segunda-feira, 10 de março de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 10 - "Too cold to be loved"

Forço-me a levantar-me. Apresso o passo enquanto limpo as lágrimas com o punho. Antes de poder sair ouço-o sussurrar, enquanto me olhava.
Liam: Onde vais?
Eu: Sair daqui. Não quero cá ficar nem mais um segundo.
Não o ouço falar. Talvez ele saiba que eu estou certa. Talvez eu não esteja. Ele ajudou-me, e nem quero pensar no que teria acontecido se ele não o tivesse feito. Eu queria sair daqui o mais depressa possível, e voltar para a minha casa, mas ainda tinha medo que pudesse encontrar-me com ele enquanto me tentasse escapar.
Liam: O que se passa? O que se passa contigo, e porque é que sempre que te ajudo ou pelo menos tento, tu foges ou simplesmente ages como se eu fosse um idiota? – ouço-o falar. Viro-me para ele, atrás de mim à espera de uma resposta, que eu não tinha no momento. - É isso que eu sou para ti? Um idiota? – a sua voz soa quase como um sussurro, embora ele mostrasse mágoa e raiva. Ele parece tão diferente cada dia que o vejo.
Eu: Não.
Liam: O que é que eu sou para ti?? Pelo amor de Deus, explica-me porque eu já não sei. – ele parece desesperado.
Eu: Um estranho. – admito, sinto as lágrimas voltarem enquanto eu impedia que elas saíssem.  – O problema aqui, é que tu não passas de um estranho que eu não sei nada sobre e não consigo parar de pensar. É esse o problema Liam. E eu vou dar em tola por isso. – uma expressão de confusão e de choque formava-se na cara dele. Evitei voltar a olhá-lo e saí, antes que algo pudesse impedir-me de fazê-lo.
Saí a correr e desci, sentia as minhas pernas falharem, mas não parei de correr até finalmente me encontar fora daquela casa. E que casa. Volto a olhar para trás e vejo toda a gente a divertir-se, embora bebados, pareciam felizes. Tinham tudo para sê-lo. E eu apenas sonhava em algum dia poder ficar em paz. Sozinha, como o futuro tinha ditado para mim. Um corpo conhecido aparece e vejo-o correr até mim. Ele não parava de correr e a sua cara parecia desesperada, os seus lábios vermelhos talvez de os morder. Comecei a correr sem olhar para a estrada. Não quero que ele me apanhe.
Liam: BELL!! – ele grita.
Paro e assim que olho para ele vejo a luz de um carro bater forte nos meus olhos. Antes que pudesse mover-me sinto o meu corpo ser fortemente empurrado para o chão enquanto quem quer que estivesse naquele carro continuou o percurso a toda a velocidade. O meu coração parecia um carro em competição, cada vez a correr a velocidades maiores. Parecia bater muito forte em meu peito, e este dia parecia nunca mais acabar. E eu estava cansada, de tudo, disto, o que quer que seja que esteja a acontecer, está a acabar comigo.
Sem me aperceber estavamos ambos deitados no chão da estrada, perto da beira, enquanto respiravamos o hálito um do outro. Ele gentilmente deitado em cima de mim apoiando-se num braço enquanto o outro me cobria... permaneci deitada por baixo dele, incapaz de me mover, e a olhar para ele. Já é a segunda vez que ele me “salva” hoje. As poucas pessoas que por lá passavam olhavam-nos. Olhei-o, sem falar nada e voltei o meu olhar para o céu, e fecho os olhos por fim, mas acabo por desabar em lágrimas. Assim que volto a abrir os olhos encontro os seus castanhos a olharem-me com preocupação enquanto lentamente se sentava e me puxava consigo. Em um movimento ele puxa a minha cabeça contra o seu peito, sinto-o bater muito depressa, assustando-me.
Liam: Não voltes a fazer isso... – ele sussurra – podias ter sido atropelada. – levanto meu rosto para o ver, ele mostrava-se sério.
Eu: Porquê? Porque é que ainda te preocupas comigo? Podias simplesmente ter ficado zangado pelo que te disse à pouco mas não... voltas a correr atrás de mim para me salvar uma segunda vez. É suposto eu agradecer a isso? Já não sei se não seria melhor aquele carro ter-me lev...
Liam: Cala-te. Cala-te, cala-te Bell! – ele repete furioso - Não voltes a dizer uma coisa dessas!
Eu: Porque não? Faço falta alguém? Nem eu mesma sei o que continuo cá a fazer quando toda a minha família se foi...
Liam: A tua família?
Eu: Nada Liam... nada...
Liam: Fala comigo porra! Deixa de ser tão teimosa caralho. Nada do que faço parece bom para ti!
Eu: Para Liam, para! Eu não quero falar! – gritei. Eu sabia que estava a ser má com ele, mas se fosse preciso para me afastar dele, eu faria-o. – Não percebes como difícil está este dia para mim? Deixa-me. – levanto-me rapidamente, estou ciente que as lágrimas que corriam pela minha cara eram cada vez mais. Ele levanta-se atrás de mim e agarra-me pelo pulso.
Liam: Até pensei que podíamos ser amigos. Mas tu simplesmente tornas tudo mais difícil. Tudo o que queria era ajudar-te. Mas não vale a pena... – ele cospe tudo o que fala, quase tive medo que ele me batesse. – nunca vais deixar ninguém entrar na tua vida. Nunca. E sabes porquê? Porque simplesmente não sabes como amar ou sequer mostrar algum afeto por alguém! E mesmo que soubesses... tu desistirias.
Eu:  É suposto agradacer-te por falares isso tudo? Ah sim, é claro que é. – ri, mesmo com as lágrimas escorrendo por todo o meu rosto -  Porque agora mostraste-me a verdade não foi? Era isso que querias dizer este tempo todo? E que tempo, não faz nem uma semana que te conheço! – gritei com toda a força que tinha. – Dizes que és meu amigo? Ou que queres ser? Não, tu não queres!! Só esperas que acredite nisso, como provavelmente fizeste com todas as outras raparigas!
Liam: PARA PORRA!! PARA! – ele grita ainda mais alto que eu. Fechei os olhos e eu encolho-me – Eu até te explicava as inúmeras razões pelas quais eu quero estar contigo, conhecer-te... mas também vais achar que inventei, só pra te levar pra cama não é? – ele ri, aquele riso forçado que mostra exatamente o contrário.
Eu: Desculpa! Desculpa se não acredito no que dizes. Desculpa por ser tão estúpida e por não saber amar!! – falei mais baixo, ainda que o que mais quisesse fosse gritar. – Espero algum dia que alguém me ensine. Porque ainda ninguém me mostrou como! E mesmo que mostrassem... não ia mudar nada. Porque eu sou assim. Desculpa por não ser tudo o que tu queres. –disse - Agora deixa-me voltar para a minha vida triste e insignificante... pelo menos nela  posso ser eu! O verdadeiro eu!
Corri para casa que estava mesmo ao lado e tranquei a porta atrás de mim. Sempre que fechava os olhos lembrava-me de como o dia tinha acabado. Com mais uma discussão. E lembrava-me de cada palavra dele. De cada gesto, de cada olhar. E depois lembrava-me da maneira como o outro rapaz me tinha tocado, sussurrado ao meu ouvido enquanto eu me encolhia. A maneira como ele me perseguia enquanto fugia e quando ele lambeu os lábios quando falou para o Liam de mim. Cada pormenor. Eu lembrava-me de tudo. E isso, matava-me por dentro.
Talvez ele até tenha razão... eu não sei amar. Até mesmo porque, eu nunca fui amada.


Continua...

xxPatrícia


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