sábado, 29 de março de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 14 - Hallucinations

Abro a porta de minha casa e fecho-a atrás de mim com um pé. Quando volto a minha cabeça para o centro da sala quase grito. Quando volto a abrir os olhos encontro tudo fora do sítio e objetos partidos. Corro instintivamente até o meu quarto e tudo o que vejo é a minha cama toda desfeita e os lençóis puxados para trás. Alguns objetos estavam fora de sítio, mas não partidos como na outra divisão da casa. Ouço um barulho lá em baixo que faz o meu coração parar, a minha respiração trémula é tudo o que ouço depois disso. Corro para a casa de banho e pego de lá uma tesoura, as minhas mãos tremiam enquanto eu a segurava sem deixar cair. Desço as escadas à procura de fazer o mínimo barulho possível. Aproximo-me da cozinha e vejo um corpo se mover rapidamente para a saída. Queria correr até lá, mas os pés transformam-se em cimento e não consigo. A porta bate com força e o barulho do arranque de um carro soa lá de fora. Parece surreal.
O que é que alguém quereria daqui? De mim? Não conheço ninguém capaz de fazer isto,  talvez até conheça, mas ninguém pra além do Liam sabe onde eu moro. Sinto o sangue percorrer as minhas veias e o meu corpo aquecer. Aperto os punhos ao lado das minhas ancas e dou um murro na parede irritada. Algumas lágrimas de frustação percorriam a minha cara enquanto eu gritava de raiva. Será que tudo tem de acontecer-me a mim?
Eu: Foda-se. Não!! – grito e o meu corpo mole escorre pela parede. Alguma da pouca maquilhagem na minha cara não passava agora de uns borrões. Há minha frente tinha um vidro partido e um pouco de sangue. Oh, eu só queria desaparecer. Olhava para todo o lado e encontrava a imaginar-me novamente naquele avião, sangue, vidros e gritos. Só que agora apenas os meus gritos eram ouvidos. Volto a olhar em frente e como que uma sombra vejo a sombra de um corpo alto e musculado aparecer. Era tão... tão parecido com o Adam... Quando volto a fechá-los e abrir não volto a vê-lo lá. Cerca de 2 minutos foram passados a abrir e fechar os olhos na esperança de voltar a vê-lo. Uma sensação de frustação, raiva e nervos percorria todo o meu corpo. Em segundos sinto espasmos por todo o meu corpo, que já não me obedecia. As lágrimas de desespero seguidas de choro e gritos abafados levavam-me à loucura. Com as costas já no chão elevo os joelhos e levo as mãos até a minha boca, tapando-a na esperança de não ouvir mais nada. Trinco a palma de uma delas e vejo sangue formar-se. Espamos incontroláveis que queriam levar-me ao desespero. Levanto-me e volto a dar um murro na parede. As articulações das minhas mãos estavam sangrentas e quando volto a correr até a sala uma nova visão formava-se na minha cabeça. Eu só via pessoas, pessoas bebadas a dançar enquanto se tocavam uns nos outros... eu queria adormecer. Eu sentia todo o meu corpo mole e quase desmaiar. Começo a andar à roda e mais pessoas pareciam ocupar o lugar. Sinto me tocarem, um braço me puxar. Fecho os olhos com força enquanto sentia a minha respiração alterada e dores musculares, quando os abro encontro-me sozinha encostada à porta de entrada.
Encontro-me lavada em lágrimas e soluços que rompiam pela minha garganta enquanto eu procurava uma solução para o meu problema. Não me lembro de ter alucinações. Nunca tive. Não quero passar de uma louca. Aos poucos tento me acalmar mas toda a vez que olhava para a bagunça lembrava-me do sucedido e tudo começava outra vez.
Sem forças pego na minha mochila ao pé da porta e procuro pelo telemóvel. Tinham-se passado 3 horas desde então. Eram agora 21h e sentia a minha cabeça doer, odeio sentir-me tão fraca.
Num súbito pestanejar de olhos levanto-me e procuro por calmantes nas gavetas todas. Vazias. Corro até o meu quarto e mesmo já todo desarrumado procuro nas gavetas de lá por algum comprimido. Um calmante, uma droga... qualquer coisa. Acho que heroína é boa para este tipo de momentos. Não sei. Não experimentei, mas não vai tardar.
Já se tinha passado mais uma hora. Não sei no que estava a pensar, mas as lágrimas voltaram num relance. Como sempre voltariam. Pego no meu colar no meu pescoço e tento distair-me por um segundo que seja, mas não tem o efeito pretendido. Acabo por lembrar-me da razão pela qual o comprei. Antes de o colocar de volta no meu peito dou um beijo de leve.
