahh não sabes, eu só perguntei onde era a sala mesmo por curiosidade!!

Liam: Ah, ok então! – ele continua andando, dando-me apenas visão das suas costas. Ele sabe que eu estava a ser irónica, certo?

Eu: Hey – suspiro – espera! – corro atrás dele, puxo o braço dele e viro-o para mim – podes-me dizer em que sala é? – ele ri.

Ele: Não estás com pachorra pra aula pois não?? – o seu sorriso quase parecia hipnotizante, embora a sua personalidade não combinasse com a sua aparência, neste caso diga-se de passagem, excelente.

Eu: Não mesmo... – falo e encaro o chão.

Liam: Vem comigo!

Eu: Não...

Liam: Anda lá!

Eu: Tu és mesmo estranho.... eu não sei se sou normal.... mas tu não és de certeza!! – ele olha-me confuso – desculpa, agradeço imeeensoo o convite - hmm a ironia – mas não!

Liam: Deixa de ser parva e vem comigo. – fui só eu, ou isso foi uma ordem?

Eu: Tu não mandas em mim. – parei e falo séria. Porque é que ele faz mudar tudo? É como se, mesmo eu não querendo, me sentisse na obrigação de fazer algo por ele. Como se algo fosse acontecer, capaz de mudar tudo.

Liam: Eu não mando, mas tu mandas... e eu sei que queres.



Continua...

xxPatrícia


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