domingo, 16 de fevereiro de 2014

Pretend It's Ok - 1ª Temporada - Capitulo 3 - You don't care

XXX: Oi… eu sou o Liam! Liam Payne… prazer!! – - ele olhava-me sorrindo, um sorriso brincalhão cresceu nos meus lábios… mas porque é que estava a sorrir? O que é que ele tinha de diferente? Talvez nada… talvez seja apenas mais um rapaz, intrometido, a vir buscar novas informações pra depois falar pra todo o mundo e me envergonhar, ganhando vantagem sobre si mesmo, como se sentissem mais fortes derrubando os outros… ou até mesmo, querer apenas me usar… olhei-o duvidosa.

Eu: Sim. Eu percebi. Mas agora… o que é que fazes aqui? - perguntei sem qualquer tipo de reação aparente. Era o melhor que tinha a fazer.


Liam: Disseram-me que tinha uma nova vizinha, então eu fui empurrado pra cá pra te cumprimentar!! – sentia os meus músculos mais tensos, fecho os olhos sorrindo ironicamente. Sério que não percebem o quanto isso magoa? Magoa, claro que magoa. O passado pode ter-me tornado uma pessoa silenciosa, mas não insensível. 

Eu: Ainda tens coragem pra dizer isso na minha cara não é? - suspirei, um calafrio percorreu o meu corpo - Como é que alguma vez eu poderia pensar que alguém se importava? Sou ap... - suspirei, não acabei a frase, as palavras saiam como suspiros, arrancados de meus lábios - Vai embora. - falei sério, ele olha-me incrédulo, analisando as minhas expressões - Desculpa, mas vai…

Liam: Desculpa, desculpa, eu só tava a brincar. Eu vim dar um olá!! Só queria saber se… se nos poderíamos conhecer… sei lá… ser amigos? - ele pergunta com medo de minha reação, acabando com um sorriso por fim. 

Eu: Amigos… - sorri, brincando da sua pergunta – sério mesmo que queres ser meu amigo? Olha que não é fácil... – pergunto, olhando-o sorrindo de canto e analisando o seu rosto. 

Liam: Quero! – fiquei apenas olhando-o incrédula. A sua expressão era tão sincera. Os seus olhos brilhavam como diamantes, olhos castanhos, um castanho lindo... Ele fica analisando-me, talvez à espera que eu o mandasse entrar… - Qual é o teu nome mesmo? – ele pergunta, sorri pra ele, enquanto o meu consciente me dizia que isso não ia dar certo.

Eu: S/n… s/n Bell! – ele sorri – Desculpa… entra! – dei espaço para ele entrar, ele aproxima-se, sinto os seus lábios quentes na minha testa… um  arrepio fez questão em me preencher… faz tempo que ninguém me dava carinho… sei lá, era… estranho. Ele volta-se para trás, quando já se encaminhava para entrar na sala… 

Liam: O que foi? – ele pergunta sério, preocupado – o que foi que eu fiz?

Eu: Nada… - fechei a porta e fui ter até ele, enquanto o indicava a entrar e sentar-se no sofá. 

Liam: A casa já está mobilada… - ele falou, para quebrar o silêncio.

Eu: É… já estava mesmo quando eu cheguei… - falei, lembrando que apenas lá tinha chegado há minutos – eu cheguei cá mesmo a pouco… - constatei.

Liam: Eu reparei! Eu vi-te chegar e entrar, então eu decidi vir dar-te as boas-vindas! – ele sorri, como sendo algo normal.

Eu: Costumas ser sempre assim?

Liam: Assim como?

Eu: Sei lá… simpático, sorridente… - perguntei olhando-o curiosamente, sorrindo.

Liam: É, eu acho que sim… e tu?

Eu: Eu o quê? 

Liam: Como é que tu és? – ele ri, brincando da minha distração. 

Eu: Eu sou uma rapariga… normal… ou eu acho - falei olhando o chão e mexendo com a ponta dos meus dedos.

Liam: Como assim?


Eu: Sei lá… - suspirei, levantando-me, à procura de uma forma de contar-lhe, poder confiar em alguém é difícil pra mim… - eu não acho mesmo que queiras ter essa conversa comigo... seria o suficiente para... ter pena sabes?? É um sentimento que eu odeio... pena.

