quarta-feira, 19 de março de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 12 - Friendly


Já era perto da 1h da manhã e eu ainda tinha energia suficiente par manter o meu corpo acordado, embora não devesse. Eu queria dormir, e acordar quanto já tudo estivesse bem, mas já é isso que tenho feito estes últimos anos, e como visto, não tem resultado.
Deitada na cama viro a minha cabeça na direção da janela, podiam ver-se as luzes lá de fora, da noite, o brilho da lua... esperei talvez ver algum rapaz na janela, mas nada aconteceu.
Voltei a olhar para o teto. No momento até a minha respiração parecia alta, tão alta que preferia parar de ouvi-la. Saí e desci até lá baixo. Apenas na minha camisola curta de dormir sentei-me no sofá e liguei a televisão. Não  estava a dar nada de interessante mesmo. Tenho que pensar em comprar um computador pra ter aqui em casa, nunca me passou pela cabeça comprar um depois do que aconteceu.
Coloquei a televisão alta, para me distrair um pouco. Estava mesmo prestes a dormir, ainda que o barulho fosse realmente muito alto. Tempos depois ouço a campainha tocar. Dou um pulo do sofá assustada e sigo até a porta, abro-a e mesmo sem olhar sigo novamente para o sofá.
Liam: Mas que merda é esta?! – ele entra a matar, quase gritou, mas o barulho por trás da sua voz era demasiado alto. Ri da sua cara. – Põe essa merda mais baixo!
Eu: Deixa-me em paz. Foda-se, que melga. – disse e coloquei uma travesseira a tapar os ouvidos para não ouvir o que ele tanto gritava e fazia questão que eu percebesse.
Vejo o comando ser retirado das minhas mãos e ele desliga a tv. Sento-me rapidamente irritada e pego nele da sua mão.
Eu: É a minha casa. Eu faço o que quiser. – falei entre os dentes enquanto ele se mexia inquieto e irritado, tal como eu.
Liam: Quando eu sair desta porta não quero ouvir barulho! Deixa-me dormir de uma vez por todas! – ele mexe-se e em passos pesados caminha até a porta e bate com ela com força enquanto eu o via sair. Depois da minha contagem até dez, na tentativa falhada de me acalmar, voltei a ligar a tv e ela liga exatamente no volume em que foi desligada, ou seja... alto, muito alto mesmo!! Num estrondo a porta abre-se e ele caminha frustrado até ao centro da sala e volta a desligar a televisão.
Eu: Mas tu não tens mais nada para fazer? – grito e levanto-me.
Liam: Oh, eu tenho, mas uma pessoa não me deixa! – ele grita em resposta e atira com o comando para a parede. Mas quem é que ele pensa que é?
Eu: Visto que estás claramente frustrado não vou ripostar, mas aconcelho-te a sair daqui, e agora!
Liam: E quê? És tu que mandas? – ri, claramente sarcástico. Coisa que ele não consegue ser. Porque sarcasmo, é a minha especialidade.
Eu: Estás em minha casa. Se te quisesse mandar foder eu mandava, porque aqui quem manda sou eu!
Liam: Oh sim? Então e se eu ligasse à polícia a fazer queixa do barulho que estás a fazer? Sabes que não podes fazer barulho a uma hora destas! – ele aponta satisfeito, apenas dei de ombros, ele parece incomodado.
Eu: Ahh, vai tu, vai a polícia, vão todos para o caralho! Quero lá saber... nota-se bem que és daqueles meninos riquinhos que acha que a polícia ainda mete medo a alguém nestes dias de hoje. – ri.
Liam: Devia.
Eu: Hmhm – concordo com a cabeça desinteressada. Ele parece alterado - já podes sair. – ordeno, ele limita-se a abanar com a cabeça de um lado para o outro enquanto olha para mim e de seguida para o chão irritado. Vejo punhos cerrados formarem-se nas sua mãos. – Ainda aí estás? – digo e riu, olhando para ele de canto, era bom ver a maneira como eu o conseguia descontrolar tão facilmente.
A porta bate com força fazendo tudo estremecer. Até eu. Assusto-me com a sua brusca saída mas tento voltar as minhas atenções para a televisão.
Por muito que eu olhasse para lá e tentasse perceber a história do filme que lá passava, eu só pensava na situação de à minutos atrás. Era de certo modo boa a minha relação com ele. Eu gostava de estar sempre zangada com ele. Eu gosto de discussões e sair a ganhar por cima. Mas odeio a maneira como ele me olha quando sai e se dá por vencido. Não sei se está irritado, magoado, ou simplesmente indiferente ao que aconteceu. Não sei como lidar com ele. Na verdade, não sei lidar com qualquer tipo de sentimento dos outros. Simplesmente não tive de o fazer.
Há já algum tempo que nem tento ser amigável com quem quer que seja. A não ser com aqueles que se mostravam preocupados comigo. E no fim de tudo, esses mesmos que eram meus amigos acabavam por magoar-me, então eu decidi a não dar confiança a mais ninguém. E não é por ele dizer querer ser meu amigo que eu vou cair em tentações. Foi por tentações mesmo que eu me tornei no que sou hoje... depois do que aconteceu estava tão abalada que me tornei de certo modo muito sensível.
Um rapaz, ele chamava-se Jonas, ele fingiu ter sentimentos fortes por mim, fingiu que se importava... E no fim de contas, quando eu perdi a virgindade com ele, ele foi perdendo contacto comigo. Dias mais tarde ele revelou tudo para toda a escola. Eu só queria desaparecer. Ele rebaixou-me, via-se na sua cara satisfação, ele sentia-se bem enquanto me derrubava... mas isso ajudou-me. No fundo ajudou-me e muito. Agradeço-lhe por isso,  tornei-me forte suficiente e inteligente para não me deixar levar pelos sentimentos.
Alguns meses mais tarde tive a minha vingança. E tenho a certeza de que não se ficou a rir. Fui expulsa uma outra vez, mas valeu a pena.
E hoje aqui estou eu, a evitar ter ligações com as pessoas, para não correr o risco de as fazer passar pelo que eu passei, ou vice-versa. É a mesma coisa. Com os meus olhos pesados vou baixando o volume da tv e subo até o meu quarto...
Acabo por adormecer, mas era como se a minha mente se mantivesse ativa.



Continua...

xxPatrícia


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