domingo, 23 de março de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 13 - The new girl

Ouço o toque do telemóvel. Espero que pare, mas isso não acontece. Estico o meu braço até ele e desligo o despertador. Vejo as horas, ainda era incrivelmente cedo, pelo menos para uma quarta  feira. Acho eu. Ainda são 6:30h, o que significa que só por acaso, o despertador tocou meia hora mais cedo. O que não era suposto. Fecho os olhos e volto a dormir. 

***

Abro-os, pego no telemóvel e vejo as horas. Foda-se. Restava-me meia hora para me vestir, e chegar até a escola a pé, o que é praticamente impossível. Hoje as aulas começavam às 8h e já eram 7h30min. Despacho-me e corro até a casa de banho, não tenho tempo de tomar banho e apenas escovo os dentes e penteio-me. Sigo até o meu quarto e visto uma roupa rápido, a primeira que encontrei. Acabei por deixar tudo espalhado e desorganizado, algumas roupas caíram no chão enquanto pegava noutras. Visto-me o mais rápido que posso e desço as escadas enquanto me calço e aperto o botão das calças. Com os olhos quase fechados de sono ia tropeçando, segurei-me no corrimão das escadas rápido para evitar desastres. Sem dúvida que o dia não está a começar da melhor forma.

Corro até a cozinha, pego numa maçã como sempre e corro até lá fora. Quando já tinha fechado a porta lembro-me que me esqueci de pegar na mochila. Suspiro e volto a abrir a porta, subo as escadas com pressa e pego na mochila do meu quarto e saio. 

Literalmente corro o caminho todo. Acabei por chegar mesmo no momento do toque. Suspiro de alívio. Se começar a faltar as aulas logo no início ainda corro o risco de pedirem para chamar algum adulto da minha parte que neste caso, eu não tenho. O que logo significa que eu iria arranjar problemas, e não eram poucos. 

Caminho até a sala, percebo que estava em Filosofia pelo que o professor explicava. Como todos os outros ele começa por falar da planificação das aulas. A aula decorre normalmente, sem problemas, enquanto ele explicava alguma coisas sobre o “grande” filósofo que ele tanto parecia admirar que era Platão. Podia ver na maneira como ele falava que ele sem dúvida nenhuma o admirava imenso e explicava com prazer toda a matéria. Não que eu não goste de filosofia, apenas não acho interesse nenhum nisso. A meu lado como sempre, estava o Liam. Percebi mais tarde que ele parecia gostar imenso do que o professor dizia... não era de admirar que ele gostasse. Ele parecia cansado. Não quero culpar-me, mas talvez isso se deva ao barulho e à discussão de ontem. De qualquer das formas não estou preocupada em descobrir. 

Ouve-se o toque soar e as cadeiras arrastarem. Peguei as minhas coisas e arrumei tudo. Enquanto andava em direção à saída acabo por bater contra alguém e várias folhas caem no chão. Reparo no seu rosto ligeiramente irritado mas cansado enquanto apanhava os papeis. Agacho-me para a ajudar, era uma rapariga não muito alta, cabelo castanho que me parecia preto e muito comprido e usava uma camisola simples preta com umas calças apertadas e ligeiramente rasgadas de ganga cinzenta. Era magra e um pouco mais baixa do que eu. Devia ter cerca de 1.65m.  Só pelo visual gosto logo dela. Era realmente bonita. Mais tarde reparo nas inúmeras tatuagens que ocupavam o seu corpo. Se não fosse pelo seu sorriso não diria de todo que era simpática.

Eu: Hmm desculpa. – disse e ajudo a pegar nas folhas. Ela sorri levemente para mim mas eu não retribuo. Apenas pego em tudo que deixei cair no chão e entrego-lhe. Levanto-me e ela faz o mesmo. 

Ela: Tu és aquela rapariga nova que entrou não és?

Eu: Hm sou. – continuo o meu caminho enquanto ela me segue e caminhamos lado a lado. 

Ela: O meu nome é Sally! – aproxima-se e estende-me a sua mão para a apertar. Sorri levemente com o gesto e damos um aperto de mão. – Tu és a...? 