Liam: Hey... eu não estou com pena de ti! Até mesmo porque eu apenas te conheci a poucos minutos atrás!! Porque haveria de ter? Há algum motivo? – ele segura nas minhas mãos trémulas, tentando transmitir calma – Apenas fala pra mim! Eu quero... eu quero saber como és... porque não relaxas?! Relaxa e fala comigo, o que aconteceu pra te deixar dessa forma! 

Eu: Nem eu mesma tenho noção disso... ah não... eu sei, e bem! – suspirei, tentando ainda perceber porque deixei tudo isso chegar a esse ponto, porque é que me deixei ir tão abaixo, me deixei ficar tão fria com as pessoas... eu não precisava ter me tornado assim – eu... eu não er... – senti uma gota correr por meu rosto. Ele apercebe-se e move-se rapidamente, chegando mais perto de mim, e limpando meu rosto com o polegar... – Porque és assim? Porque é te importas comigo? Não me conheces! - o meu tom de voz é mais alto, mais do que esperava.

Liam: Eu já falei. Eu quero... te conhecer melhor... – sinto os seus braços envolverem o meu corpo. Arrepio-me, em um movimento automatico, afastei os seus braços dos meus, descolando  os nossos corpos. Ele olhava-me de forma estranha... claro, eu já devia saber.

Eu: Deixa pra lá... nunca vais perceber! – vou em direção a cozinha, em passo rápido. Sentia o meu coração palpitar depressa. Eu nunca falei pra ninguém do que aconteceu comigo quando era mais nova, porque tal como agora, eu sabia que eles iriam ter pena, me olhar de forma diferente, e me tratar como se fosse um pobrezinha... e sabem que mais? Para isso eu prefiro até mesmo ficar sozinha.

Liam: Hey! – ouvi-o falar do outro lado – espera!! Porque estás a agir assim?? – percebi a  sua voz diferente, o seu olhar diferente... – O que se passa contigo?? És tão diferente dos outros... - resmunga enquanto se mantêm quieto  à porta.

Eu: Eu sabia.. Mesmo ainda sem saber... já estás com aquele sentimento! De pena! Ou se calhar de estranheza... Porque é que as pessoas agem assim? É automático isso? Eu só gostava de perceber... como é que as pessoas conseguem ser  tão idiotas? Não percebem que isso magoa? É assim tão difícil?! – sentia meu sangue ferver, a minha cabeça arder – É liam?

Liam: Esquece... eu acho que não valeu a pena cá vir! – ele dirige-se para a porta – Tem um bom dia! – ouvi a porta bater com força, encosto-me à bancada. Como é que eu ainda fui idiota ao ponto de pensar que ele seria diferente? Claro que não. Quer dizer, é a primeira vez que o vejo e já o odeio. O certo seria ele estar demasiado desesperado pra foder com alguém hoje e não teve, então a escolha mais fácil? Ah sim, olha a minha nova vizinha! 

Subo até meu quarto, sentia-me miserável, cada vez mais sozinha, e isso estava de certo ponto levando-me à loucura. Pontapiei a minha mala de roupas, deixando várias delas espalhadas pelo chão... sentia as minhas pernas ficarem fracas, deixo o meu corpo escorregar até ao chão... sinto um brilho bater em meus olhos. Olhei para o chão... então ela lá estava, espalhada pelo chão, como que chamando por mim.

***

Vejo o sangue escorrer por meus pulsos, caindo no chão, pressionei a lamina novamente contra eles, fazendo outro corte... tombo a cabeça pra trás, descansando o meu corpo e aproveitando a sensação que me invadia a todo o momento... vários calafrios percorriam meu corpo, seguidos de palpitações fortes em meu peito. Já fazia 1 semana que eu não me mutilava... então chega este idiota, e faz com que todo meu esforço seja em vão. Não valeu a pena. Porque eu haverei de parar com isso? Faz diferença pra alguém? Não! Então, mais vale deixar eu me acabar aos poucos... pelo menos desta forma... eu sinto-me bem... ou pelo menos... parte da mágoa vai embora... o frio apoderava-se de meu corpo, sentia-me congelada, sem capacidade pra me movimentar sequer pra ir até meu quarto.


Continua...

xxPatricia

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