O mau de ser-se anti-social é o facto de não se ter amigos, ou pelo menos bons amigos para maus momentos. Tudo o que eu menos queria no momento era passar esta noite sozinha sabendo que mais alguém pode entrar aqui a todo o momento, que posso voltar a alucinar... Não me lembro de ser tão medrosa antes como esta semana. Parece que desde que o conheci o lado mais sensível de mim vem ao de cima e sou incapaz de controlar os meus sentimentos, quaisqueres que eles sejam. Sinto-me horrível, mas sou parva o suficiente para correr até a casa dele. Acho que embora ele seja muito parvo, ele acabaria por me ajudar nisto... eu queria, mas parecia que algo me impedia de fazê-lo. Acho que a figura de parva e fraca que vou fazer não vai ajudar em nada. Mas ficar aqui a chorar a noite toda também não. O meu estado de confusão parecia intrigar-me ainda mais. Sentada no chão do meu quarto encontro um papel no meio da bagunça. Estava rasgado. Virei-o para mim.
A minha respiração prende-se na minha garganta enquanto os meus dedos tremiam sobre o papel que eles seguravam agora cuidadosamente. Percorro os meu dedos pela foto enquanto lágrimas a molhavam, destruindo ainda mais o pequeno papel, rasgado. Toda a minha família junta, toda não, os meus pais e o meu irmão... fiquei alguns segundos a olhar enquanto um rasto molhado caía sobre ela depois. Não podia estar a correr pior. Eu sabia que estava a ser demasiado bom. Começo a enervar-me ao pensar na pessoa que rasgou uma das únicas fotos que eu tinha... da minha família. Com eles. Com cuidado tentava voltar a juntar as duas partes da foto, mas voltava ao mesmo segundos depois. Já muito amarrotada por causa das lágrimas ela desfazia-se nas minhas maõs enquanto parte de mim também. Era uma das únicas que me restava. Não havia mais nada que me ligasse a eles neste momento. Tenho tantas saudades deles...
***
Encontro-me a andar até a porta da casa vizinha e antes de poder impedir-me toco à campainha. Só espero que os pais dele não estejam. Oh deus, a ideia parece-me horrível agora que penso. Sem reparar algo molhava a minha camisola, tento secar as minhas bochechas com as costas da mão, mas a porta abre-se mesmo antes de eu terminar o gesto. Era ele. Entro rapidamente e a porta fecha-se. Fico de costas para ele para evitar que ele me veja neste estado que eu tenho tentado controlar durante alguns minutos e horas, mas nunca bem sucedido.
Liam: O que se passou? Está tudo bem Bell? – viro o meu corpo e encontro-o a poucos metros de distância, apenas alguns passos...
Ele aborda-me com uma explosão de perguntas que eu não podia responder. Corro até ele e coloco-me em volta dos seus longos braços. Fecho os olhos enquanto, já sem tentar evitar sequer, molhava a sua t-shirt. As suas mãos apertam-me mais contra o seu peito, ele mantinha-se silencioso. Acabo por perceber que ele era tudo o que eu precisava no momento... aperto o fim da sua t-shirt tentando senti-lo mais perto de mim.
Liam: Vem. – ele segura firmemente na minha mão – Vamos para o meu quarto. – embora me pareça estranho, não recuei e caminhei atrás dele enquanto ele me guiava pelo caminho até o andar de cima.
Sinto um calafrio me percorrer quando ele abre a porta de seu quarto, enorme e lindo. Eu nunca poderei ser alguém como ele. Ou ter alguém como ele... isso seria apenas... um belo sonho.
Eu: O...os teus pais não estão em casa? – gaguejei e disse baixo. Baixo a cabeça e a sua mão sobe até meu rosto, limpando as lágrimas. Encaminha-nos até a sua cama. Sento-me numa ponta, ele sorri um pouco e arrasta-me para o pé de si, fazendo os nossos corpos se tocarem levemente.
Eu: Desculpa, desculpa, desculpa. – disse rápido enquanto afagava as lágrimas irritantes que se formavam a todo o momento. Eu não queria que nada disto acontecesse assim. Ele aproxima-se e aperta a minha mão num gesto reconfortante, deixo uma lágrima cair sobre elas. Vários arrepios pareciam me completar no momento. Começo a tremer, de pânico, não sabendo como agir numa situação destas. Novamente encontro-me rodeada de jovens adolescentes, neste mesmo quarto, e de repente encontro o tal Gale a vir em meu encontro, com uma expressão irritada que me fazia doer o peito. Começo a afastar-me assustada, ele parece vingativo. Levanto-me da cama e fujo até o mais longe que posso da porta do quarto, acabo por encostar-me em uma parede ao fundo. Fecho os olhos e sinto o meu corpo tremer de medo, encolho-me ao fundo e debruço-me sobre os meu joelhos, à procura de esconder-me, enquanto mexia com os pés a tentar de alguma forma manter-me mais o longe possível, atravessar a parede até. Ouço gritos roucos e toques desesperados nos meus ombros...
Liam: Bell!! – ele grita. O meu coração bate depressa. – abre os olhos por favor... Bell!
Abro os olhos e volto a encontrar-me sozinha, e apenas o Liam me tocava no ombro, de joelhos em frente a mim enquanto os seus olhos me olhavam preocupados. Guincho de frustração e mais lágrimas voltavam. Uma mão cobre a minha bochecha enquanto limpa o rasto que elas percorrem. Senta-se ao pé de mim. Encosto a minha cabeça no seu peito, desesperadamente à procura de poder acalmar-me com o soar do bater do seu coração.


Continua...

xxPatricia

Nenhum comentário:

Postar um comentário