quarta-feira, 12 de março de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 11 - Nothing left

Acordo com o som do despertador,  que me lembra que tenho aulas. A ideia de vê-lo já de manhã aterrorizava-me. Eu vou me afastar dele, custe o que custar.
Enquanto tomava banho lembrava-me novamente de tudo o que tem acontecido. Principalmente de ontem... sentia o toque desesperado  de mãos desconhecidas pelo meu corpo, embora nenhuma mão lá estivesse. Lembrava-me do quanto nervosa eu estava, com medo... e principalmente, totalmente em pânico. Fecho os olhos e vejo-o lamber os lábios. Parecia que a minha mente deixava de funcionar, dando lugar a um lugar sombrio, de onde eu não podia sair, como se mais tarde, ele me fosse apanhar, aquele rapaz. E esse era o meu medo agora... que ele me encontrasse, e tentasse o que não conseguiu ontem.
Senti um calafrio me percorrer enquanto tentava fazer com que os meus pensamentos fossem embora... lavava as zonas do corpo em que os seus lábios tinham tocado, principalmente no meu pescoço, na esperança que o pensamento desaparecesse.
Depois de vários minutos acabo por sair. Olho-me ao espelho, os meus cabelos soltos e molhados, e vejo um leve arranhão no meu ombro descoberto. Provavelmente quando estava quase a ser atropelada e quando o Liam me voltou a ajudar.
Sequei-me, e voltei para o meu quarto e peguei na roupa  mais prática que tinha. Umas calças largas uma camisola preta simples, um decote muito simples mesmo e um casaco de capuz. Não pus o colar, porque eu durmo com ele, não chego mesmo a tirá-lo, então ele já lá estava. Não pego em nada para comer, não tenho fome. Sigo direta até a escola, com a ajuda do meu telemóvel, voltei a chegar tarde 5 minutos. Ainda não sei bem o caminho, e não vou pedir ajuda para me levarem até lá. Não o encontrei no percurso até lá, o que é um bom começo, acho eu.
O dia começava com Psicologia, precisamente a aula que eu me tinha escapado ontem. Assim que entro na sala volto ao lugar do fundo, para evitar atenção. Reparo que o Liam não estava lá. Percorro toda a sala com o meu olhar, mas ele não aparece até que eu volte a piscar os olhos. Baixo a cabeça, eu sabia que isto podia acontecer, nem devia duvidar que ele acabaria por se afastar. Mas eu mesma fiz com que isso acontecesse. O que neste caso, vai ser bom para mim, voltar a ser eu mesma. Quem é que eu estava a tentar enganar? Eu nunca vou mudar, não vou deixar  ninguém chegar perto de mim, ninguém me agarrar como ele me agarrou enquanto eu dormia em seus braços... e quando ele estava prestes a largar-me quando uma amiga dele o chamou. Foi a gota de água. Por muito que ele tente ajudar ou mostrar algum interesse por mim, eu nunca vou aceitar isso, porque por muito que me custe dizê-lo, ele é bom de mais para mim.... ou pelo menos, acha-se bom de mais para mim. Porque ele mesmo fala como se sentisse superior. É o que eu sinto. E isso é horrível. Por muitas palavras que ele dissesse eu não conseguiria acreditar. A isso chama-se falta de confiança. Que eu não tenho, acho que por ninguém.
A aula já tinha começado, foi-me ordenado que me levantasse para me apresentar à turma, já que ontem só fui a uma aula e não tive tempo. Algum tempo depois vejo o Liam entrar e se sentar na cadeira a meu lado. Suspirei. Fui até o centro da sala e falei o minimo possível sobre mim. O básico mesmo. Reparei que vários olhares estavam postos em mim, de raparigas, que me olhavam de maneira estranha, e de rapazes, que me olhavam de uma forma um tanto desconhecida para mim, que nem tentei decifrar.
Assim, que acabei ouço uma boca lá ao fundo, sentia a raiva dentro de mim quase tomar conta do meu corpo, se não estivesse em aula, ai eu juro, eu partia-lhe a cara toda.
Ela: Aii o querida, onde compras a tua roupa? Porque deixa-me que te diga, deve ter sido tráfico muito mal feito!! – ela ri - E já agora, não achas que está na hora de emagrecer um bocadinho, ó gordinha?! As gordurinhas ficam mal fofa!