Eu: S/n! S/n Bell. – afirmei. Durante o resto do dia falamos todo o tempo possível. Sentia-me estranha perto dela, não conseguia oferecer tanta simpatia como ela fazia. Simplesmente limitava-me a sorrir algumas vezes e acenar com a cabeça. Acabei por descobrir que somos muito diferentes, embora pela aparência fossemos um pouco parecidas. Ela era muito dada a festas e considerei-a muito social pelo que me apresentou a montes de gente. Conheci alguns rapazes, uma das raparigas pareceu odiar-me logo que me viu, mas não me importei. Sem dúvida ela falava muito. Contou-me algumas coisas da vida dela. Eu acho que ela gostava de um rapaz do grupo, acho que o nome dele era Ryan, não percebi bem. 

No fim da última aula sou surpreendida por ela enquanto caminhava até a saída da escola. 

Sally: Hey Bell, não queres juntar-te a nós logo numa festa?? Vai ser brutal. – ela ri entusiasmada enquanto batia palmas, reconheci algumas pessoas do grupo dela. 

Eu: Hmm não. Hoje tenho muita coisa para fazer. – menti.

Sally: Anda lá!! Vai lá estar montes de gente e ainda pode ser que arranjes um rapaz para ti! 

Liam: Ela não pode. – ouço-o falar enquanto coloca a sua mão sobre o meu ombro. Ela dá de ombros e sorri pra mim novamente. –Temos planos hoje! Não é babe? – ele ri enquanto me olha contente e satisfeito mas volta a olhar para eles sério. 

Sally: Ohh venham os dois!! Vá lá, vai ser divertido! – ela suplica – Por favor. Pode ser Bell? Por favor? – ela faz voz mais fininha e cruza as mãos à minha frente quase suplicando outra vez. Sinto a mão no meu ombro apertá-lo ligeiramente e um par de olhos me olharem sérios.

Eu: Hmm hoje não vai dar mesmo. Fica para outro dia. Vemo-nos por aí! – aceno e caminho para fora de lá. A meio do percurso, já fora de visão deles, retiro a sua mão rapidamente do meu ombro e paro no caminho. Mas ele é normal sequer? – Mas o que foi aquilo? Estás parvo ou quê? – grito.

Liam: Devias agradecer-me. – dá de ombros e apenas me  olha normal.

Eu: Agradecer-te? Até parece que me fizeste algum favor não? – ri irónica enquanto subo o meu olhar até o céu e volto a olhar para ele. Ainda me vão explicar porque é que ele tem de ser sempre tão intrometido. Porque é que não se mete na vida dele? Se é que tem uma. 

Liam: Sabes de quem vai ser aquela festa logo à noite? – ele diz e encara-me, não consigo perceber que tipo de emoção a voz dele reflete. 

Eu: Mas achas que isso me interessa por acaso? – disse rude.

Liam: É do Gale.

Eu: Hmhm. E quem é o Gale? – mas quem caralhos é o Gale e porque é que isso me é relevante? 

Liam: O rapaz de quem eu te salvei no outro dia. – a minha respiração prende-se na minha garganta e surpreendo-me pela sua atitude. Tenho a sensação que começo a respirar muito depressa. – De nada. – ele diz e continua a andar deixando-me para trás. 

Fico parada no meio do percurso, enquanto o via afastar-se sem olhar para trás. Às vezes acho que não passo de uma idiota. Sempre tão egoísta, a pensar em mim, mas sem pensar nas consequência, quando depois tem alguém que parece zelar pelo meu bem quando nem o eu o faria. Não consigo ficar feliz com ele, mas de certo modo deixa-me arrepiada e faz a minha cabeça andar a roda. Quando volto a olhar em frente sinto que fiquei parada pelo que parecem horas, o meu corpo está dormente e uma sensação estranha rompia pelo meu corpo todo. Sacudi a cabeça e comecei a andar em direção a casa. Por muito que quisesse saber porque raios ele fez aquilo acho que o melhor é afastar-me, pelo menos por hoje. Não consigo ser amiga dele quando me sinto tão estúpida a seu lado. Faz me sentir mal, mas divertida. O que é estranho, e bom. E ele é bom, mas com o seu lado mau, que parece vir à tona a maior parte dos momentos que está comigo, que para já, ainda não foram muitos, mas foram o suficiente. 


Continua...

xxPatrícia


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