domingo, 23 de fevereiro de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 5 - Key




Sono. Eu estava com muito sono e pronta para ir dormir. Era quase meia noite e eu nem podia mais com as minhas pernas. Tenho a certeza que se pestanejasse pegava a dormir. Subi as escadas, fui até o meu quarto e deixei acesa apenas a luz que se encontrava acima de minha cama, para dar uma luz mais fraca... aos poucos movimentava-me para retirar as roupas do meu corpo, deixando apenas a lingerie... em passos lentos, caminhei até o armário, para pegar uma camisola larga, até que ouço um bip seguido de vibração. Senti meu coração bater mais depressa... coloquei a camisola sobre meu corpo tapando parte de minhas coxas... peguei o telemóvel e abri a mensagem.


“Hmm pra próxima fecha a cortina baby. Não queremos que os vizinhos te vejam semi-nua. Xx Liam”


Filho da p.... arghh.

Corri imediatamente para fechar as cortinas até que percebo novamente seu corpo no outro lado da rua em seu quarto enquanto sorria para mim. Parvo.


“Até parece que me andas a vigiar. Começo a pensar se não serás um tarado...” 


Olhei até o outro lado, esperando pela sua reação. Ele ri e olha-me.


“Hmm não. Se bem que por ti qualquer rapaz seria né Bell?? Dorme bem, bons sonhos. Xx”


Lentamente o seu corpo afasta-se e as luzes do seu quarto apagam-se. Eu tinha medo, como sempre tive. Mas o perigo sempre me atraía, só que, ele não era perigoso. Mas sim um estúpido, parvo e idiota... talvez até simpático... sei lá... a verdade foi que ele ainda não me mostrou o seu lado bom. Ele deixou-me no fundo, apenas na primeira vez que nos vimos. Provocou-me sensações horríveis, fez-me bater bem fundo e depois, no dia seguinte faz-me duvidar de tudo. Eu já nem sabia o que pensar.

A ideia de ele me ter visto despir-me arrepiava-me, era horrível essa sensação de ser vigiado. Era como se uma camara estivesse a apontar para ti a todo o momento, e apenas irá gravar as piores partes da tua vida. E a verdade, é que eu sinto isso a todo o momento. E como se, nos piores dias, essas gravações viessem até a tua mente pra te deixar pior.

Mas eu aprendi a esquecer, esquecer tudo, esquecer a culpa, a mágoa, a desilusão, a estúpida ilusão que o amor pode criar... só que, eu aprendi a esquecer, mas por muito que tentemos, esquecer é de facto impossível... Vai haver sempre alguma coisa que te vai fazer lembrar, e mesmo que não queiramos... a verdade é que a vida é assim mesmo, e temos de lidar com ela. Mas eu não faço isso, eu nunca esqueço, eu simplesmente me vingo. Vingança. A melhor de todas as drogas. E essa sim é o meu maior vicio.

Fui me deitando. A primeira noite nesta casa que vou dormir numa verdadeira cama, e não no chão...

Eu tentava bloqueá-lo da minha cabeça, mas era como um filme em replay na minha mente... ele, este estranho não me deixava em paz, e eu queria te-lo tão perto de mim. Conhecê-lo. Porque, a imagem que ele havia criado em mim era a de um rapaz quente, provocador, mas tão idiota... Conseguia ser tudo isso, e conseguiu algo ainda maior... bloquear minha mente, e essa, nunca parava por alguém.


***

5h da manhã. Virava o meu corpo de um lado pro outro na cama. Nada parecia ajudar. Todo o sono que eu tinha parecia ter desaparecido. Começava a enlouquecer sempre a rolar na cama e a permanecer acordada. Fechei novamente os olhos, frustrada, na tentativa de dormir. Algo me impedia. Quem? E porquê? Talvez eu saiba, só que o orgulho impede-me de admiti-lo.

7h horas da manhã, ouço meu despertador tocar. Dormi cerca de 3 horas, no máximo. É suposto eu sequer me levantar? Eu não acho. Quer dizer, eu acho... só que vai ser dificil.

Depois de algum esforço levanto-te e vou até a janela do meu quarto, deixando a luz do dia entrar. Hmmm. Escuro. A luz parecia nem querer existir, escondendo-se atrás das nuvens. Sorri. A chuva começava agora a cair.

Fui até a casa de banho me preparar. Nada de mais... não estou com ideia de encontrar ninguém especial. Porque esse alguém especial, deixou de existir assim que as drogas me encontraram.

Peguei numas calças justas pretas e uma camisola preta com capuz. Peguei numas vans e um colar que eu sempre colocava, só que nunca ninguém via. Tinha o formato de uma chave, era pequena e prateada... no dia em que o comprei jurei sempre o usar, era como se me protegesse, e como se meu coração fosse uma porta fechada a espera de ser aberta. Colocava-o sempre debaixo de todas as camisolas, junto ao meu peito.

Desci até a cozinha, peguei uma maçã para comer pelo caminho e saí.

Cobri minha cabeça com o capuz e segui rumo a minha escola. Mas a verdade, é que eu não sabia o caminho. Apenas continuei caminhando, na esperança de descobri-la... 

Os meus passos lentos arrastavam com  eles a chuva que me molhava por completo. Mas eu gostava, então não queria saber. Durante todo o caminho ia ouvindo música... algo que pra mim nunca falhava. Ou música, ou droga. Era certo que as duas juntas eram uma ótima combinação. Ainda me lembro quando havia gente a drogar-se nas festas, era louco! Havia sempre barraca... mas era disso que as pessoas gostavam. E eu gostava. Só que não era da barraca... mas da sensação que a droga pode provocar, de tal modo, que te modifica completamente, uma coisa é certa... toda a droga tem um poder... algumas o da violência, outras, o poder incrível de te excitar... quer esteja num velório, ou num bar, a diferença não é nenhuma.

Ouço passos na minha direção, desesperados por encontrar alguém...

Xxx: Hey! – o meu braço era bruscamente apertado, fazendo-me bater contra alguém.



Continua...

xxPatricia


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