quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 4 - Pure entertainment


Acordo no chão do meu quarto, a minha cabeça doía, talvez das lágrimas desnecessárias que passearam toda a noite por meu rosto. Levanto-me lentamente, indo até a casa de banho e lavando a cara. Desci pra cozinha. Procuro por algo no frigorífico. Vazio. Suspirei. 

Subi até o meu quarto novamente à procura de uma roupa pra vestir. Abri o armário, vazio. Aí lembrei-me que nem as minhas roupas eu tinha arrumado nos armários. Procurei pelas roupas espalhadas no chão algo para vestir. Acabei por pegar numas calças pretas, uma camisa cinza escuro e uma casaca igualmente preta. Deixei os meus cabelos soltos.

Segui até o mercado, na tentativa de, pelo menos, ter comida lá em casa. 

***

Estava no meu quarto, à procura de uma forma de arrumar tudo. Coloco tudo no devido lugar, dobrando as roupas e colocando-as calmamente nas gavetas. Dou uma vista de olhos por todo o quarto assim que terminei. Percebi que umas luzes se destacavam por cima da cama, estavam desligadas. Andei pelo quarto, procurando a tomada, quando encontrei, liguei-as. Eram lindas. Um branco a fugir pro rosa, iluminando o quarto todo de uma forma... doce. Na cama permaneciam lençois brancos e algumas almofadas. O chão era quase todo ocupado por um tapete enorme num tom bege. Agora que tudo estava arrumado eu reparava na beleza do quarto. Era um local que quase transmitia calma, local que ainda ontem me parecia depressivo. Eu diria até quase absurdo o quarto ser tão... adorável. Coberto de tons claros, e alguns contrastes com pequenos objectos pretos a decorar o local tornavam-no ainda mais lindo. Sorri quando percebi que toda a casa poderia ainda ser decorada a ficar de forma a que eu gostasse. 

O meu telemóvel toca. Logo apercebo-me que fiquei vários minutos a olhar para o quarto. Vejo uma mensagem. 


“Olha cá pra fora.”


Um som rouco e ligeiramente confuso soou de minha garganta. Quem era? 

Segui até a janela do meu novo quarto, as cortinas estavam abertas. Olho em frente e percebo-me da presença de um corpo musculado do outro lado da rua, no seu quarto penso eu. Liam. Ele olhava-me sorrindo sapeca. 


“Mas como é que arranjaste o meu número?” 


Esperei que ele recebesse a mensagem, olhando-o curiosa. Percebo-o pegar algo que eu julguei ser o seu telemóvel. Ouço um bip seguido de uma vibração na minha mão. Olho a tela. 


“Porque és tão curiosa?”


Bufei tentando encontrar calma em algo que eu achei no momento inexistente. Mas como que caralhos ele arranjou o número de meu telemóvel? É algum agente da NSA? 


“Como é que arranjaste o meu número?” 


Respondi impaciente. 


“Vemo-nos amanhã, Bell. Gostei de conversar contigo. Xx”


Então ele desaparece da janela apenas me deixando com visão da cortina escura de seu quarto. Mas que merda!! E... vemo-nos amanhã? Como é que ele sabe que vamos ver-nos amanhã? Nem eu sei se nos vamos ver amanhã! Ainda à pouco tempo eu estava com ódio dele, e agora... trocamos mensagens? E... porque é que ele estava tão simpático se ainda ontem saiu daqui com raiva de mim?

Várias perguntas... mas nenhuma resposta.  Fechei os olhos frustrada, e dirigi-me até a minha cama, deitando-me nela de costas e dobrando os meus joelhos de modo a ficarem elevados e olhando o ecrã do meu telemóvel. Fiquei a pensar durante algum tempo, até que depois lembrei-me de guardar o número dele, caso mais mensagens apareçam. Hmm como era o apelido dele mesmo? Hmmm... Payne. Acho que vou guardar como Payno...

Coloquei o telemóvel na cabaceira e segui até ao andar inferior da casa. 

Fui até ao frigorífico e o abro, tentando procurar algo pra comer. Depois de algum tempo voltei a fechá-lo... não encontrei nada no momento que me fizesse realmente tirar a fome. Peguei numa maçã  e segui até a sala. Assim que acabo de me sentar no sofá ouço um barulho lá de cima. Uma nova mensagem. Porra. O caralho do rapaz não vai parar com esta merda? Depois da horrível noite que tive, tudo o que eu menos queria era falar com ele, ou sequer vê-lo... mas mesmo assim a curiosidade corroía-me por dentro... eu não queria... mas sem querer, eu queria falar com ele! E isso... era a pior sensação de sempre.

Levantei-me lentamente. Fui subindo as escadas enquanto o meu corpo e a minha mente pareciam me impedir de caminhar. Assim que chego até o meu quarto pego no telemóvel em cima da cabeceira, exatamente onde eu o deixei. Uma nova mensagem? Não. Talvez seja apenas eu a enlouquecer... 

Estava a sair de lá quando me lembro que amanhã vai ser o meu primeiro dia de aulas, na nova escola. Outra vez. Sabes que mais? Apesar de tudo isto... acho que já começo a levar isto na brincadeira. Tem pessoas que se assustam com a minha aparência... sim. Se é estranho? Não. Eu não me considero uma pessoa muito contactável... mas de uma coisa eu tenho a certeza... elas também nunca tentaram contactar comigo.

Eram apenas 16h da tarde... e eu não tinha nada pra fazer... sentia uma sensação comum em meu corpo. Fraqueza. Eu precisava de me alimentar. Mas não da mesma forma que havia feito antes. Inclinei a minha cabeça para trás, tentando respirar fundo... hmm eu precisava disso. Eu sabia. E, por pura insignificância, eu limitava-me a aceitá-lo, porque eu sabia, que desta forma eu podia voltar a respirar da maneira que eu gosto, o meu coração bateria a velocidade que eu gosto, e a adrenalina apoderar-se-ia de meu corpo. Tal como eu gosto. Eu posso parar. Mas não tenho coragem, nem força para fazê-lo. 

Subi até o meu quarto e abri uma das malas. Nela, tinha guardado a peça mais importante do puzzle que é a minha vida... onde as peças se baralhavam a todo o momento. Numa bolsinha lá no fundo, estava ela. Puxei a manga de meu braço para trás e apertei um fio forte em volta dele. Procurei uma veia e injetei. Era como um orgasmo, só que... mais duradouro. É nestes momentos que o meu mundo se transforma em um totalmente diferente.. muito mais prazeroso, e divertido. Porque depois de esses anos, já se tornara numa diversão. Puro entretenimento. 



Continua...

xxPatricia


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