Eu: Deixa-me que te diga umas coisinhas... – respirei fundo, mas apertei o punho com força, no fundo a tentar evitar desastres e evitar uma outra expulsão – primeiro, fofa é pras tuas amigas putinhas como tu! Segundo, não és tu que pagas a minha roupa pois não? Então eu até podia ir buscar ao lixo que não era da tua conta!! – ela olhava-me chocada enquanto se ouvia alguns risos direcionados a ela – e por fim, eu até podia emagrecer pra ficar a mostrar o corpo como tu e foder que nem uma puta, mas não é isso que quero para mim entendeste? Ou preciso fazer um desenho? Até porque duvido que saibas ler...
Ouço gargalhadas enquanto alguns lhe apontavam o dedo. Deve ser a primeira vez que alguém a enfrenta... sei lá. Ela sai a correr para a casa de banho e ouço o professor falar.
Professor: No fim da aula precisamos de falar senhorita Bell! – assenti e voltei para o meu lugar.
A aula corre normalmente, não dirigi a palavra para o Liam, embora eu sentisse que ele estava a olhar para mim constantemente. Ele devia saber que isso me irritava. O professor falava do comportamento dos jovens de hoje em dia, e analisávamos os vários tipos de sentimentos e comportamentos. É uma matéria que me chama a atenção por isso mesmo. Para que todos possam perceber o que realmente acontece ao ser humano e na psicologia do mesmo. Embora o ser humano, é na minha opinião o único ser capaz de  agir de forma tão idiota. Fazem as coisas até mesmo sem pensar, sem usar aquela coisa a que chamamos cérebro, que muitos não devem usar muito frequentemente.
Arrumei as minhas coisas e esperei que todos saíssem. Segui até a secretária do professor que me esperava enquanto arrumava também alguns materiais. Aproximo-me e espero que ele fale.
Professor: Pelo que reparei, já que sou professor de Psicologia, tu és uma daquelas pessoas que não se controla. E tens de aprender a fazê-lo. – oh não, lições de moral não. – Já que, eu podia punir-te pelo teu comportamento de à pouco, e tu sabes. – ele olha-me sério, provavelmente a pensar se o faria ou não. – só não vou fazê-lo porque pelo que percebi, já foste expulsa demasiadas vezes para voltares a ter um castigo. Mas caso voltes a fazê-lo, não vou pensar duas vezes.
Eu: Sim. Eu sei.
Professor: Bem, agora podes sair, tenho que sair e tu também. Vá, anda.
Fiz o que ele me mandou e caminhei em direção à saída.
Para minha surpresa não voltei a encontrar-me com o Liam o dia todo. Já que, era visível que andávamos a evitar-nos um ao outro.
Cheguei a casa por volta das 4h e fui direta ao meu quarto, sem sequer chegar a pousar a mochila.
Tirei a roupa e coloquei uma mais fresca. O dia parecia mais quente agora do que nunca. O que era estranho. O sol substituía os dias frios e cinzentos do costume.
Coloquei uns calções e uma camisola larga e comprida.
Olhei para os meus pulsos descobertos, onde várias cicatrizes ainda eram visíveis. Escorreguei os meus dedos por lá enquanto me sentava na cama. Depois de algum tempo a olhar para elas sinto os meus olhos arder e uma certa irritação crescer dentro de mim. Procurei por todas as gavetas e por todos os sacos, mas não tinha nada que me restasse. Não tinha o que mais queria no momento... e não sabia como parar esta sensação de euforia. Bem, eu normalmente sei como, mas no momento não tenho quem. E não me parece que o meu “vizinho” vá ser uma boa ideia para par de sexo. Quer dizer, quem sabe ele não será assim tão mau, até diria que ele deve fazer maravilhas com quem quer que esteja com ele no momento, até ao último segundo...
Impeço-me de continuar os meus pensamentos, mas eles voltavam a todo o momento. Eu não queria, mas ele vinha a minha mente e todo o momento. Eu estaria zangada com ele no momento, então poque penso sequer nesta ideia parva de fazer sexo com ele? Ah eu sei, falta de droga...

Continua...

xxPatrícia


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